Freakonomics.com: bebida, cirurgia bariátrica e livros atrapalhados

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Como você pode saber seu grau de embriaguez?
Às vezes uma boa idéia é tão óbvia que você não consegue acreditar que ninguém ainda a realizou. Vejam um novo equipamento chamado Impair Aware Alcohol Level Indication System [Sistema de Indicação de Nível Alcoólico Prejudicial à Consciência].

Baseado em máquinas semelhantes usadas em toda a Europa, o Impair Aware pode ser colocado em um bar ou restaurante, permitindo que você meça o nível de álcool no seu sangue e saiba se está apto a dirigir. Isso retira a adivinhação de um jogo que existe há gerações.

Depois de ver as versões européias em ação, Federico Forero, um ex-oficial de condicional que mora perto de Atlanta, lançou sua versão nos EUA.

Mas não tenho certeza de quão amplamente esta máquina será adotada, em parte por causa dos incentivos mistos em jogo.

Os donos de bares podem se recusar a comprar um equipamento que pode ser considerado uma restrição ao consumo. Por outro lado, a máquina pode ajudar o dono do bar a conquistar certa proteção jurídica se um cliente sair do bar bêbado e sofrer um acidente. O cliente também tem de pagar para usar a máquina -é assim que o dono do bar vai recuperar seu dinheiro.

O verdadeiro teste seria obter dados das cidades na Europa onde máquinas semelhantes são usadas e examinar as tendências no consumo de álcool, acidentes de carro, táxis chamados aos bares, etc.

Stephen J. Dubner

Mais um dispositivo de compromisso para perder peso
Recentemente escrevemos sobre o uso de dispositivos de compromisso para perda de peso, especialmente a recente alta de cirurgia bariátrica, na qual o tamanho do estômago é reduzido. Evidentemente, esse é um recurso bastante drástico.

Um artigo na edição atual do "Journal of the American Medical Association" salienta um dispositivo de compromisso muito menos invasivo: o pedômetro, que registra a distância que uma pessoa percorre a pé. Acontece que se você der a alguém um pedômetro, especialmente se lhe der uma meta de quantos passos deve dar por dia, os resultados são espantosos.

"Os resultados sugerem que o uso de um pedômetro está associado a um aumento significativo em atividade física e reduções significativas do índice de massa corporal e de pressão sanguínea", diz o artigo. Ele oferece, porém, um forte qualificador: "Se essas mudanças são duradouras a longo prazo, ainda não foi determinado".

Mas essa é sempre a questão. É muito mais fácil se comprometer e melhorar em curto prazo, especialmente quando há alguém observando você. A longo prazo, sem ser observado, é totalmente outra história. Talvez seja por isso que a cirurgia bariátrica, que é tão próxima de um dispositivo permanente quanto se pode chegar, continuará aumentando.

Talvez haja necessidade de um pedômetro aperfeiçoado -uma espécie de bracelete de tornozelo eletrônico- que não apenas mede seus passos, mas também lhe dá um pequeno choque elétrico quando você passa tempo demais no sofá.

Stephen J. Dubner

Último recall de produto relacionado à China: o meu
Algum tempo atrás, fiz uma leitura de meu novo livro infantil, "O Menino com Dois Umbigos". Eu estava lendo para as crianças quando de repente algo pareceu errado: a história não tinha continuidade, não fazia qualquer sentido para mim.

Confuso, parei de ler. Lembro de ter pensado: "Puxa, faz tanto tempo que li essa história que esqueci como se passa?" Então eu pensei que talvez tivesse simplesmente pulado uma página. Mas depois de folhear para frente e para trás vi que não era o caso.

Finalmente descobri o que tinha acontecido. Estava faltando o texto em uma das páginas do livro. A ilustração estava certa, assim como o texto na página oposta. Mas na página em questão as palavras simplesmente estavam faltando. Era um erro de impressão ou, mais precisamente, uma não-impressão.

Então eu parafraseei a parte que faltava para as crianças e terminei o livro. Era a única página em que faltava o texto.

Mais tarde, na sessão de autógrafos, eu escrevi a mão as quatro linhas que faltavam para alguém que as queria.

A editora me disse que o livro fora impresso na China, por isso supunha-se que o erro fosse mais uma questão de controle de qualidade chinesa referente a mercadorias para crianças. Felizmente era apenas um livro infantil e não uma pasta de dentes envenenada ou brinquedos contaminados, mas ainda assim fiquei muito aborrecido.
São apenas cerca de 540 palavras em todo o livro, por isso o texto que faltava representava 3% do total. Eu teria ficado muito aborrecido se 3% do texto da versão em livro de Freakonomics tivesse faltado.

A editora ficou convenientemente horrorizada ao saber o que tinha acontecido e se apressou a fazer um recall de todos os livros defeituosos. Afinal, todos faziam parte da segunda impressão. A primeira, que tinha realmente sido feita na China, estava perfeita. Mas a segunda tinha sido feita nos EUA: Nova Jersey para ser exato.

Eu posso imaginar um simpático casal chinês com filhos encomendando o livro e descobrindo que de repente a história não faz sentido. "Nunca mais comprarei nada feito em Nova Jersey!", eles dirão um ao outro.

Para alguém que já possui uma cópia defeituosa, eu me ofereceria para escrever à mão o parágrafo que falta, mas a) isso não é muito prático; e b) sua caligrafia provavelmente é muito melhor que a minha. Então você mesmo pode fazer.

Na página à esquerda, onde você vê Solomon sentado e olhando para uma tartaruga do outro lado da página, eis o que deveria estar escrito: "Descendo a estrada, Solomon viu Victor, a tartaruga. Victor, quantos umbigos você tem?"

Enquanto isso, vamos esperar que a gráfica em Nova Jersey também não esteja imprimindo manuais de instruções para marca-passos, por exemplo.

Stephen J. Dubner Luiz Roberto Mendes Gonçalves

UOL Cursos Online

Todos os cursos