Freakonomics.com: do berço à sepultura - a abordagem econômica

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

A Ciência Social de criar filhos felizes
No nosso livro "Freakonomics", escrevemos a respeito do nosso ponto de vista sobre a tarefa de criar os filhos. Sobremaneira, mostramo-nos céticos quanto à capacidade dos pais fazerem algo para melhorar o futuro dos filhos.

É óbvio que pode-se ser um pai ou mãe terríveis, cuja marca registrada seja a negligência ou o abuso. A questão mais difícil é determinar se um pai "obsessivo" que arrasta os filhos para sessões intermináveis de aulas de futebol, a museus, a aulas de teatro é melhor do que aquele que simplesmente senta-se no sofá assistindo a "Austin Powers" com as crianças.

Um grupo de cientistas sociais dedicou um esforço enorme para descobrir o que torna as crianças felizes. Quem sabe eles não obtiveram as respostas corretas? De qualquer maneira, eles disponibilizaram uma grande quantidade de material interessante para os pais no website do Greater Good Science Center ("Centro de Ciência do Bem Maior") da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Há de tudo lá, desde dicas sobre "abraçar o fracasso das crianças" até "o ensino da gratidão".

No seu site, o Greater Good Center se identifica como "um centro de pesquisas interdisciplinares dedicado ao entendimento científico de indivíduos felizes e compassivos, dos laços sociais fortes e do comportamento altruísta". A sessão científica do site é bastante acadêmica, se é isto o que você prefere.

O fato de visitar o site me deixou pensando sobre qual deveria ser a nossa meta ao criarmos os filhos. A meta declarada do Greater Good Center é ajudar os pais a criar "filhos felizes e emocionalmente esclarecidos". São metas louváveis, mas certamente não são as únicas - ou sequer as primeiras - que me vêm à mente.

Eu me preocupo mais em criar filhos que serão adultos felizes e bem-sucedidos, mesmo se isso significar que eles não sejam tão felizes como crianças. Quero que os meus filhos gostem de mim quando crescerem, mas também quero que eles façam o que eu lhes diga que façam, da primeira vez que lhes digo que façam algo.

Não quero que os meus filhos sejam pessoas fracas, como eu fui. Quero que eles sejam fortes e capazes de suportar as críticas e os infortúnios que o mundo real tem a oferecer. Também desejo que eles sejam criativos e corram riscos (mas não muitos riscos).

Suspeito que os caras que administram o website do Greater Good discordarão não só daquilo que estou fazendo como pai no cotidiano, mas também dos objetivos que estou tentando alcançar.

Steven D. Levitt


Todas as mortes são suicídios?
O que significa usar "a abordagem econômica" para pensar a respeito do mundo?

Se você fizesse tal pergunta a cem pessoas, eu aposto que pelo menos 80 delas dariam alguma resposta que teria algo a ver com dólares e centavos ou com oferta e demanda.

Porém, no decorrer das últimas décadas, "a abordagem econômica" passou a significar algo bem mais amplo. Somos gratos praticantes desse movimento, cujo padrinho é - sem dúvida - Gary Becker, colega de Levitt da Universidade de Chicago e um homem que apareceu várias vezes nesta coluna, na última ocasião por ter recebido a Medalha Presidencial da Liberdade.

Lembrei-me disso um dia desses enquanto relia o livro de Becker, "The Economic Approach to Human Behavior" ("A Abordagem Econômica do Comportamento Humano"). Na introdução, ele descreve de uma bela forma o que quer dizer com "a abordagem econômica", e inclui um exemplo que a princípio parece tão ousado que tira o fôlego do leitor. Mas, após um momento, tudo faz sentido, e você enxerga por que a maneira de pensar de Becker é tão incomum e valiosa. Veja por si próprio.

"De fato, cheguei à conclusão de que a abordagem econômica é abrangente e aplicável a todos os comportamentos humanos, seja àquele comportamento que envolve valores monetários ou supostos preços ocultos, decisões repetidas ou infreqüentes, decisões grandes ou pequenas, fins emocionais ou mecânicos, pessoas ricas ou pobres, homens ou mulheres, adultos ou crianças, pessoas brilhantes ou estúpidas, pacientes ou terapeutas, empresários ou políticos, professores ou estudantes", escreve Becker.

"...Subseqüentemente, eu apliquei a abordagem econômica à fertilidade, à educação, ao uso do tempo, ao crime, ao casamento, às interações sociais e a outros problemas 'sociológicos', 'legais' e 'políticos'... Boa saúde e longa vida são metas importantes para a maioria das pessoas, mas com certeza não é necessário mais do que um momento de reflexão para que se convença alguém de que estas não são as únicas metas: de alguma forma uma saúde melhor ou a vida longa precisam ser sacrificadas porque elas conflitam com outras metas", continua ele. "...Portanto, segundo a abordagem econômica, a maioria (se não todas!) das mortes se constitui, até certo ponto, em 'suicídio', no sentido de que elas poderiam ter sido postergadas caso fossem investidos mais recursos no prolongamento da vida".

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