Freakonomics.com: Isto é repugnante!

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Os economistas são realmente malignos... ou apenas repugnantes?
A idéia da mudança do que é repugnante é fascinante. Por que um comportamento é considerado repugnante enquanto outros são aceitáveis? E como e por que tais demarcações mudam com o tempo?

Meu exemplo favorito é o seguro de vida. Há muito tempo, era considerado mórbido fazer uma aposta que lhe permitiria lucrar no caso da morte de um ente querido. Agora é incomum não fazê-lo.

O "New York Times" publicou recentemente um artigo de Patricia Cohen sobre um painel do Instituto Americano do Empreendimento sobre a noção de repugnância e como ela afeta o que pode ser comprado e vendido -como, por exemplo, um mercado de órgãos humanos.

O que chamou minha atenção foi uma citação de Paul Bloom, um professor de psicologia da Universidade de Yale. Seu argumento era de que os economistas estavam olhando para o assunto da forma errada, fazendo suposições baseadas em economia de mercado.

"O problema não é que os economistas não sejam pessoas razoáveis, mas sim que são pessoas do mal", disse Bloom no artigo. "Eles trabalham em um universo moral diferente. O ônus da prova cabe a alguém que queira incluir uma transação no mercado."

Os economistas são "pessoas do mal"?

Eu espero que Bloom estivesse brincando, apesar de não haver indício no artigo de que estivesse.

Eu não sei ao certo o que Bloom quis dizer. Talvez o público em geral veja os economistas como "do mal", já que analisam o mundo tão friamente e parecem dispostos a colocar um preço em qualquer coisa.

Mas se for o caso, eu argumentaria que o motivo para considerar os economistas como "do mal" é o mesmo motivo para considerá-los valiosos.

Apesar de haver algumas exceções dignas de nota, os economistas estão atualmente entre os poucos grupos de pessoas dispostas a analisar uma questão -seja transplante de órgãos, corrupção política ou orientação sexual- sem se curvar à sabedoria convencional, preocupações sociais ou valores morais.

Logo após Bloom ter lido um item sobre este assunto no Freakonomics.com, eu recebi um e-mail dele.

"Sim, meu comentário sobre economistas do mal foi uma piada", ele escreveu.

"Eu argumento que os economistas tendem a racionar de forma conseqüente e são menos sensíveis a outras considerações como tabu, repulsa, status quo, preconceito e assim por diante", prosseguiu Bloom. "Eu de fato acho que os economistas em geral estão certos em fazê-lo, e argumento em particular que a repugnância é inútil como guia para o comportamento moral. Então, não, eu não acho que você seja do mal."

Stephen J. Dubner

Seja fiel aos seus compromissos
Quando estudava na Universidade de Chicago, eu freqüentei o curso de Tom Schelling, um futuro economista vencedor do Prêmio Nobel. Certo dia na aula, ele falava sobre problemas de compromisso: quando você deseja atingir uma meta, mas carece de autocontrole para fazê-lo.

Da forma como me lembro, ele ofereceu dois conselhos para aqueles que tentam perder peso.

Primeiro, limpe o refrigerador e jogue fora qualquer coisa que possa querer comer em um momento de fraqueza.

Segundo, preencha um grande cheque para um dos partidos neonazistas atuando ao redor do mundo, o coloque em um envelope selado e prometa colocar na caixa de correio caso quebre sua dieta.

Se sua intenção é de realmente remeter a carta após trapacear sua dieta, ela serve como um dispositivo de compromisso. Não apenas a dieta dá resultado em termos de perda de peso, mas também impede você de financiar uma causa que abomina.

Eu sempre me perguntei se alguém de fato remeteria o cheque. Se não remetesse, todo o exercício seria uma perda de tempo.

É aí que entra o novo site StickK.com.

O StickK foi lançado recentemente por Ian Ayres, um professor de direito e economia da Universidade de Yale, e Dean Karlan, um economista também de Yale.

O site foi formado para facilitar contratos de compromisso.

Deseja parar de fumar? Vá ao StickK e assine um contrato que o obriga legalmente a doar uma quantidade específica de dinheiro para a caridade se não conseguir.

Você pode até mesmo determinar que você admitirá ao StickK quando fracassar. Também pode nomear um amigo como responsável e que informará o site por você.

Ausente do StickK, pelo menos até onde posso ver, é a capacidade de dar dinheiro para organizações mais notórias. Todas as caridades com quem fazem parceria parecem íntegras.

Ayres, por sua vez, parece estar se beneficiando com o StickK. Ele perdeu 11 quilos usando um contrato de compromisso.

Eu acho que há pouca dúvida de que contratos de compromisso deste tipo nos ajudam a realizar nossas metas. As pessoas consideram muito mais fácil seguir uma dieta após o susto de um ataque cardíaco ou deixar de fumar após um susto de câncer.

É uma pergunta aberta se as pessoas estão dispostas a impor custos a si mesmas. Em parte, se resume a se a pessoa realmente deseja mudar ou se está apenas fingindo.

Steven D. Levitt George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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