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O Perguntas & Respostas do Freakonomics: terrorismo, livre arbítrio e a seriedade do Freakonomics

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Há poucas semanas, nós solicitamos perguntas que nossos leitores online disseram que queriam que respondêssemos. A alta qualidade e entusiasmo das perguntas nos deram a idéia de tornar o Perguntas & Respostas do Freakonomics um quadro permanente. As respostas desta parte são exclusivamente de Levitt. Dubner responderá o próximo conjunto de perguntas. Pergunta - Você se definiria como um pai obsessivo? Resposta - Eu sou o oposto de um pai obsessivo. Praticamente vale tudo quando estou no comando. Por exemplo, meu filho de 8 anos se tornou bastante hábil em pôquer aberto com sete cartas. Minha esposa, Jeannette, é um pouco obsessiva, de forma que isto equilibra as coisas. Pergunta - Você já disse que poderia combater o terrorismo de forma eficaz se tivesse acesso a dados suficientes. Em uma situação perfeita, de que dados precisaria? Em uma situação mais prática, que dados que você poderia usar você acha que estão disponíveis (por exemplo, para a comunidade de inteligência)? Resposta - Esta é uma pergunta que não posso responder agora, porque estou trabalhando nisso. Dependendo de como as coisas andarem, nós poderemos escrever a respeito no próximo livro. Pergunta - Você fica frustrado quando outros economistas e blogueiros não levam seu trabalho a sério? Parece que às vezes eles olham para você como um comentarista pop, não como um economista sério. Resposta - Eu nunca me preocupei demais com o que as outras pessoas pensam a meu respeito, apesar de que devo estar lendo os blogs econômicos errados, porque os poucos que leio são razoavelmente gentis comigo na maioria das vezes. Eu realmente não posso culpar alguém por não me levar muito a sério, porque eu não me levo muito a sério. Eu acho que há espaço para realizar um bom trabalho e ter alguma diversão ao longo do caminho. Além disso, qualquer um que disser que não sou um verdadeiro economista terá que explicar como conquistei a Medalha John Bates Clark da Associação Econômica Americana em 2003. Pergunta - Você acredita que algum evento ou comportamento (econômico ou não) possa ser previsto eficazmente com dados suficientes e tempo/velocidade de processamento? Em caso positivo, isto não é um argumento contra o livre arbítrio? Resposta - Não, eu não acredito que dados e velocidade de processamento nos permitiriam prever qualquer comportamento. Em parte, isto se deve ao fato do mundo ser incrivelmente complexo e você não precisar apenas de dados para prever corretamente um resultado -é preciso também dispor do modelo certo. Não é possível criar um modelo (ou mesmo esperar criar um modelo) do comportamento de um indivíduo específico de forma realmente detalhada. A idéia de que poderíamos criar um modelo de toda uma economia com algum nível de precisão é ilusória. Reconhecendo isso, os economistas criam modelos simples com objetivos menos grandiosos (isto é, nos dão uma idéia geral sobre se algum comportamento se tornará mais ou menos comum em resposta a alguma mudança de preço). Pergunta - Um conhecido meu fracassou em sua entrevista de admissão no programa de economia da Universidade de Oxford porque lhe foi pedido que falasse a respeito de um livro de economia que ele leu e gostou. Ele escolheu "Freakonomics" e os entrevistadores em Oxford não o consideraram um "livro genuíno de economia". Qual é sua reação diante disso? Resposta - Primeiro, pedir a um estudante que fale sobre um livro de economia que leu e gostou significa basicamente pedir a ele que minta. Quantos estudantes já gostaram de ler um livro de economia? Eu consideraria "Freakonomics" como sendo um livro genuíno de economia. Ele está sendo usado em dezenas de cursos de economia por todo o país. Se as pessoas em Oxford não conseguem ver isso, então talvez seja melhor que o estudante procure estudar em outro lugar. Por outro lado, se o estudante não puder convencer o entrevistador que "Freakonomics" é um livro de economia, então talvez seja melhor o estudante procurar outra matéria. Pergunta - Qual é sua opinião sobre como a adoção internacional afeta a economia, divisões de raça/classe e o aumento da desigualdade de renda dentro dos Estados Unidos? O que você acha do argumento de que crianças estão "prontamente disponíveis para adoção" nos Estados Unidos e, mais além, que a adoção é anunciada como um produto com benefícios? Resposta - Eu não acho que a adoção internacional afete a economia de qualquer forma significativa. Nós estamos falando sobre números muito pequenos de crianças estrangeiras sendo adotadas por pais americanos a cada ano -talvez um total de 20 mil crianças, em comparação a 3 milhões de crianças nascidas a cada ano nos Estados Unidos. Mas a adoção afeta profundamente as famílias que adotam. Minha vida foi completamente mudada por causa das duas filhas que minha esposa e eu adotamos na China. Você tem razão ao dizer que algumas pessoas nos Estados Unidos realmente não gostam de adoção de estrangeiros. Algumas argumentam que é uma forma sutil de racismo, onde pais como eu preferem ir à China para adotar mas não adotam uma criança negra aqui nos Estados Unidos. Esta é uma questão complexa -complexa demais para que possa discuti-la aqui em toda sua riqueza. Mas me permita ao menos explicar parte do pensamento por trás da minha própria decisão de adotar no exterior. O primeiro fator foi o de que nosso filho, Andrew, tinha acabado de morrer. Nós não estávamos emocionalmente preparados para navegar pelo ambiente de adoção americano, que é cheio de incertezas para os pais adotivos por dois motivos: 1. a relativa escassez de bebês saudáveis mas indesejados colocados para adoção desde a legalização do aborto; e 2. a ênfase nos direitos dos pais biológicos. Nós pensamos seriamente em adotar uma criança negra domesticamente ou da áfrica. Mas a adoção africana é extremamente complicada, como Madonna descobriu do modo difícil. No final, minha própria opinião é de que as questões de identidade enfrentadas por uma criança negra criada por pais brancos seria difícil demais. Parte da minha pesquisa acadêmica com o economista Roland Fryer de Harvard deixou claro para mim as escolhas difíceis que os adolescentes negros, especialmente os meninos, precisam fazer a respeito de quem são. Como pai, eu não estava disposto a correr o risco de amar e criar uma criança adotada, apenas para saber que assim que se tornasse adolescente, ele teria que escolher entre ser "negro" ou "branco", e que independente de qual viesse a ser a escolha ela custaria caro para ele (assim como para mim). O mesmo tipo de escolha racial "tudo ou nada" não ocorre com os jovens asiáticos em nossa sociedade. George El Khouri Andolfato

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