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22/06/2008 - 00h03

Freakonomics.com: cirurgião responde dúvidas sobre implante de silicone, cicatrizes e arrependimento

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Recentemente, solicitamos perguntas aos leitores para Michael Zenn, cirurgião plástico e de reconstrução do Centro Médico da Universidade de Duke, na Carolina do Norte. As perguntas variaram desde o impacto da tecnologia na cirurgia plástica até o sexo dos pacientes. Ao todo, elas foram muito mais interessantes e diversas do que esperávamos, e Zenn respondeu à altura: suas respostas cheias de insight ajudaram a desmistificar uma indústria que gera muito barulho e absurdos.

Pergunta - A sua profissão o leva a ver as pessoas como listas ambulantes do que consertar ou o senhor é capaz de deixar o assunto no consultório?
Resposta -
Sou capaz de deixar a cirurgia plástica no consultório. São os outros que não conseguem. Eu tenho pavor daquele momento em uma festa quando alguém pergunta inevitavelmente: "O que você faz da vida?"

Pergunta - Onde o senhor impõe um limite e se recusa a executar o procedimento que seus pacientes pedem?
Resposta -
Toda vez que um paciente é pouco realista em suas expectativas, nada de bom resultará do procedimento cirúrgico. As pessoas que querem fazer uma determinada cirurgia e simplesmente não são candidatas não recebem o procedimento. A lipoaspiração em um paciente com obesidade mórbida é um bom exemplo. O aumento de mamas para uma mulher que já tem o máximo de bojo é outro. Em certos procedimentos, como a cirurgia do nariz, eu mostro uma imagem do resultado esperado ao paciente e, com base na resposta dele, talvez me recuse a fazê-lo.

Pergunta - O senhor vê quando alguém fez algum tipo de procedimento cosmético? O senhor entra em uma sala e vê incisões, colágeno e custos?
Resposta -
Qualquer cirurgião plástico que vale seu peso pode ver quando alguém que já fez uma cirurgia plástica -afinal é o que fazemos para viver, amigos. Como a maior parte dos profissionais, posso apreciar um trabalho bem feito e rir de um exagero.

Pergunta - O senhor acredita que chegará uma época em que os índices de cirurgia plástica para os homens acompanharão os das mulheres ou ao menos chegarão perto?
Resposta -
Nunca. Rugas, bolsas, carecas -a maior parte dos homens não se preocupa o suficiente para fazer algo a respeito. Interessante notar, porém, com o envelhecimento da força de trabalho, cada vez mais os homens estão trabalhando mais, e estamos vendo mais homens fazendo plástica para parecerem mais jovens -e ficarem competitivos no trabalho -para o bem ou para o mal.

Pergunta - Quais procedimentos são mais comuns entre os homens?
Resposta -
Lipoaspiração do abdômen, pneus laterais, blefaroplastia (pálpebras) e rejuvenescimento facial.

Pergunta - O senhor acha que mais pessoas fariam uma cirurgia plástica se alguns serviços fossem oferecidos sem a necessidade de internações?
Resposta -
Todo procedimento de cirurgia cosmética que eu faço não envolve internação. O cliente vem, faz a cirurgia e vai embora no mesmo dia. Ele então tem que voltar na manhã seguinte para um check-up. É assim que a maior parte dos cirurgiões opera. Só as plásticas realmente caras às vezes têm acomodações para o paciente passar a noite -algumas melhores que o Four Seasons- mas a pessoa paga por isso.

Pergunta - Qual idade é jovem demais para se fazer uma cirurgia plástica?
Resposta -
Isso é controverso, mas eu diria abaixo de 18 anos. Menos do que isso em caso de deformidades congênitas. Há uma vantagem em deixar um adulto fazer uma decisão por si mesmo. Nunca vi uma "emergência" em cirurgia cosmética que precisasse de um procedimento imediato e não pudesse esperar um ou dois anos.

Pergunta - Há de fato alguma diferença entre as rugas e o dano causado ao rosto se a pessoa passa o tempo no sol debaixo d'água ou se passa simplesmente deitada na praia? Eu vi fotos do nadador olímpico Mark Spitz tiradas sem 2007 e mal parece ter sofrido danos à pele.
Resposta -
Não há diferença -são os mesmos raios ultravioleta. De fato, é provável que debaixo d'água a pessoa fique mais exposta aos raios ultravioleta devido ao reflexo da água. Como Mark Spitz escapou dos danos do sol? Piscinas cobertas.

Pergunta - O senhor endossaria o gel coesivo em vez de silicone devido à preocupação com questões de segurança do silicone? Ou o senhor acredita que isso foi tudo exagero? É verdade que os implantes de mamas devem ser refeitos a cada cinco ou dez anos?
Resposta -
Hoje as opções de implante de mamas são com próteses salinas ou de silicone. As próteses salinas são invólucros de silicone cheios de água salgada; as próteses de silicone são invólucros de silicone cheios de gel coesivo. Os dois implantes são igualmente seguros, os dois têm o mesmo perfil de segurança.

O Instituto de Medicina concluiu que grande parte das preocupações eram exageradas -exceto pelos problemas que as duas próteses têm: ruptura, cicatrizes e infecção. A maior parte dos cirurgiões plásticos e pacientes dirá que a de silicone dá uma sensação melhor. Os implantes são substituídos quando ocorre um dos problemas acima -cerca de 35% terão que consertar alguma coisa depois de cinco anos.

Pergunta - Quais procedimentos mais provavelmente resultam em "Estou tão feliz por ter feito"? E quais tendem a gerar "Em que eu estava pensando?", ou seja, arrependimentos?
Resposta -
A maior parte dos pacientes bem informados e realistas sobre seus procedimentos ficam felizes em tê-los feito. Os infelizes muitas vezes fizeram procedimentos anunciados com os termos "cicatriz pequena", "recuperação imediata" ou "na hora do almoço". Nada é de graça.

Pergunta - A cirurgia plástica sempre produz uma cicatriz que precisa ser escondida?
Resposta -
Sempre.

Pergunta - Os procedimentos "microcirúrgicos" são justificáveis economicamente? Qual é a vantagem das microcirurgias para os desempregados, aposentados e crianças? O seguro de saúde americano(Medicare) reconhece esses gastos?
Resposta -
A microcirurgia não é experimental. Ela é comprovadamente eficaz e econômica para muitos problemas.

A reconstrução microcirúrgica pode salvar membros, devolver a função perdida e limitar os problemas da reconstrução tradicional. Se comparados aos procedimentos tradicionais, os procedimentos microcirúrgicos são mais bem pagos, já que a quantidade de trabalho e do grau de especialização exigidos são mais altos. Até mesmo o seguro de saúde americano (Medicare) pode cobrir parte desses procedimentos, mas talvez só diga isso depois da cirurgia.

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