Freakonomics.com: McCain não odeia de fato os economistas, ou odeia?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Não é novidade que a retórica política tende a ser exageradamente simples enquanto a análise econômica freqüentemente é desnecessariamente complexa. Mas isso contribui para a grande desconexão entre o que os políticos dizem e o que esperam realizar no governo - mais provavelmente porque se declarassem publicamente o que seus assessores econômicos lhes dizem, os eleitores se revoltariam ou adormeceriam.

Dito isso, após passar algum tempo na Convenção Nacional Republicana de 2008 em Saint Paul, Minnesota, e ouvir a proposta de energia multifacetada do senador John McCain, o Projeto Lexington, reduzida no salão ao canto simples de "Perfure, garoto, perfure!", eu passei a me perguntar se o candidato presidencial republicano na verdade odeia os economistas.

Considere o que ele disse sobre os economistas em um encontro no salão de prefeitura em Nova York, em junho de 2008, durante os dias frenéticos do debate em torno dos preços dos combustíveis, quando ele apoiou uma suspensão do imposto federal sobre a gasolina como um alívio temporário.

"Eles são os mesmos, eu acho, que não nos avisaram sobre a crise do empréstimo imobiliário subprime. São aqueles que não nos disseram sobre o colapso pontocom. E são aqueles que não nos alertaram sobre a inflação que se aproxima", disse McCain. "Eu tenho que recorrer ao velho ditado de que se todos os economistas do mundo ficassem lado a lado, não chegariam à conclusão alguma. Logo, eu confio nas pessoas, não nos chamados economistas, para dar ao povo americano um pouco de alívio."

Assim, eu apresentei algumas poucas perguntas a Doug Holtz-Eakin, o assessor econômico chefe do senador do Arizona, que já participou de um debate online do Freakonomics.com sobre o papel desses assessores.

P.: John McCain realmente odeia os economistas, não odeia? Como seu assessor econômico, como você se sentiu a respeito do seu comentário sobre "os chamados economistas"?

R.: Não, ele não odeia os economistas e eu ri quando ele disse aquilo. E concordo: você não deve simplesmente "dar ouvido aos economistas". Meus colegas bem-intencionados (eu inclusive) podem perder o contato com as condições em terra (caso se apóiem demais nos dados). E ao nos concentrarmos demais nas diferenças, nós, em termos profissionais, não transmitimos com clareza as coisas a respeito das quais discordamos.

P.: Em nosso debate online anterior, você escreveu que o trabalho mais difícil de um assessor econômico é combater más idéias econômicas. Você pode dar um exemplo de duas más idéias que ajudou a reprimir?

R.: Obrigar que todo o petróleo extraído nos Estados Unidos fosse vendido apenas nos Estados Unidos - tolice, porque se trata de um mercado mundial, etc.

P.: Com a energia sendo um tema tão proeminente nesta campanha, como você ajuda seu candidato a comunicar uma mensagem política eficaz a respeito de um assunto tão complexo?

R.: Dividindo em partes. Problemas: segurança nacional, segurança econômica, segurança ambiental. Soluções: mudar a forma como dirigimos (híbridos, elétricos, biocombustíveis); uso de recursos abundantes (carvão, nuclear); e romper o impasse político (moratória, armazenamento nuclear, comércio de emissões).

P.: O tipo de populismo ao qual o senador McCain apelou com "os chamados economistas" poderia se reconciliar com as realidades econômicas do mundo real?

R.: Claro. Você dá ouvido às pessoas. Você também dá ouvido às restrições políticas. Você dá ouvido às pesquisas. Esta é a realidade da autoria de políticas econômicas e o motivo para não ser uma atividade para a qual há um manual.

À primeira vista, McCain parece ser o tipo de candidato que apreciaria um conselho econômico. Ele, como muitos economistas, é um racionalista - direto e nem sempre politicamente correto. Por outro lado, ele confessou publicamente que "economia não é algo que entendo tão bem quanto deveria".

No novo livro "The Leaders We Deserved (and a Few We Didn't)" (os líderes que merecemos, e os poucos que não), Alvin Felzenberg, da Universidade da Pensilvânia, tenta elaborar um ranking não ideológico dos presidentes americanos usando critérios mais específicos do que os geralmente usados na compilação desses rankings.

Ao julgar os sucessos econômicos dos presidentes, Felzenberg divide a questão em algumas poucas categorias: desempenho econômico geral durante seus mandatos; melhora da infra-estrutura econômica do país; e expansão das oportunidades econômicas para todos os americanos.

Segundo Felzenberg, houve quatro presidentes excelentes em economia na história americana: George Washington, Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt e Ronald Reagan. Outros sete se saíram muito bem: James K. Polk, William McKinley, Woodrow Wilson, Calvin Coolidge, Dwight D. Eisenhower, John F. Kennedy e Bill Clinton. Os piores presidentes, economicamente falando, segundo a metodologia de Felzenberg foram James Madison, James Monroe, Andrew Jackson, Herbert Hoover, Richard Nixon, Martin Van Buren e Jimmy Carter.

Assim, o que é que torna um presidente um bom em economia? Aqui está o que Felzenberg escreveu:

"A maioria dos presidentes economicamente bem-sucedidos se interessavam genuinamente por administração, negócios e economia. Eles se beneficiavam de múltiplas fontes de informação tanto dentro como fora de seus governos e selecionavam bons conselheiros e chefes de departamento competentes. Eles também não recorriam a artifícios de curto prazo", ele diz em seu livro. "Apesar de freqüentemente reagirem aos desafios de curto prazo, esses presidentes desenvolveram políticas coerentes voltadas a aprimorar o desempenho econômico a longo prazo. Nenhum dos presidentes (fracassados), exceto Carter e Hoover, demonstrava muito interesse por administração e negócios ou economia."

Presumindo que a teoria de Falzenberg esteja em grande parte certa, e dado o que sabemos até o momento sobre o interesse de McCain por economia, que tipo de presidente você acha que McCain seria economicamente?

(Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de "Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo Que Nos Afeta". Para mais a respeito de Freakonomics, visite o site www.freakonomics.com.) George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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