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Freakonomics.com: na guerra dos sexos, militantes ganham mais que pacificadores

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Na guerra dos sexos, militantes ganham mais que pacificadores Chame isso de consagração do estereótipo: de acordo com um novo estudo feito por Timothy Judge e Beth Livingston, psicólogos organizacionais da Universidade da Flórida, os homens que acreditam que o lugar da mulher é em casa, e não trabalhando fora, têm mais chances de ganhar mais do que os homens que acreditam que as mulheres merecem salários iguais pelo mesmo trabalho. Para o estudo, Judge e Livingston examinaram 12.686 americanos para discernir se a compreensão que tinham dos papéis de gênero afetava seus rendimentos ao longo do tempo. Que o chauvinismo favorece o homem nos ambientes de trabalho predominantemente masculinos não é nenhuma surpresa. Mas a magnitude do efeito surpreendeu até mesmo os autores do estudo: os homens sexistas ganharam, em média, US$ 11.930 a mais por ano do que seus colegas que defendem a igualdade durante um período de 25 anos. O efeito funciona de forma reversa para as mulheres: enquanto elas continuam ganhando menos do que os homens de mentalidade igualitária, aquelas que acreditam na igualdade dos gêneros ganharam US$ 1.051 a mais por ano do que as mulheres que tinham visões mais "tradicionais". Em outras palavras, para ambos os sexos, escolher um lado traz recompensas. Podemos pensar em pelo menos dois outros estudos que parecem ilustrar esse efeito. Um estudo conduzido em 2007, pelo grupo de pesquisa Corporate Library, descobriu que as mulheres executivas (que no mundo corporativo dos EUA são superadas pelos homens numa relação de oito para uma) ganham cerca de US$ 15 mil a mais por ano do que os executivos homens. Pode-se presumir que as executivas mulheres acreditam em igualdade de gênero. Considerando o pequeno número de executivas, elas também sabem o que significa ter lutado por isso. No mesmo ano, as mulheres das maiores cidades americanas ganharam bem mais do que os homens da mesma faixa etária, de acordo com um estudo feito por Andrew Beveridge, titular do departamento de sociologia do Queens College na cidade de Nova York. Beveridge descobriu que as mulheres de 20 a 29 anos ganhavam 17% a mais em Nova York e 20% a mais em Dallas. Ele atribuiu essa inversão da diferença de salário ao fato de que há mais mulheres com formação universitária nas cidades do que homens com a mesma formação, e, além disso, suas escolhas de estilo de vida normalmente se opõem aos papéis tradicionais de gênero. Steven D. Levitt and Stephen J. Dubner O preço do desgosto Quando o Congresso americano votou pela primeira vez a proposta de ajuda econômica, ela foi aparentemente rejeitada porque os legisladores temiam que os eleitores em suas cidades de origem a vissem como uma ajuda a Wall Street às custas da Main Street [como os americanos denominam as cidades pequenas]. Será que esse medo é racional? Pode ser que os eleitores simplesmente não entendessem ou não acreditassem que uma falência ampla de Wall Street pudesse rapidamente se espalhar e prejudicar os interesses da Main Street. Ou talvez eles estivessem dispostos a pagar o preço para exibir seu desgosto mesmo que isso prejudicasse seus próprios interesses? Considere o popular experimento acadêmico conhecido como "jogo do ultimato". Conforme descreve a Wikipedia, "o jogo do ultimado é um jogo econômico experimental em que dois jogadores interagem para decidir como dividir uma quantia de dinheiro que lhes é dada. O primeiro propõe como dividir a soma entre os dois, e o segundo pode aceitar ou rejeitar a proposta. Se o segundo jogador rejeitá-la, nenhum dos dois recebe nada. Se ele aceitar, o dinheiro é dividido de acordo com a proposta. O jogo é jogado apenas uma vez, de forma anônima, para que a reciprocidade não seja um problema." Com freqüência, o primeiro jogador oferece uma divisão de 50%-50% Mas o que aconteceria se ele oferecesse ao segundo jogador apenas 30% do total, ou 20%? Normalmente o segundo jogador rejeita a oferta de 20%, o que significa que ambos os jogadores saem de mãos vazias. Muitos economistas não conseguem entender porque eles fazem isso. Para um economista, valeria à pena aceitar até mesmo uma oferta de 1%, por duas razões: é dinheiro gratuito, e para o segundo jogador, no fim das contas, é irrelevante quanto dinheiro que o primeiro leva para casa. Mas a maioria das pessoas não pensa como economistas. Quando oferecem 10, 20 ou até 30% do total, eles ficam desgostosas com a desigualdade - e querem pagar o preço do desgosto rejeitando a oferta. Foi essa reação que vimos na vigorosa antipatia pública em relação à proposta do governo? Talvez, pelo menos em parte - apesar de que também existem muitos argumentos econômicos racionais contra o pacote. O fator desgosto e a distância entre Wall Street e a Main Street parecem ser o foco de atenção dos defensores do pacote. Conforme um artigo publicado no Wall Street Journal em 1º de outubro de 2008: "Entre os que pressionam o Congresso para agir estão algumas das maiores corporações do país, incluindo a Verizon Communications Inc., Microsoft Corp. e General Electric Co. O diretor executivo da GE, Jeffrey Immelt, atua ativamente como lobista para convencer políticos e autoridades financeiras de Washington a concluírem a medida de ajuda financeira, disse um porta-voz da companhia. Para fundamentar sua mensagem, Immelt instruiu sua equipe para compilar evidências do 'efeito dominó negativo' da crise em Wall Street sobre todo o país, incluindo informações sobre o que está acontecendo aos consumidores e empregados em todos os 50 Estados." Stephen J. Dubner Votar pode fazê-lo feliz? Seu voto, por si só, provavelmente não vai trazer mudanças. Mesmo nas eleições mais apertadas, um simples voto quase nunca é crucial, conforme demonstraram muitos estudos. Mas é possível que votar faça com que você fique um pouquinho mais feliz. Essa é a teoria de Julio Rotemberg, economista da Universidade de Harvard, que acredita que maior utilidade do voto seja nos fazer felizes, ajudando a nos conectarmos com as pessoas com as quais concordamos. O argumento do novo estudo de Rotemberg, "Altruísmo Dependente de Atitude, Comparecimento e Votação", é baseado em duas premissas sobre a natureza humana: de que agimos com mais altruísmo para com as pessoas que pensam como nós, e que nosso bem-estar aumenta quando nossas opiniões são compartilhadas com os outros. Isso poderia explicar porque o comparecimento é muito maior nas eleições em que a disputa é mais apertada. Numa eleição assim, os eleitores ficam ansiosos para ter suas opiniões validades ao escolher um vencedor. Da mesma forma, os eleitores comparecem para votar numa eleição muito disputada para validar as opiniões das pessoas que apóiam seu candidato. Em eleições não tão disputadas, os eleitores tendem a saber de antemão se os seus compatriotas compartilham de suas opiniões. Os eleitores que escolhem um candidato sem chance de vencer, podem se sentir impelidos a votar para expressar seu apoio às pessoas com as quais dividem as mesmas visões excêntricas. A teoria de Rotemberg pode também explicar porque algumas figuras públicas - como Oprah Winfrey, por exemplo - exercem tanta influência. Se o apoio de Oprah a Barack Obama nas primárias democratas deu a ele um impulso de 1 milhão de votos, então, de acordo com a teoria de Rotemberg, os fãs de Oprah votaram em parte para mostrar seu apoio aos outros fãs e à própria Oprah. Em troca, se Obama vencer, os mesmos eleitores terão um bem-estar maior ao ver sua escolha validada. Estranhamente, a teoria do eleitor altruísta de Rotemberg nos dá outra explicação do porque muitos economistas não votam: as pesquisas indicam que os economistas tendem a ser menos altruístas do que a maioria das pessoas, e que é mais provável que sejam oportunistas. Talvez os economistas estejam felizes ao ficar em casa no dia da eleição, deixando o restante de nós validarmos ou invalidarmos as opiniões por eles. Steven D. Levitt and Stephen J. Dubner Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são autores de "Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything." Eloise De Vylder

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