Freakonomics.com: lucros de piratas, perdas da indústria dos spams e desafios do Obama

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Espalhando o tesouro dos piratas
Quem está fazendo dinheiro com a pirataria que floresce na costa da Somália? Os próprios piratas parecem estar ganhando bastante. De acordo com uma reportagem do jornal londrino Guardian de 20 de novembro, os piratas haviam conseguido cerca de US$ 30 milhões em pagamentos de recompensas este ano, de acordo com estimativas das Nações Unidas; e eles estão pedindo US$ 15 milhões para devolver sua última captura, o superpetroleiro saudita Sirius Star.

O aumento da pirataria também oferece um bem-vindo fluxo de capital para companhias militares privadas como a Blackwater Worldwide.
Conforme reportagem do site da revista Wired, a Blackwire aluga seus serviços - de uma forma muito parecida com os mercenários de séculos passados - para proteger os navios contra piratas. E de acordo com a Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos, a empresa de segurança Soluções de Segurança para Anti-Pirataria Marítima, com base no Reino Unido, cobra US$ 30 mil pela proteção de um navio contra a pirataria.

Quem também lucra com a pirataria são as cidades da costa da Somália.
Na cidade pesqueira de Eyl - chamada de "capital da pirataria do mundo", de acordo com um artigo do Guardian de 19 de novembro - a economia local está florescendo, graças às centenas de piratas que mantêm 17 navios estrangeiros em sua costa, e que levam seus negócios, principalmente usando dinheiro roubado, para a cidade. As novas lojas da cidade, incluindo hotéis para acomodar piratas, dependem dessa economia do crime.

O Guardian cita um dos vendedores de chá da cidade: "Quando os piratas têm dinheiro, eu posso aumentar meu preço para US$ 3 por xícara tranquilamente". É bom ver que a inflação está viva e saudável em algum lugar do mundo hoje em dia.

Stephen J. Dubner and Steven D. Levitt

Economia do Spam
Desde 12 de novembro, a enxurrada de spams circulando pela Internet diminuiu drasticamente, com 40% ou mais cortados pela raiz. A fonte de todo esse spam? San José, Califórnia. É lá que um grupo de servidores responsáveis pela maior parte do spam do mundo estava operando, até que foram desconectados da rede na semana passada.

Os servidores controlavam algumas das maiores botnets do mundo, ou seja, as legiões de computadores pessoais "seqüestrados" que enchem as caixas de e-mail do mundo todo com anúncios de drogas relacionadas à sexualidade masculina.

Esse corte pode significar um grande golpe para as finanças dos responsáveis pelos spams. Cada dia que os botnets ficam desligados significa que eles perdem mais dinheiro. Mas quanto dinheiro? Ninguém sabe ao certo, mas uma equipe de cientistas da computação da Universidade da Califórnia, Berkeley e da Universidade da Califórnia, San Diego, recentemente fez um experimento engenhoso para relatar os primeiros dados já coletados sobre a economia dos spams.

Depois de assumir parte de uma botnet já existente, a equipe de Berkeley se engajou em sua própria campanha de spam, enviando quase 350 milhões de e-mails em 26 dias. Ao final do teste, os pesquisadores haviam contabilizado excepcionais 28 vendas. Isso significa cerca de uma resposta para cada 12,5 milhões de e-mails enviados, uma taxa de conversão de menos de 0,00001%.

A equipe estimou a renda anual do botnet infiltrado [nos computadores pessoais] em cerca de US$ 3,5 milhões. Em comparação, o spam custa US$
33 bilhões para as companhias americanas em termos de perda de produtividade, de acordo com uma estimativa, e US$ 100 bilhões em todo o mundo.

Isso significa que aparentemente a indústria do spam produz bem menos riqueza do que destruição. Mas esses golpes parasitas irão continuar entre nós enquanto uma em cada 12 milhões de pessoas comprar o produto que invadiu sua caixa de e-mail.

Stephen J. Dubner and Steven D. Levitt


Como o governo de Obama irá atacar o aquecimento global?

De forma bem agressiva, ao que parece.

Isso não é exatamente uma surpresa, já que Obama enfatizou o assunto repetidas vezes durante a campanha. Mas as movimentações de pessoal nos últimos dias sugerem que, a despeito da economia em queda, o novo governo do presidente eleito também está ansioso para atacar assuntos prementes relativos à política energética e ao aquecimento global.

A primeira movimentação foi a retirada de John Dingell da presidência do Comitê de Energia e Comércio da Câmara, e sua substituição por Henry Waxman. Ambos são democratas, mas Dingell, que representa Michigan, é da velha guarda e tem uma reputação de ser amigável com a indústria automobilística de seu Estado, enquanto Waxman é um ambientalista declarado. (Resumindo: Dingell é movido a gasolina, enquanto Waxman funciona com energia eólica). Com essa mudança e a atual rejeição do pedido de ajuda feito pelas Três Grandes da indústria automobilística dos EUA - Ford, General Motors e Chrysler - o paradigma do carro a gasolina parece se encaminhar para uma mudança.

Também é interessante a esperada nomeação do economista Peter R.
Orszag para a direção do Departamento de Administração e Orçamento.
Além de diretor do Departamento de Orçamento do Congresso, Orszag também tem um blog no qual escreveu sobre a mudança climática, e recentemente fez uma apresentação na Faculdade Wellesley sobre o assunto. Eis o seu resumo da ciência básica por trás do fenômeno:

- É praticamente impossível falar nas mudanças climáticas do século 20 sem atribuir uma parte significativa, ainda que indefinida, às emissões de gases de efeito estufa antropogênicos.
- Apenas cerca da metade do processo de aquecimento já aconteceu até agora.
- É provável que haja muito mais aquecimento do que isso, entretanto,
- Reduzir os níveis atuais de emissões significaria, ainda assim, aumentar sua concentração.

Se esse governo colocar a mão na massa em relação aos assuntos de energia e mudanças climáticas - e parece que ele planeja fazer isso - teremos quatro anos bastante interessantes pela frente, para dizer o mínimo. Pelo menos, será bom ouvir alguns argumentos políticos que incorporam vários assuntos econômicos e científicos.

Stephen J. Dubner Eloise De Vylder

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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