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Freakonomics.com: Economistas se infiltram na Casa Branca? E agora?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Na semana passada, o presidente eleito Barack Obama dominou o noticiário -e talvez agradou os mercados, a julgar pelos ganhos do índice Dow Jones- ao passar três dias antes do Feriado de Ação de Graças apresentando um economista atrás do outro para o público americano. Lá estavam Lawrence Summers, Peter Orszag, Christina Romer e Austan Goolsbee -sem esquecer Timothy Geithner e Paul Volcker, que não possuem Ph.D. em economia, mas que também não ficam atrás. A revista "The Economist" apresenta um bom artigo sobre esta inundação de economistas. Ela se concentra no contraste entre o governo de saída e o que está chegando. "As políticas de Obama podem não vir a ser mais bem-sucedidas no combate à crise financeira e a recessão do que as de George Bush. Mas parece seguro dizer que a teoria econômica terá um papel maior na formação das políticas. é um grande contraste em relação ao governo de saída, no qual os economistas não tinham muito peso. Considere o diretor do Escritório de Gestão e Orçamento que, na condição de supervisor dos US$ 3 trilhões em gastos federais, exerce um papel-chave no estabelecimento das prioridades econômicas. Bush teve quatro: um foi executivo de laboratório farmacêutico, um cuidado das relações com o governo para um banco de investimento e dois eram congressistas. Todos os quatro eram formados em Direito. O indicado de Obama, Peter Orszag, o diretor de saída do não partidário Escritório de Orçamento do Congresso, é um economista profissional conhecido por livros como 'Saving Social Security', um tomo de 300 páginas contendo 37 páginas de notas de rodapé e oito apêndices." Eu obviamente sou fã da arte praticada por economistas acadêmicos como Romer, Goolsbee e Summers. Logo, eu naturalmente aprovo essas nomeações. Mas há muitas advertências aqui, assim como muitas incertezas. A Casa Branca está repentinamente tomada de economistas com Ph.D.; qual será o efeito? (Implícito na pergunta está: será que lhes darão ouvido, quem dará e que tipo de influência se espera que eles tenham?) Eu repassei a pergunta para um companheiro chamado Steven Levitt, para o qual já foi, como notei em um artigo para a "The New York Times Magazine" em 2003, "oferecido um emprego na equipe econômica de Clinton e que a campanha de Bush contatou para ser um consultor sobre criminalidade". Eis o que ele tinha a dizer: "Os políticos não dão ouvidos a economistas acadêmicos porque as soluções defendidas pelos economistas raramente são politicamente populares. Apesar de Obama ser um dos presidentes mais intelectuais que temos em muito tempo -o que pode predispô-lo a escutar os economistas- as políticas defendidas pelos economistas tendem a ser voltadas para o livre mercado, o que provavelmente não cairá bem junto ao seu círculo interno." "Dito isso, Larry Summers pode ser a exceção à minha regra de que políticos ignoram os economistas acadêmicos; porque apesar de Summers ser, em seu âmago, um economista acadêmico, ele já se disfarçou de tantas outras coisas (secretário do Tesouro, presidente de universidade) a ponto de talvez ser capaz de infiltrar algumas boas idéias econômicas disfarçadas como outras coisas." Me permita acrescentar alguma coisa a esta sábia resposta: 1. Eu acredito que o argumento de Levitt sobre as soluções politicamente impopulares defendidas pelos economistas é um fator significativo aqui. Mas também acho que a atual recessão assusta tanto as pessoas que será dado a Obama bastante espaço para fazer escolhas que não seriam toleradas em tempos menos turbulentos. Também vale a pena lembrar o que aconteceu há vários meses, durante a campanha presidencial, quando os altos preços da gasolina levaram à idéia de uma "renúncia fiscal para a gasolina". Apesar dos economistas terem desprezado a idéia, os candidatos McCain e Clinton a abraçaram prontamente. Obama, por sua vez, a tratou como realmente era: um artifício populista que não ajudaria ninguém, exceto alguns poucos políticos a curto prazo. Assim, essa combinação de tempos desesperados e um presidente que não se deixa enganar por truques econômicos poderá funcionar bem. Dito isso: 2. Não é garantido que economistas acadêmicos sejam as pessoas ideais, ou mesmo boas pessoas, para ajudar a navegar pela confusão econômica em que estamos. Já foi bastante argumentado que poucos economistas previram a atual confusão. Mesmo de forma mais ampla, eu acho que é seguro dizer que os economistas acadêmicos não são muito bons em fazer previsões macroeconômicas. Esse é um assunto para outro dia, mas basta dizer que o economista de torre de marfim têm um péssimo retrospecto de prever a economia e nem mesmo um bom retrospecto em descrever precisamente os eventos econômicos recentes. Se você pensar que as melhores mentes econômicas do mundo podem, no mínimo, fazer com que os mercados econômicos se curvem à sua vontade para lucrar com eles, apenas lembre-se do que aconteceu ao Long Term Capital Management. Dito isso: 3. Se você olhar para o tipo de pesquisa feita por Romer, Goolsbee e Summers ao longo dos anos, o que você encontrará é um corpo de obra incrivelmente robusto que cobre muitos dos problemas que os Estados Unidos estão enfrentando no momento: ciclos voláteis de negócios e o papel do Federal Reserve (o banco central americano); como a economia do século 21 -e especialmente a Internet- mudou a dinâmica de preços e competitividade; as conseqüências, indesejadas ou não, das mudanças na política tributária; e como o governo deve melhor lidar com uma população em envelhecimento que precisa de bom atendimento de saúde e pensões. E isso é apenas uma amostra. Em outras palavras: essas são pessoas que investigaram a fundo para chegar a conclusões empíricas sobre questões que, sim, geralmente são decididas com base nos méritos políticos. Assim, apesar de não duvidar de que Levitt está certo, eu mantenho uma esperança considerável de que os melhores instintos dos economistas acadêmicos podem ser explorados para fazer uma diferença positiva para a economia americana e mesmo sua estrutura política e social. Isso não quer dizer que não existam muitos instintos ruins -uma certa arrogância que acompanha os argumentos de muitos economistas, uma disposição de discutir para sempre pontos menores e esquecer as metas maiores em jogo, etc.- mas se o eleitorado americano pôde escolher seu primeiro presidente de uma minoria, realmente é esperança demais que um pouquinho da melhor pesquisa econômica possa se infiltrar na Casa Branca? Stephen J. Dubner George El Khouri Andolfato

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