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Freakonomics.com: Relembrando Charles Darwin e uma grande experiência prisional nos EUA

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Feliz de aniversário, Charlie Darwin Como provavelmente você já sabe, o dia 12 de fevereiro foi o 200º aniversário tanto de Abraham Lincoln quanto de Charles Darwin. O aniversário de Lincoln sempre foi muito noticiado, então é especialmente bom ver toda a atenção que está sendo voltada para Darwin; um artigo do dia 11 de fevereiro no "New York Times", de Olivia Judson, foi particularmente bom. Por que Darwin não foi assunto de mais análises durante os anos? Seria menos respeitado do que deveria em certas partes por que sua ciência contradizia a crença religiosa comum da criação divina? Talvez. Vale lembrar que o próprio Darwin acreditava no criacionismo antes de fazer sua famosa viagem de cinco anos no H.M.S. Beagle. Contudo, apesar de continuar a acreditar em Deus, no final foi vencido pelos dados apoiando a teoria da evolução. é provável que a fricção entre evolução e criação continue por mais 200 anos, mas enquanto isso, deixe-me oferecer a seguinte canção escrita pelo meu amigo Jonathan Rosen, autor cujo mais recente livro "The Life of the Skies: Birding at the End of Nature" (a vida nos céus: a observação de pássaros no fim da natureza) acaba de ser relançado. A melodia segue a de "Parabéns para você". Jonathan escreveu a música para que sua filha, Ariella, pudesse cantá-la na escola, se houvesse uma oportunidade. Acho que consegue satisfazer os admiradores de Darwin, independentemente do lado do debate evolução/criação: "Parabéns Charlie você vem do mar você parece um macaco, e nós também. Parabéns Charlie, nós viemos do mar, mas o que é realmente estranho: Também fomos feitos por Deus." Stephen J. Dubner O grande experimento prisional da Califórnia - e uma pista italiana a ser seguida Em 1996, publiquei um artigo acadêmico detalhando meus esforços para medir o impacto das mudanças na população carcerária sobre os índices de criminalidade. Acontece que a questão era mais difícil do que eu tinha imaginado. Não se pode simplesmente olhar para os Estados e comparar o número de presos e a taxa de criminalidade, porque os lugares com o pior índice de criminalidade também tendem a ter mais prisioneiros. E então as correlações simplesmente não são muito úteis para determinar se as prisões são eficazes. Para se testar isso com sucesso, seria preciso um experimento ao acaso, no qual, por várias razões, muitos prisioneiros fossem liberados (ou um grande grupo extra de criminosos fosse preso). Por razões óbvias, a Fundação Nacional de Ciências nunca me daria uma bolsa de pesquisa para isso. Indiretamente, contudo, a União Americana de Liberdades Civis (ou outro grupo preocupado com os direitos dos prisioneiros) faz a segunda melhor coisa: frequentemente, processa o sistema carcerário, argumentando que as prisões estão tão superlotadas que representam uma punição "cruel e extraordinária". A União de Liberdades Civis quase sempre vence esses processos após longos recursos e quase uma década de argumentos na justiça. Como explico em meu artigo, esses processos legais têm amplo impacto na população carcerária nos Estados afetados. Assim que a ação é movida, a decisão preliminar do tribunal não tem muito efeito. Mas quando se chega ao veredicto final, a população carcerária encolhe cerca de 15% em relação ao resto do país nos três anos seguintes. No dia 9 de fevereiro, um grupo de defesa dos direitos de prisioneiros com argumentos similares aos da União venceu uma decisão preliminar contra o sistema de prisão da Califórnia. Consistente com meus resultados anteriores, o processo parece já ter tido algum impacto na população carcerária da Califórnia. Por exemplo, em 2007, a população carcerária da Califórnia encolheu cerca de 1%, enquanto a população carcerária global americana cresceu cerca de 2%. Vai levar alguns anos até a decisão final da Corte ser tomada, mas o resultado provável é que, em cinco ou seis anos, haverá 25.000 presos a menos nas prisões da Califórnia do que haveria de outra forma. O que isso significa para o crime? Se minhas estimativas estiverem corretas, o crime violento será cerca de 6% mais alto na Califórnia do que teria sido sem a ação, o que significa aproximadamente 150 homicídios, 500 estupros e 4.500 roubos a mais por ano. Esses números parecem alarmantes, mas, de acordo com minhas estimativas, liberar os prisioneiros é mais ou menos igual, de uma perspectiva de custo-benefício para a sociedade. O dinheiro que economizamos soltando os prisioneiros funciona na mesma ordem de magnitude que a dor e o sofrimento associados com o crime extra. Eu tenho de fato uma recomendação muito específica para o Estado da Califórnia. Se as autoridades fiscalizarem uma ampla liberação de prisioneiros, isso deve ser feito com condições. Ou seja, se um prisioneiro for condenado por um crime no futuro, sua sentença deve combinar o tempo normal e o tempo que teria servido na condenação anterior à sua liberação. Essa regra reforçaria os incentivos para que ex-condenados permanecessem na linha. A Itália criou tal política quando fez uma liberação em massa em 2006 e parece ter obtido uma taxa mais baixa de reincidência. Steven D. Levitt Tradução: Deborah Weinberg

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