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05/03/2009 - 03h07

Freakonomics.com: o olheiro dos feios responde a perguntas dos leitores

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Pedimos aos leitores para enviarem perguntas para Simon Rogers, dono da UglyNY, uma agência singular de modelos e talentos focada em pessoas não tão bonitas. Desde sua fundação em 2007, como afiliada da agência londrina chamada Ugly Models, a agência preencheu um nicho na propaganda e ganhou muita publicidade por sua atuação; recentemente, ela apareceu em programas de televisão em canais como Telemundo e Sunrise Australia até a Korean Global TV, e saiu em publicações como o "The New York Times" e a revista "Newsweek".

Nas respostas abaixo, Rogers discute porque George Clooney provavelmente ganha mais do que William H. Macy e porque descobrir talentos entre os feios é mais difícil do que parece, entre outros tópicos.

Pergunta: Você sai por aí para encontrar as "pessoas feias" por conta própria, ou elas vêm até você?

Resposta:
Quando a agência abriu, nós fazíamos "testes abertos" e divulgávamos para possíveis talentos, mas com o passar do tempo passamos a receber centenas de inscrições por semana de pessoas que queriam ser incluídas em nossa lista, então a necessidade de divulgar os testes diminuiu. Entretanto, eu (e outras pessoas da agência) normalmente paramos pessoas nas ruas se achamos que elas têm "algo especial".

Além disso, algumas vezes recebemos ligações de pessoas que não temos, ou não temos suficiente - "Se precisamos de 12 casais coreanos de idade que saibam dançar bem", por exemplo - nesse caso, saímos para procurar. Então, respondendo à sua pergunta, ambas as coisas acontecem.

Pergunta: Não quero parecer rude, mas por que essas empresas usam seus serviços? Se elas estão procurando pessoas "reais", não poderiam simplesmente ir lá fora ou para algum lugar onde o grupo desejado se encontra (assumindo que tenham acesso fácil aos lugares), e cortar o intermediário simplesmente oferecendo o trabalho para as pessoas com a aparência que elas querem?

Resposta:
Há muitas razões: primeiro, é bem mais simples e rápido encontrar um especialista para fazer o trabalho por você (e, portanto, é muitas vezes mais barato a longo prazo); é a mesma razão pela qual você não faz suas próprias roupas. Em segundo lugar, encontrar essas pessoas "reais" não é tão fácil quanto você imagina. Por fim, as pessoas que encontramos também precisam se enquadrar em outros critérios: devem ser capazes de atuar e agir com responsabilidade, ficarem bem na frente da câmera, devem ser pessoas boas, capazes de se submeter ao que outros queiram que elas façam durante a duração do trabalho, devem chegar na hora, depilar as pernas, não agir como loucas, saber quando se calar, etc, etc. Se tudo isso parece fácil, lembre-se de como sua família se comportou no último Natal.

Pergunta: Se eu precisasse de um modelo muito especial para uma gravação, imagino que eu teria de pagar o que ele pedisse; se é assim, por que as "pessoas reais" ganham bem menos do que os modelos comuns?

Resposta:
Não necessariamente essas pessoas ganham menos; alguns de nossos modelos fizeram trabalhos muito bem pagos. Entretanto, é uma questão de oferta e procura. Pode valer à pena pagar US$ 4 mil porque o modelo tem uma aparência específica, mas por US$ 5 mil eles podem tentar encontrar outra pessoa (como a maioria das pessoas, principalmente hoje, os clientes tem um orçamento para cada projeto em particular).

Por outro lado, podemos conseguir um pagamento melhor para o modelo porque ninguém mais se encaixa no orçamento como nós. Isso depende do trabalho em particular. Tendo dito isso, o valor diário (e merecido) de Christy Turlington é enorme, por causa de quem ela se tornou, da sua aparência e do fato que ela é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. George Clooney ganham mais do que William H. Macy pela mesma razão.

Pergunta: Quem teve a ideia do nome "Ugly" ["feio" em inglês], e teve outra razão pela qual ele "colou" além do choque que causa?

Resposta:
O nome é usado pela nossa agência irmã e Londres há 40 anos. Feio é uma palavra dúbia, e significa muitas coisas diferentes para pessoas diferentes.

Para nós, essa ironia é a chave, e a capacidade que a palavra tem de fazer com que as pessoas parem e reavaliem sua percepção de beleza e atração - ou não - faz parte da nossa existência enquanto negócio. Tendo dito isso, não sejamos inocentes aqui; é claro que a palavra também tem a capacidade de chocar.

Pergunta: Sabemos que a "beleza" das modelos é com frequência falsa:
maquiagem, bronzeamento artificial, melhorias digitais e cirurgia plástica. A "feiúra" dos modelos também é falseada, tratada física ou tecnologicamente para aumentar a feiúra?

Resposta:
Não, desde que abrimos isso nunca aconteceu. Nossos talentos são contratados porque eles são como são! Não há necessidade de aumentar nada.

Pergunta: Você já recebeu alguma resposta negativa dos "atores personagens" - ou seja, dos atores chamados para fazer vilões, trapaceiros e outros papéis "feios"? Parece que você pode estar avançando um pouco no território deles.

Resposta:
Nenhuma reclamação. Zero.

Pergunta: Para as top models, a melhor das melhores consegue os outdoors, campanhas de marcas como Gucci e saem na capa das revistas Elle e Vogue. Que tipos de trabalhos os melhores "modelos feios" conseguem?

Resposta:
Praticamente as mesmas coisas. Tivemos modelos chamados para todas essas coisas, exceto para as capas de revistas de alta-moda como a Vogue. Mas isso me incomoda. Preciso ligar para Anna Wintour agora mesmo!

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de "Freakonomics:
O Lado Oculto e Inesperado de Tudo o Que Nos Afeta". Para mais textos da coluna Freakonomics, visite o site: www.freakonomics.com.


Tradução: Eloise De Vylder

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