Freakonomics entevista Penn Jillette

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Na semana passada, nós solicitamos no Freakonomics.com perguntas para Penn Jillette, o prolífico entertainer que representa metade da dupla de ilusionistas Penn & Teller.

As perguntam cobriram assuntos que incluem mágica, política e a misteriosa unha pintada de vermelho de Jillette. Obrigado a todos os leitores que enviaram perguntas - e a Jillette pelas suas respostas.

P: Qual foi a coisa mais memorável a respeito da qual você esteve terrivelmente errado?

R: Oh, nossa, há tantas. Certa vez eu tentei escrever todas as coisas sobre as quais estive errado. Eu tentei contar tudo - as coisas que vi errado, ouvi errado, os palpites errados que dei. Não durou muito; não sobrava mais tempo para fazer qualquer coisas exceto escrever o que errei.

Mas, para responder no espírito do que foi perguntado, vou escolher algumas e dizer que costumava ser um hippie liberal e estive errado a respeito de tudo aquilo, e por algum tempo acreditei na onda da "sedução subliminar". Eu também gosto muito de música de vanguarda e acho que posso estar errado a respeito do conteúdo que acho que ela tem. Ah, e houve aquela "mulher" que conheci na estrada em Chicago - aquilo foi uma surpresa. Não totalmente desagradável, mas ainda assim uma surpresa.

P: Como cético, que técnicas você considera as mais eficazes para influenciar as pessoas? A lógica dura e fria nem sempre parece funcionar.

R: Em teoria, eu não acredito em influenciar, mas apenas em todos dizendo a verdade como a veem. Minha meta não é influenciar, minha meta é ser influenciado.

P: Seu interesse em mágica, cujas ilusões parecem fantásticas mas são baseadas na realidade, afeta sua visão de mundo ou vice-versa, ou nada disso?

R: Minha visão de mundo existia antes do meu interesse por mágica. A mágica foi uma forma de falar e pensar a respeito, mas apenas porque conheci Teller. Ele é um fã de mágica.

P: Se você pudesse ser presidente por uma semana e apresentar uma legislação, qual seria?

R: Qualquer coisa que desse menos poder ao presidente - muito menos poder. De volta ao poder de George Washington. E então eu abdicaria.

P: Você sente que os recentes "cavaleiros do ateísmo" (Dawkins, Hitchens, Harris e Dennett) estão fazendo um bom trabalho na promoção do não-teísmo? Você acha que daqui 50 anos o ateísmo americano poderia chegar aos atuais níveis europeus?

R: Eu leio todos eles e os adoro, mas não vejo isso como "promoção", eu vejo como dizer a verdade como eles a veem. Sim, a religião vai desaparecer. Aquela coisa maluca e assustadora que vemos está à beira da morte. A religião está correndo apavorada, mas vai ferir muita gente enquanto desaparece. Eu espero que nos tornemos ateístas sem virarmos socialistas.

P: Qual é a coisa no cidadão comum que mais confunde você? Para mim, é quão poucas pessoas poupam para a aposentadoria (bem, na verdade, poupam para qualquer coisa). Eu adoraria saber o que você vê.

R: O que mais me confunde é a separação da pessoa comum da ideia da pessoa comum. A maioria de nós não é uma pessoa comum? Por que nós falamos de "todos" como se fossem outras pessoas?

P: Você interage frequentemente com a plateia e o faz há muito tempo. Você nota tendências na "psicologia da plateia" (por falta de um termo melhor) associadas a eventos políticos e/ou culturais? Por exemplo, as audiências estavam mais céticas do que o habitual quando ocorreu a guerra no Iraque? Que impacto teve a crise atual?

R: Eu não vejo nenhuma mudança. Mas não se esqueça, nós estamos lidando com plateias que estão explorando a ideia do que engana as pessoas, de forma que é uma plateia bastante seleta. Nós nunca vimos nem mesmo mudanças regionais. Quando você decide assistir Penn & Teller, você já pensou muito a respeito para estar pronto para nosso show.

P: Eu sempre rio quando você classifica as profissões de entretenimento por seu valor percebido pelo mundo. Por exemplo, os mágicos são melhores que malabaristas, os malabaristas são melhores do que palhaços etc. Onde um economista se enquadraria dentro deste ranking do show bussiness?

R: Eu os colocaria bem alto. Parece que estão realmente tentando pensar nas coisas.

P: Sério, a unha vermelha - eu aceitei a desculpa da distração para prestidigitação até notar que Carson Daly ocasionalmente faz o mesmo. Qual é o lance?

R: Eu não sabia sobre Carson Daly. A resposta sem piada (eu já respondi o suficiente com piada) é que faço isso pela minha mãe. Quando ela me disse que se fosse fazer malabarismo e mágica eu deveria manter minhas mãos bem cuidadas, eu passei esmalte na unha para brincar com ela e fazê-la rir. Eu mantive. Eu não preciso de um lembrete de quanto amo minha mãe, mas ainda mantenho este. O esmalte na mão esquerda para minha mãe, o anel do meu pai no dedinho direito e meu colar para minha irmã.

R: Preencha a seguinte lacuna: _____% da vida é trabalho duro, _____% é persistência, _____% é estilo e o restante é_____

R: 0, 0, 0, vida.

P: Qual é o número total de direções erradas e prestidigitações no truque de pegar a bala mágica?

R: Isso é impossível de responder; depende de como você encara. Colocar dois buracos de bala no vidro é um ato de prestidigitação ou são cinco? O barulho do disparo da arma é uma direção errada ou parte do efeito? É difícil. Eu diria, para tentar responder no espírito do que foi perguntado, que provavelmente são cinco atos de prestidigitação que analisamos para aprender, e as direções erradas não se prestam a números específicos.

P: Como você e Teller resolvem a tensão criada pelos incentivos contraditórios? Ao bifurcarem seus papéis, vocês aumentam o apelo de seu show conjunto de Penn & Teller, o que beneficia ambos. Mas a bifurcação aumenta as oportunidades externas para você em uma taxa diferente comparada às oportunidades externas disponíveis para o Teller?

R: Se você ver o show business como sendo apenas shows, eu acho que é verdade. Mas Teller realiza muitas coisas de show business nos bastidores. Ele escreve muito a respeito e dá aulas para mágicos, e recentemente dirigiu uma versão incrível e bem recebida de "Macbeth". Ele fará mais Shakespeare no futuro. Eu preciso fracassar em "Dancing With The Stars". Você preferiria ser lembrado por qual?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de "Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo o Que Nos Afeta". Para mais Freakonomics, visite o site www.freakonomics.com.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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