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26/05/2009

Freakonomics.com: fechar o aeroporto é solução para o tráfego aéreo de Nova York

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Quer resolver o excesso de tráfego aéreo de Nova York? Que tal fechar o LaGuardia?

Diante da desaceleração industrial e de ameaças legais, o Departamento de Transportes dos EUA cancelou um plano de leiloar horários de pouso e decolagem nos três aeroportos da Cidade de Nova York como meio de diminuir o excesso de trânsito que aflige o espaço aéreo da cidade.

  • Angel Franco/The New York Times

    Atrasos, como os que ocorrem no LaGuardia, afetam o tráfego aéreo em torno do mundo inteiro

"Ainda estamos céticos em relação a reduzir o trânsito na aviação na região de Nova York. Durante o verão, vou conversar com as companhias aéreas, aeroportos e consumidores, além das autoridades eleitas sobre as melhores formas de avançar", diz Ray Lahood, recentemente nomeado secretário de transportes.

Os três principais aeroportos que servem Nova York -Newark-Liberty, JFK e LaGuardia- são infames pela superlotação e atrasos, em segundo, terceiro e quarto lugar em uma lista da revista Forbes de 2008 dos aeroportos que mais fazem perder tempo nos EUA. Como muitos voos internacionais e domésticos fazem conexões em Nova York, os atrasos nesses centros afetam o tráfego aéreo em torno do mundo.

Durante recente espera em terra no LaGuardia, comecei a conversar com um piloto de uma importante linha aérea que parecia saber muito sobre todas as perguntas que eu consegui lembrar em relação à aviação. Sua opinião sobre o intenso tráfego aéreo em Nova York: fechar o LaGuardia.

O problema, explicou, é que o espaço aéreo para cada um dos três aeroportos se estende cilindricamente para o céu acima de sua posição em terra. Por causa de sua proximidade, os três cilindros no espaço aéreo afetam o outro significativamente. A situação cria trânsito por causa do volume e porque os pilotos têm que costurar em rotas de aproximação complexas para cumprir os regulamentos do tráfego aéreo.

Se o cilindro do LaGuardia fosse eliminado, Newark e JFK poderiam operar mais livremente -e, como o LaGuardia lida com menos tráfego do que os outros dois aeroportos, é a escolha óbvia para fechamento. Se fosse fechado, insistiu meu novo amigo piloto, a viagem em Nova York ia passar de pesadelo para sonho.

Há um problema, contudo: o LaGuardia é o aeroporto favorito das pessoas com mais poder político em Nova York, já que fica a uma distância muito curta de Manhattan. Então não deve acontecer, ao menos não em breve. Eu tenho que admitir que o LaGuardia é meu aeroporto favorito por esta razão, já que eu moro em Manhattan e em geral posso chegar lá em cerca de 15 minutos. Em todas as outras categorias, contudo, é menos confortável e agradável do que Newark e JFK.

Isso dito, se a eliminação do LaGuardia tivesse o efeito cascata de agilizar o tráfego aéreo total de Nova York, eu pessoalmente ajudaria a derrubá-lo. Então poderíamos somar todo o tempo em produtividade reconquistado em torno do país -e do mundo- eliminando os inevitáveis atrasos nos aeroportos de Nova York.

Quando ruminei sobre esse assunto no Freakonomics.com, as respostas ao meu texto encheram nossa caixa postal. Elas foram diversas, com leitores chamando a ideia de eliminar o LaGuardia de tudo desde "idiota" até "óbvia".

Patrick Smith, autor do livro "Ask the Pilot" (pergunte ao piloto) e de uma coluna de viagem aérea do mesmo nome no site salon.com, escreveu uma análise útil: "A causa do excesso de trânsito aéreo não é a falta de pistas ou os aeroportos que não funcionam. São as práticas de horários das companhias aéreas: há mais pessoas voando do que em todos os tempos, mas os aviões são cada vez menores, provocando mais pousos e decolagens. Se as empresas conseguissem consolidar melhor e reduzir sua insana dependência em aviões regionais, o LaGuardia funcionaria melhor -assim como o JFK. Mas as empresas não estão interessadas em consolidar voos. Elas vendem frequência, ou a ilusão da frequência".

Em notícia relacionada, um estudo da Universidade de Michigan divulgado na semana passada revelou que a satisfação dos passageiros subiu pela primeira vez em um longo tempo. A causa primária, nada surpreendentemente, parece ter sido que, com a queda dos negócios, os aviões estão menos cheios. A menor lotação elimina as fontes da insatisfação dos passageiros: overbooking, atrasos, desconforto a bordo etc.

Smiths fala que a consolidação, de fato, resolveria de muitas dessas reclamações comuns, já que é a superlotação -tanto a bordo quanto nas pistas- nos voos regionais e nos jatos menores que deixa as pessoas loucas.

Um leitor chamado Phillip Rodriguez sugere uma solução interessante para o espaço aéreo congestionado de Nova York, inspirada no Japão: "No longo prazo: acho que temos que pensar com criatividade. Neste ponto, os humanos estão dominando o planeta e se espalhando em um índice alarmante. Talvez seja de fato melhor remover todos os três aeroportos em favor de um aeroporto central. Onde colocaríamos tal aeroporto? Provavelmente, a melhor solução seria aprender com os japoneses e construir no meio da água, como o Kansai. Assim haveria muito espaço para expansão e nenhum vizinho para reclamar do barulho. Talvez até pudéssemos usar o conhecimento de projetos anteriores. Seattle tem pontes flutuantes: são essencialmente embarcações de concreto que flutuam: talvez pudéssemos conectar várias e ancorá-las? Como eu disse, não é uma solução definitiva, apenas uma ideia. Independentemente do que precisamos fazer, precisamos fazer logo".

Certamente podemos concordar com este último sentimento.

Tradução: Deborah Weinberg

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