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09/06/2009

Freakonomics.com: comportamento exemplar

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
O brado anti-macroeconomia fica mais alto
Steven D. Levitt

Na semana passada, o editor de economia Larry Elliott argumentou no jornal "The Guardian" que, embora os macroeconomistas do ano passado tenham sido superastros, a safra atual desses técnicos perdeu de vista o foco desta área, que é descrever a macroeconomia, e não construir modelos matemáticos complicados dela.

Os macroeconomistas de hoje argumentariam que esses modelos constituem-se na melhor maneira de abordar um quadro de ampla dimensão. Essa alegação pode até mostrar-se correta no longo prazo, mas não posso afirmar que este seja o resultado mais provável.

O problema fundamental é que, sob uma perspectiva acadêmica moderna, os atuais esquemas de incentivos para economistas não são capazes de mensurar facilmente (e não recompensam) aqueles tipos de habilidades que acompanham o conhecimento deles de macroeconomia. Em microeconomia, a abundância de dados disponíveis garante que as pessoas que sejam boas em medir e descrever coisas tenham sucesso. Mas os macroeconomistas, que não trabalham com muitos dados, muitas vezes descobrem que a maior parte das recompensas nesta área é destinada à matemática e não à prática.

A melhor maneira de atrair a atenção das pessoas através de um moderno trabalho acadêmico sobre macroeconomia é resolver um problema matemático extremamente difícil, mesmo que a solução não seja relevante para a área. Esse sinal das "habilidades notáveis" do autor é suficiente para garantir a ele ou ela um emprego, e possivelmente o cargo estável de professor em uma universidade de ponta.

Seria possível achar que a previsão macroeconômica fosse parte importante daquilo que os economistas acadêmicos fazem, mas na prática quase nada do gênero existe fora de instituições como o U.S. Federal Reserve ou os bancos privados. E poder-se-ia ainda pensar que os modelos que explicam com maior sucesso os padrões econômicos chegariam ao topo do sistema, mas, no atual clima, caso não forem meticulosamente construídos sobre bases matemáticas, eles não chegam lá.

O oposto de repugnância
Stephen J. Dubner

Alvin Roth, professor de economia e administração empresarial da Escola de Administração de Empresas da Universidade Harvard, é um pensador econômico realmente interessante que se concentra no design de mercado. Roth criou sistemas que ajudam novos médicos a encontrarem um programa de residência apropriado; que auxilia os estudantes a acharem uma escola de segundo grau recomendável e que ajuda pessoa que estão morrendo devido a insuficiência renal a descobrirem novos rins.

Nenhum desses resultados teria sido possível sem um interesse aguçado pela teoria dos jogos. As soluções de Roth baseiam-se no mercado, mas também valorizam bastante a intenção estratégica, a psicologia e até mesmo o humor.

Nós mencionamos o trabalho de Roth em uma coluna que redigimos para a revista "The New York Times Magazine" em julho de 2006 a respeito da possibilidade da criação de um mercado de órgãos humanos. Um grande obstáculo para a criação de tal mercado é aquilo que Roth chama de o "fator repugnância". Por diversos motivos, a ideia de comprar e vender órgãos humanos é tida como repugnante pelas pessoas - pelo menos nesta época e nos Estados Unidos (mas não em todos os países).

O interessante é que a repugnância modifica-se com o passar do tempo. O meu exemplo favorito desta mudança diz respeito ao seguro de vida. Até meados do século 19, a ideia era universalmente considerada repugnante - afinal, ela significava uma aposta na morte precoce de um ente querido. Conforme disse a socióloga Viviana Zelizer, as pessoas acreditavam que o seguro de vida "transformava o evento sagrado que é a morte em uma mercadoria vulgar".

No seu blog, Market Design, Roth escreve a respeito de algo que talvez seja ainda mais interessante: o oposto da repugnância. Ou, conforme ele descreve, "transações que, como sociedade, nós muitas vezes procuramos promover, por razões que não dizem respeito à eficiência ou à pura adequação política".

Eis aqui alguns exemplos que ele mencionou:
casamento monogâmico entre um homem e uma mulher
Propriedade de residências nos Estados Unidos
Produção de alimentos por pequenos fazendeiros
O direito de adquirir armas
Pesca por barcos pequenos

Os leitores dele apresentaram algumas outras ideias:
doações de caridade
Educação
Contratar para empregos indivíduos portadores de deficiências, ex-combatentes, ex-presidiários e outros membros dos "grupos historicamente subrepresentados"

Fiquei surpreso pelo fato de ninguém ter sugerido "serviço de saúde universal".

Tradução: UOL

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