Freakonomics.com: Biz Stone, cofundador do Twitter, responde perguntas de leitores sobre a nova febre na internet

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Recentemente, nós solicitamos perguntas em Freakonomics.com para o cofundador do Twitter, Biz Stone. O site de rede social, que Stone, Evan Williams e Jack Dorsey co-fundaram em 2006, permite que os usuários postem online mensagens com 140 caracteres - chamadas "tweets". Ele se tornou um meio popular entre celebridades e políticos, assim como entre o público em geral.

Nas últimas semanas, o Twitter tem atraído muita atenção por seu papel nas contestadas eleições iranianas: os iranianos usaram o site para transmitir atualizações em tempo real sobre os protestos, pontos de encontro e estouros de violência. Como Mike Musgrove, do "The Washington Post" relatou em 17 de junho, o Departamento de Estado americano pediu ao Twitter para adiar sua manutenção agendada, para permitir que os civis iranianos continuassem postando sem interrupção a respeito dos tumultuosos eventos pós-eleição.



Entretanto, muitas perguntas dos leitores se mostraram abertamente céticas a respeito do valor do Twitter. Seria isto um indiciamento do Twitter ou apenas uma decisão coletiva de manter um senso de perspectiva a respeito da mais recente ferramenta de rede social a se somar à pilha?

Obrigado a Stone por participar e a todos que apresentaram as perguntas abaixo.

Pergunta: Por que 140 caracteres? O que há de tão especial em 140?

Resposta:
Nós seguimos o exemplo do limite do Short Message Service (serviço de mensagem curta, SMS), que é de 160, mas queríamos deixar espaço para o autor da mensagem, então padronizamos em 140. Adicionalmente, nós queríamos que todas as mensagens do Twitter aparecessem na íntegra independente do dispositivo -nós queríamos ser agnósticos quanto ao dispositivo.

Pergunta: De modo geral, quando você vê o Twitter se transformando em uma empresa lucrativa? Eu presumo que no momento não seja.

Resposta:
Nós começaremos a experimentar com a geração de receita neste ano, apesar de não estarmos esperando um sucesso extraordinário imediato. Nossa meta a longo prazo é construir uma empresa lucrativa de valor duradouro, de forma que gerar receita se tornará cada vez mais importante à medida que amadurecermos.

Pergunta: Alguma vez você já olhou para uma página de tweets e pensou: "Quem se importa?"

Resposta:
Se encontrei meu caminho até uma página de tweets, então havia alguma intenção ao fazê-lo. Ao buscar aquela informação, e já sinalizei que me importo. Dito isso, se eu decidir que os tweets de uma fonte em particular não são mais relevantes para mim, eu deixarei de segui-la.

Pergunta: Quais as coisas mais interessantes que você aprendeu ao ler os tweets de vários estranhos?

Resposta:
Na maior parte do tempo, eu tomo conhecimento das notícias por meio dos tweets de estranhos, porque eu clico atrás das tendências. A notícia sobre os ataques em Mumbai, a queda do avião no Rio Hudson e, mais recentemente, a morte do (ator) David Carradine - eu tomei conhecimento por meio do tweet de estranhos.

Pergunta: Como obter progresso consistente ao iniciar um novo site de rede social? Como convencer as pessoas a aderirem ao Twitter quando há apenas poucas centenas ou poucos milhares de usuários?

Resposta:
Nós nunca convencemos as pessoas a usarem o Twitter -nós simplesmente fornecemos uma ferramenta que não sabiam que precisavam até prová-la. Quando o Twitter começou a despontar como um sistema útil, mais e mais pessoas aderiram, o que por sua vez o tornou mais valioso.

Pergunta: O Twitter parece dominado por empresas, políticos e pessoas em busca de contatos, em vez de usuários em busca de formas de se comunicar com amigos. Há o temor de que o Twitter se torne dominado por empresas (e/ou políticos) em busca de propaganda gratuita, podendo tornar o Twitter não atraente para o consumidor médio?

Resposta:
As pessoas usam o Twitter para seguir fontes de informação que consideram atraentes. Nós facilitaremos a descoberta dessas fontes que são relevantes e significativas. Enquanto as pessoas puderem compartilhar, descobrir e se comunicar o que é importante para elas, o Twitter permanecerá atraente.

Pergunta: Como vocês examinam as mudanças na interface do usuário? Vocês buscam deixar a maioria feliz correndo o risco de ofender alguns poucos? Vocês checam um grupo seleto de altos usuários? Grupos focais?

Resposta:
Nós observamos os padrões de uso e damos atenção diariamente aos e-mails, blogs e tweets em busca de retorno. Muitas das funções que lançamos foram criadas por usuários, incluindo o @respostas, e há muito mais a caminho. Recentemente, nós demos início ao teste de novas ideias antes do lançamento, para obter a reação imediata e o retorno. Nós também testamos internamente, já que todos que trabalham no Twitter também são usuários ativos.

Pergunta: Segundo um estudo realizado pela Escola de Administração e Negócios de Harvard, "entre os usuários do Twitter, o número médio de tweets por usuário em toda a vida é "um" e "os 10% de usuários mais prolíficos do Twitter são responsáveis por mais de 90% dos tweets". Estes números preocupam vocês? É incômodo o fato da maioria dos usuários não enviar mais que uma mensagem via Twitter?

Resposta:
Esse estudo não é necessariamente preciso ou crível, de forma que não posso comentar a respeito dele especificamente. Mas posso dizer que o Twitter está na sua infância e há muito trabalho a ser feito do ponto de vista de produto. Nós achamos que há muito a ser feito para melhorar o Twitter.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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