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18/08/2009

Freakonomics.com: Um afro-americano pode ter ancestrais europeus? Anne Wojcicki, empresária da área de genética, responde às dúvidas

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Recentemente, nós solicitamos no Freakonomics.com perguntas a Anne Wojcicki, co-fundadora da 23andMe, uma companhia de exames genéticos que fornece análises detalhadas das características genéticas pessoais dos seus clientes. Os clientes podem usar esses resultados de várias maneiras: para identificar a probabilidade de desenvolverem certas doenças; descobrir informações sobre ancestrais distantes; e até mesmo discutir as descobertas com outros usuários no site da 23andMe. Obrigado a todos os que participaram.

Como os clientes reagem ao descobrir que têm ancestrais de uma raça completamente diferente ou inesperada?
Anne Wojcicki
Poucas pessoas descobrem surpresas sobre os seus ancestrais. Um cliente que tinha bastante conhecimento sobre a sua ancestralidade europeia paterna descobriu que a sua linha materna vinha de uma índia norte-americana. Embora ele tivesse ficado entusiasmado com a nova informação, a sua mãe de 93 anos teve uma reação bem menos positiva e continua manifestando ceticismo! Alguns negros descobriram que a sua linha paterna vem da Europa. Embora muitos afro-americanos possam saber que possuem alguma descendência europeia (a média é cerca de 20%), alguns descobrem que quase 50% da sua ancestralidade é proveniente da Europa, e às vezes é um pouco difícil acostumar-se com esta novidade.

Qual é a responsabilidade da comunidade genética ao discutir as diferenças inatas entre as raças, especialmente quando grande parte da comunidade acadêmica está convencida de que não existem tais diferenças?
Anne Wojcicki
Grande parte da dificuldade ao se falar sobre raça diz respeito a uma falta de acordo quanto ao significado de "raça". No passado, a ideia de raças puras também incluía um ordenamento de certas raças como intrinsecamente superiores a outras. Nós rejeitamos totalmente esta ideia. No entanto, isto não significa que não há diferenças genéticas entre populações de diferentes origens ancestrais. Alguns dos nossos recursos utilizam dados amplos de genomas de populações de referência de todo o mundo para determinar a origem de pedaços do genoma do indivíduo. Essas populações de referência não são "raças". Elas representam amostras de povos que viveram em um único local durante longos períodos, e que, desta forma, acumularam diferentes conjuntos de variações no decorrer do tempo.

Você acredita que as companhias de seguro devem usar a 23andMe para ajudar os seus clientes a buscar medidas preventivas?
Anne Wojcicki
A sua pergunta não é uma das que recebemos frequentemente. No entanto, pensamos muito sobre ela. Existem barreiras significativas que impedem que isso aconteça, incluindo uma ausência geral de confiança nos motivos das companhias de seguro e o atual uso relativamente limitado das informações genéticas no sistema de saúde.
Mesmo assim, eu acho que é possível um futuro no qual as companhias de seguro utilizem as informações genéticas de maneira positiva, a fim de fornecerem um melhor serviço de saúde de forma personalizada e a um custo per capita menor. Além disso, sob um sistema de contribuinte único - no qual incentivos financeiros estimulem os cuidados preventivos e as seguradoras não lucrem com a exclusão de indivíduos de risco -, a informação genética poderia ser utilizada não só para avaliar as pessoas de alto risco para determinar a possibilidade de que desenvolvam doenças, mas para estimular os indivíduos a participarem de forma ativa do seu próprio serviço de saúde.
À medida que o impacto da informação genética nas decisões na área de saúde for mais bem entendido pelos cientistas e médicos, e à medida que a reforma do sistema de saúde com uma ênfase na prevenção e na posse individual da saúde seja implementada, esta possibilidade terá uma chance maior de tornar-se realidade.

O que você acha das implicações morais de testar o DNA de crianças, a pedido dos pais, especialmente para determinar a possibilidade do surgimento de doenças na idade adulta? E se, quando crescerem, esses indivíduos preferirem não conhecer tal informação?
Anne Wojcicki
Em geral, nós procuramos fornecer a todos os clientes, incluindo os pais, a maior quantidade possível de informação sobre potenciais consequências inesperadas e, ao mesmo tempo, tentamos fazer com que eles assumam total responsabilidade pelo bem-estar dos seus filhos. De forma geral, as nossas diretrizes têm encorajado a discussão dessas questões com filhos "competentes" que são capazes de fornecer algum tipo de consentimento (embora um consentimento sem valor legal). Mas também reconhecemos que é difícil descrever critérios para "competência". Optamos por fornecer aos pais a informação e deixá-los decidir quando, se e como ter uma conversa com os filhos.

Os médicos não parecem desejar relacionamento algum com a 23andMe e os seus resultados genéticos. Como você se sente em relação a isso?
Anne Wojcicki
Embora muitos médicos apoiem a 23andMe, a aplicação individual no que diz respeito à informação de saúde tem sido um processo muito longo em setores da comunidade médica. Nós acreditamos que o fornecimento de informações genéticas ao indivíduo fará com que as pessoas participem mais ativamente das questões relativas à sua saúde e gerará vidas mais saudáveis. No fim das contas, nós esperamos que todos os profissionais da área médica adotem o acesso individual à informação genética integral, e nós gostaríamos de fazer parte dessa evolução.

Quando você acha que será normal que todo indivíduo conheça a sua composição genética em um nível equivalente ao que é oferecido atualmente pela 23andMe?
Anne Wojcicki
Creio que dentro de cinco a dez anos. Como resultado, a saúde dos indivíduos deverá melhorar devido à melhor prevenção, bem como por causa de tratamentos mais bem direcionados à pessoas específicas. E talvez o mais importante seja o fato de que a pesquisa com esta comunidade maior de participantes nos permitirá entender melhor a estrutura molecular dos nossos corpos.

Tradução: UOL

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