Freakonomics.com: Quão impressionante é Usain Bolt? Bem, ele não é nenhum Takeru Kobayashi

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Na semana passada, no Mundial de Atletismo em Berlim, o corredor jamaicano Usain Bolt correu os 100 metros em 9,58 segundos, destruindo o recorde mundial existente - que ele mesmo estabeleceu no ano passado, nos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim.

  • Adrian Dennis/AFP

    O jamaicano Usain Bolt conseguiu o incrível feito de correr 100 metros em 9,58 segundos. Mas, entre 1968 e 2009, o recorde mundial foi melhorado em apenas 3,7%, ou menos de 0,1% ao ano


Assim, entre 1968 e 2009, o recorde mundial foi melhorado em 3,7%, ou menos de 0,1% ao ano - apesar de todos os avanços tecnológicos nas pistas e calçados ao longo do tempo, assim como a expansão do conhecimento (ainda em andamento) do treinamento com pesos, condicionamento físico e nutrição. Apesar do feito de Bolt ser sobre-humano, a pergunta é, por que tem sido tão difícil para as pessoas correr mais rápido?

  • Henny Ray Abrams/AFP

    Em 2001, Takeru Kobayashi comeu 50 cachorros-quentes em 10 minutos, o dobro do recorde anterior



Entretanto, o que talvez seja mais notável do que o feito de Bolt é quão lentamente os atletas têm quebrado os recordes dos 100 metros rasos. Em 1968, Jim Hines se tornou a primeira pessoa a quebrar a barreira dos 10 segundos, concluindo a prova em 9,95 segundos. Em 1991, Carl Lewis baixou o recorde mundial para 9,86 segundos. Em 1999, Maurice Green correu em 9,79 segundos e, em 2008, Asafa Powell correu em 9,72.

Com isto em mente, eu fiz uma pergunta aos nossos leitores em Freakonomics.com: em que atividade humana o homem conseguiu os ganhos mais extraordinários em 40 anos? Havia algumas poucas condições necessárias - a atividade em questão tinha que ser executada por seres humanos, os feitos no campo tinham que ser rastreáveis de forma consistente ao longo de um período de 40 anos e, por último, não podia ser uma atividade na qual mudanças na tecnologia promoveram as melhorias (veja o uso do computador).

Eu tinha uma atividade em mente quando fiz a pergunta: as competições de comer. Como sempre, não demorou muito para um leitor adivinhar. Poucos minutos após a pergunta ter sido postada: um leitor chamado Josh escreveu: "comer cachorros-quentes realmente rápido". Outros leitores também deram ótimos exemplos. Suas ideias variavam de alpinismo e maratona feminina até integração racial da força de trabalho - até mesmo derrubar dominós. Mas, como Josh adivinhou, nenhum desses se iguala à revolução que Takeru Kobayashi promoveu nas competições de comer.

Segundo a "Wikipedia", a Competição de Comer Cachorro-Quente do Nathan de Quatro de Julho teria começado em 1916, com o vencedor comendo 13 cachorros-quentes naquele ano. Em 1978, o recorde tinha subido apenas para 17 cachorros-quentes. Em 2000, a taxa de progresso não era tão diferente dos ganhos do homem nos 100 metros rasos, com o recorde em 25 cachorros-quentes.

Em 2001, entretanto, Kobayashi entrou na disputa e consumiu 50 cachorros-quentes, dobrando o recorde mundial. Ele reinou supremo por seis anos antes de Joey Chestnut desafiar seu domínio: tanto Chestnut quanto Kobayashi quebraram o recorde mundial com 66 e 63 cachorros-quentes respectivamente. Em 2009, Chestnut de alguma forma conseguiu engolir 68 cachorros-quentes (com pão) em 10 minutos.



O que é tão interessante nas competições de comer é que, como correr, é uma atividade humana básica. Não há nenhum motivo em particular para as pessoas repentinamente se tornarem muito melhores nisso. Há 20 anos, uma pessoa razoável poderia argumentar que comer 20 cachorros-quentes em 10 minutos estressaria as limitações do estômago e permitiria pouco ou nenhum espaço para melhoria. Mas mesmo assim, em duas décadas, Kobayashi e Chestnut quadruplicaram o recorde mundial de 1978. Usain Bolt, você está avisado.

Uma nota: um leitor chamado John C. sugeriu uma atividade esotérica chamada "pifilologia" em resposta à minha pergunta. Os praticantes da pifilologia memorizam e recitam os dígitos de pi. (Antes de seguir adiante, pare por um momento e imagine quantos dígitos as pessoas são capazes de memorizar).

O recorde mundial em 1973 era de 930 dígitos, segundo o site www.pi-world-ranking-list.com.

Mas isso era brincadeira de criança. Em 1977, o recorde era de 5.050; em 1980, era de 20.013; em 1987, era de 40 mil. O atual recorde mundial é de 67.890, que levou mais de 24 horas para recitar.

Um médico ucraniano atualmente alega saber os primeiros 30 milhões de dígitos, apesar de ainda não ter tido a chance de recitá-los em ordem. Se ele realizasse a recitação no ritmo do atual detentor do recorde, o médico levaria mais de um ano para chegar ao fim. As reportagens notam, entretanto, que quando lhe foram perguntados dígitos específicos, ele os disse corretamente.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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