UOL Notícias Internacional
 

16/09/2009

Freaknomics.com: Buzz Aldrin responde suas perguntas

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Recentemente, solicitamos perguntas no Freakonomics.com para Buzz Aldrin, ex-astronauta e o segundo homem a pisar na Lua, após Neil Armstrong. No dia 20 de julho de 1969, Aldrin e Armstrong passaram 21 horas na superfície lunar enquanto aproximadamente 600 milhões de pessoas assistiam da Terra. Um asteroide e uma cratera foram batizados com o nome de Aldrin.

Desde que se aposentou das Forças Aéreas e da Nasa, Aldrin projetou vários tipos de espaçonaves, inclusive um módulo espacial para várias tripulações, que foi patenteado. Ele também fundou a Starcraft Boosters, uma empresa que projeta foguetes, e a ShareSpace Foundation, sem fins lucrativos, que se concentra em programas de educação espacial e defesa.

Em seu tempo livre, Aldrin é autor prolífico: além de escrever vários livros infantis e trabalhos de ficção e não ficção, ele recentemente publicou sua autobiografia, "Magnificent Desolation" (Magnífica Desolação). Ele até gravou uma música, "Rocket Experience", com o rapper Snoop Dogg.

  • Kevin Wolf/AP - 20.jul.2009

    Buzz fala durante coletiva de imprensa no 40º aniversário da chegado do homem à Lua



Abaixo, as respostas às perguntas que vão desde seu filme favorito de ficção científica até o futuro de programas espaciais.

Agradecimentos a todos os envolvidos.

Pergunta: O que a maior parte das pessoas não sabe sobre a missão Apolo 11?
Resposta:
Não importa o que você diga que viu, as pessoas querem ter um momento de glória negando aquilo. Eu não esperava que, em nossa primeira aparição pública como tripulação (após voltar da missão do Apolo 11), os estudantes iam jogar ovos em nós.

Pergunta: Qual foi a parte mais difícil da missão?
Resposta:
Lidar com as consequências. Sua vida muda quando você é colocado em um pedestal histórico. Há também a demanda para que você responda perguntas vagas como 'como você se sentiu?' ou 'quais foram suas emoções?' Dizer que urinei na Lua gera interesse, mas não responde a pergunta. Ainda acontece hoje, 40 anos depois.

Pergunta: Qual é seu filme de ficção científica predileto?
Resposta:
"2001, uma Odisseia no Espaço."

Pergunta: O senhor foi o mais famoso astronauta do programa espacial dos EUA de todos os tempos. Por que tão poucos astronautas se tornaram defensores ativos da ciência e da exploração espacial? Por que isso era importante para o senhor?
Resposta:
Não posso responder pelos outros. Meu interesse sempre foi amplo e em relação ao futuro. No MIT, sempre busquei melhorias que eu pudesse investigar: desde então, sinto que meu talento está em procurar novas e diferentes formas de fazer as coisas. Minha intuição e experiência me deram uma compreensão; provavelmente absorvi muito mais do que qualquer um dos primeiros astronautas.

(A princípio) acho que eu era um pouco inocente e ficava impressionado com a enormidade dos projetos nos quais estávamos envolvidos. Não estava seguro de mim. Depois comecei a ver que podia ter ideias sobre como fazer as coisas de forma diferente; mas eu tive que ter uma cabeça aberta e aceitar críticas.

Pergunta: Quais fatores o senhor consideraria mais importantes ao selecionar pessoas que definirão os futuros programas espaciais?
Resposta:
Acho que precisam ser visionárias, pensadoras de longo prazo.

Pergunta: A missão para a Lua inicial parecia ter uma visão pragmática sobre o risco pessoal - em missões arriscadas, algumas vezes as pessoas morrem. Por outro lado, as missões modernas parecem não querer arriscar vidas. O que o senhor acha desse equilíbrio atual?
Resposta:
Acho que há uma grande tendência nas novas gerações de evitar risco em profissões que são altamente respeitadas, como servir o país no exército. O sensacionalismo do risco é exagerado pela mídia. Em minha opinião, o treinamento militar é o melhor preparo que a pessoa pode ter para os riscos envolvidos no voo espacial.

Pergunta: Quais são as maiores dificuldades ao se projetar módulos espaciais que possa sustentar longas estadias na Lua ou em outra superfície extraterrestre?
Resposta:
A proteção à radiação é a dificuldade número um; o condicionamento físico dos astronautas é a número dois. Depois, nos preocupamos com o transporte de alimentos e o suporte vital.

Pergunta: O senhor vê alguém na indústria hoje que poderia tornar a exploração espacial lucrativa? Em caso afirmativo, qual indústria?
Resposta:
Depende no que é considerado lucrativo. A sobrevivência nacional tem alta posição em minha lista. Esse foi o resultado do programa espacial: trouxemos o fim da Guerra Fria. A segurança nacional anda junto com o desenvolvimento da indústria aeroespacial. Voos orbitais é o que as pessoas eventualmente querem fazer. A energia elétrica do espaço é uma solução de longo prazo e de alto potencial para nossos problemas energéticos.

Pergunta: O mundo observou-o no dia 20 de julho de 1969. Hoje, a mídia só se interessa pelo programa espacial quando há um desastre. É melhor para o programa espacial ter toda a exposição e a pressão da mídia ou, por outro lado, a falta de interesse público?
Resposta:
Acho que todo o mundo precisa ver as consequências de longo prazo, e a responsabilidade da mídia é excepcionalmente crítica neste respeito.

(A continuação da exploração espacial) requer um povo mais educado e informado - especialmente as gerações mais jovens. Podemos mudar opiniões expondo mais pessoas ao potencial de experiências de voo espacial, e esse é o propósito da minha organização sem fins lucrativos, ShareSpace.

Pergunta: Como o senhor reage às pessoas que dizem que as missões à Lua foram falsas?
Resposta:
São pessoas egoístas buscando atenção e que se aproveitam da inocência de um público desinformado.

Tradução: Deborah Weinberg

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