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01/10/2009

Freakonomics.com: O economista clandestino responde às suas perguntas

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
  • Reprodução

    Tim Harford, o economista clandestino, responde
    a perguntas sobre carros usados e fio dental

Na semana passada, nós solicitamos perguntas no Freakonomics.com para serem respondidas por Tim Harford, o colunista do "Financial Times" e escritor. No seu livro mais recente, "The Undercover Economist" ("O Economista Clandestino"), Harford fala sobre as bases econômicas da vida cotidiana - da Starbucks aos carros usados. Aqui, ele responde perguntas sobre tópicos que vão das crises de meia idade ao fio dental.

Agradecemos a todos os que participaram.

Pergunta: A minha mulher e eu começamos a namorar quanto tínhamos 18 anos e ainda éramos jovens quando nos casamos. Atualmente temos pouco mais de 30 anos. Eu disse a minha mulher que ela deveria sentir-se feliz pelo carinho que eu devo sentir por ela, já que o fato de casar-me tão jovem significou que o meu custo em termos de oportunidades foi elevado, já que eu tinha muitos anos pela frente. Ela respondeu que essa foi a segunda coisa menos romântica que eu já lhe disse. Algumas sugestão quanto a uma forma de eu expressar de outra maneira essa tentativa de agradá-la?
Resposta:
Eu recomendaria que você introduzisse a sua mulher à teoria da valorização da opção real. Mostre a ela que a opção de casar com ela provavelmente permaneceria em aberto durante vários anos após o dia em que vocês se conheceram. Ao exercitar essa opção tão cedo, você mostrou à sua noiva que o valor presente líquido do seu relacionamento era grande e positivo, e que a sua incerteza quanto à decisão era muito baixa (Tradução: O seu amor ardia com uma chama forte e constante. Mas por que ela precisaria de uma tradução?).

Pergunta: Eu tenho um projeto de crise da meia-idade que gostaria de implementar. Calculo que o custo do projeto seja de US$ 6.000 (R$ 10,6 mil). A minha mulher diz que isso é muito para um projeto que ela acredita ser meio tolo. A minha resposta: "Bem, ele é mais barato do que um carro conversível ou uma amante". Obviamente, eu não me saí bem em explicar o valor real desse projeto de US$ 6.000. De que outra forma eu poderia fazer essa explicação?
Resposta:
Os economistas comportamentais sabem que as pessoas respondem fortemente à exposição de uma decisão em termos de prejuízo ou lucro. Por exemplo, ao gastar US$ 100 na compra de um casaco que normalmente custaria US$ 150, você está gastando US$ 100 ou economizando US$ 50?

A sua discórdia aqui é similar. Ela acha que você está gastando US$ 6.000 com uma besteira. Você acha que está economizando dinheiro. Você precisa fazer com que ela também pense na situação dessa maneira. Traga alguns catálogos de carros caros para casa e deixe-os espalhados. Faça pressão para comprar o carro e, a seguir, recue para o seu projeto original (O que é? Uma masmorra? Um heliporto miniatura? A curiosidade é grande.), afirmando com tristeza que o carro esportivo é simplesmente caro demais. Não mencione a amante - embora, se a sua mulher for leitora do blog Freakonomics, talvez seja muito tarde para dar este conselho.

Pergunta: Estou dividindo um apartamento de dois quartos e dois banheiros com um colega. Os quartos não são iguais. Há um quarto principal bem maior com um banheiro completo anexo e um segundo quarto com um banheiro no corredor. A pergunta diz respeito à escolha de quartos e a uma divisão apropriada do aluguel total, que é fixo. Eu gostaria de descobrir um processo para determinar quem ficará com a suíte e descobrir uma divisão apropriada do aluguel, significando que os benefícios grupais sejam maximizados e o aluguel dividido "justamente".
Resposta:
Eu recomendaria o antigo método para cortar um bolo. Você estabelece o valor do aluguel de cada quarto, e o seu colega escolhe que quarto prefere tendo em vista o valor que você determinou. Isto, aliás, dá a você uma pequena vantagem: se você achar que ele gosta realmente de privacidade, é possível aumentar o aluguel da suíte sabendo que ele ficará com ela. E se acreditar que ele deseja economizar, você poderá ficar com a suíte por um preço um pouco maior. Isso deverá resolver o seu problema.

Pergunta: A minha casa, que eu comprei no auge da bolha imobiliária, e também durante um período de dificuldade (leia-se: eu não tinha onde morar),sofreu uma desvalorização de US$ 60 mil (R$ 106 mil). Eu nunca gostei da minha casa nem dos meus vizinhos, e estou desesperado para me mudar, mas se eu tentar vender o imóvel agora, ou mesmo dentro de seis meses, perderei até o último centavo que investi na moradia - e ainda mais do que isso, ao levar-se em conta as taxas, comissões, etc. A minha ideia é alugá-la, mudar-me para um apartamento alugado e vender a casa assim que a situação melhorar. O que você diz? Observe que eu detesto tudo em relação ao lugar em que estou morando. Tenho estado infeliz nos últimos dois anos e não quero perder o meu dinheiro.
Resposta:
Eu simpatizo com a sua situação, mas você está pensando no problema da forma errada. Você diz que não quer perder o seu dinheiro, mas já perdeu: o prejuízo foi de US$ 60 mil. Nada que você fizer neste momento mudará isso.

Eis aqui uma outra maneira de pensar no problema. Imagine que você não tivesse casa. Você deveria contrair uma hipoteca e comprar uma propriedade como investimento em uma área que detesta, esperando que a combinação de aluguel com valorização de preço transformasse isso em um bom investimento? Eu não sei a resposta, mas você precisa perceber que, tirando as taxas e comissões, esta é a mesma pergunta que você me fez. Você precisa esquecer o fato doloroso de ter perdido US$ 60 mil e concentrar-se simplesmente em determinar se a sua casa atual, ao preço de hoje, é um bom investimento. E, se você acha que um economista é capaz de responder essa pergunta, eu admiro o seu otimismo.

P.S.: Se você detesta tanto assim a casa, sim, você deve mudar-se assim que puder, independentemente de vender ou não a casa.

Pergunta: Você usa fio dental? Com que frequência?
Resposta:
Só uso fio dental de vez em quando, por dois motivos: primeiro, os dentistas não conseguiram apresentar uma análise cuidadosamente elaborada de custos e benefícios do fio dental; segundo, eu sou britânico, e nós gostamos de manter a nossa tradição de termos maus dentes.

Tradução: UOL

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