Freakonomics.com: O questionário de aquecimento global 'Superfreakonomics'

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Como escrevemos em nosso livro mais recente, "Superfreakonomics: O Lado Oculto do Dia a Dia", há muitos equívocos a respeito dos fatos envolvendo o aquecimento global. Responda o questionário a seguir para testar seu conhecimento a respeito das questões científicas, econômicas e tecnológicas por trás do assunto. Ele deverá ajudar a esclarecer por que nossas conclusões diferem daquelas obtidas por nossos críticos.

1. Falso ou Verdadeiro: A temperatura da superfície da Terra aumentou significativamente ao longo dos últimos 100 anos.

2. Falso ou Verdadeiro: Mesmo se conseguirmos estabilizar imediata e permanentemente nossas emissões de carbono nos níveis atuais -ou mesmo reduzir substancialmente essas emissões- os modelos climáticos preveem que a temperatura da superfície da Terra continuará aquecendo por décadas.

3. Falso ou Verdadeiro: Em 1991, a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, expeliu milhões de toneladas de dióxido de enxofre na estratosfera da Terra. Os cientistas acreditam que a névoa gerada pela erupção refletiu parte da luz solar, causando uma queda temporária da temperatura da Terra.

4. Falso ou Verdadeiro: Devido à duração relativamente breve (cerca de um ano) do dióxido de enxofre na estratosfera, os efeitos resfriadores da erupção do Monte Pinatubo desapareceram em poucos anos.

5. Falso ou Verdadeiro: Superfícies escuras absorvem mais luz solar do que superfícies claras, que a refletem. Portanto, superfícies leves desaceleram o aquecimento global porque refletem grande parte da luz solar que as atinge, as devolvendo ao espaço.

6. Falso ou Verdadeiro: As nuvens, que são brancas ou cinzentas, apresentam coloração mais clara que os oceanos, que são azuis.

Nós acreditamos que a resposta correta para todas as seis perguntas é "verdadeiro". Como apontamos em nosso capítulo a respeito do aquecimento global, nossa impressão é de que os cientistas climáticos não consideram controversas nenhuma das seis declarações científicas acima. Nós também não acreditamos que algum crítico das ideias a respeito do aquecimento global que abordamos em "Superfreakonomics" implicaria com alguns desses fatos. Para deixar perfeitamente claro, estes seis fatos são fundamentais para nossa análise de geoengenharia. Os críticos das soluções de geoengenharia que destacamos não devem nos acusar de entender errado os fatos científicos, a menos que considerem alguma das seis declarações acima como sendo falsa.

Vamos passar para as questões econômicas ligadas ao aquecimento global e ver se é onde nossas suposições divergem das de nossos críticos:

1. Falso ou Verdadeiro: Se o aquecimento da Terra levar a uma catástrofe global, isso seria um resultado realmente ruim.

2. Falso ou Verdadeiro: Mesmo diante da enorme incerteza a respeito da probabilidade de cataclismos futuros, faz sentido investir agora em encontrar formas de evitar esses cataclismos.

3. Falso ou Verdadeiro: Os economistas estimam que os custos para redução das emissões de carbono provavelmente ultrapassarão US$ 1 trilhão por ano.

A resposta correta para todas essas questões econômicas é "verdadeiro". Esses três fatos econômicos são chave para nosso argumento. A primeira questão não exige maior explicação. A resposta para a segunda questão foi apresentada pelo economista Martin Weitzman, da Universidade de Harvard, cuja pesquisa citamos em "SuperFreakonomics". O terceiro fato se baseia na análise do economista britânico Nicholas Stern: os custos estimados, obviamente, são altamente especulativos, mas o custo verdadeiro da redução das emissões de carbono provavelmente estará dentro de duas ordens de magnitude deste número.

É provável que nenhum dos nossos críticos discorde de algum dos fatos econômicos acima. Na verdade, as críticas do colunista do "The New York Times", Paul Krugman, se concentram em grande parte na ideia equivocada de que discordamos do fato Nº2, quando na verdade não discordamos. De alguma forma, Krugman chegou à conclusão de que somos a favor da inação. Na verdade, nós achamos que uma ação imediata e agressiva é necessária - na forma de investimento em, ou implementação de, soluções de geoengenharia. Talvez Krugman não considere que esses passos constituam uma ação real.

Talvez nossos críticos discordem dos fatos tecnológicos que citamos. Aqui estão:

1. Falso ou Verdadeiro: Um projeto de engenharia existente fornece um meio de enviar continuamente dióxido de enxofre para a estratosfera, para resfriar a Terra. O custo estimado para construção e implantação desta tecnologia é de poucas centenas de milhões de dólares.

2. Falso ou Verdadeiro: Um projeto de engenharia existente fornece os meios de aumentar a cobertura de nuvens sobre os oceanos, semeando essas nuvens com água salgada que é borrifada no ar por uma frota de pequenos barcos movidos à luz solar. O custo estimado para construção e implementação desta tecnologia é de poucas centenas de milhões de dólares.

A resposta para estas perguntas é, novamente, "verdadeiro". Como descrevemos em "SuperFreakonomics", a empresa com sede em Seattle, Intellectual Ventures, possui desenhos para o primeiro projeto, chamado de "stratoshield" (algo como escudo estratosférico), assim como para o segundo. Nossos críticos podem argumentar que as tecnologias descritas não funcionarão, mas não se pode discutir com o fato de que a Intellectual Ventures possui plantas para tentar construir esses dispositivos.

Após todo esse preambulo, vamos à questão fundamental que tentamos responder: se precisarmos resfriar a Terra às pressas, como melhor fazê-lo?

Nossa resposta a esta pergunta segue diretamente os três conjuntos de fatos apresentados acima. Reduzir as emissões de carbono não é uma grande forma de resfriar a Terra às pressas por dois motivos-chave. Primeiro, mesmo se reduzirmos as emissões de carbono hoje, a Terra continuará aquecendo por décadas. Segundo, reduzir as emissões de carbono é caro, com um preço estimado em pelo menos US$ 1 trilhão por ano, além de exigir mudanças comportamentais mundiais que serão difíceis de obter.

Uma abordagem muito melhor, nós concluímos, é a geoengenharia. A evidência científica sugere que o stratoshield ou o aumento de nuvens sobre o oceano teriam um grande impacto imediato no resfriamento da Terra, diferente das reduções das emissões de carbono. O custo dessas soluções é trivial em comparação ao custo da redução das emissões de carbono -literalmente milhares de vezes mais barato!

Talvez, melhor do que tudo, se algo sair errado, essas duas soluções de geoengenharia são completamente reversíveis. Dado o custo imenso do cataclismo global e quão baratas são as soluções, seria loucura não avançar com a pesquisa de geoengenharia visando aprontar essas soluções.

Por que então nossas conclusões parecem tão radicalmente diferentes das de nossos críticos?

A resposta: nós estamos respondendo uma pergunta diferente daquela de nossos críticos.

Nossa questão, como notado acima, busca a forma mais rápida e mais barata de resfriar rapidamente a Terra. Como todas as outras questões que lidamos em "Freakonomics" e "SuperFreakonomics", nós abordamos essa questão como economistas, usando dados e lógica -e concluímos que a geoengenharia é a resposta. Não coincidentemente, quase todos os economistas que fizeram a mesma pergunta chegaram à mesma conclusão, incluindo Martin Weitzman e os economistas do Consenso de Copenhague.

Mas não é a pergunta que Al Gore e os cientistas climáticos estão tentando responder. O tipo de pergunta que tendem a fazer é: "Qual é a quantidade 'certa' de carbono que podemos emitir?" ou "É moral para esta geração lançar carbono no ar para que futuras gerações paguem o preço?" ou ainda "Quais são as responsabilidades da humanidade para com o planeta?"

Diferente da pergunta que estamos fazendo - como podemos resfriar a Terra de forma mais rápida e eficiente?- as perguntas que os ambientalistas estão tentando responder misturam questões científicas com questões morais/éticas. Mas em vez de deixar isso claro -nós estamos fazendo perguntas diferentes - os críticos, de forma intencional ou não intencional, confundem as perguntas fazendo todo tipo de argumento não pertinente.

Eu não estou dizendo que a pergunta que respondemos no livro é a mais importante. Pode ser que as perguntas que os ambientalistas estão fazendo sejam mais importantes e mais interessantes. Mas isso não significa que não queremos saber a resposta para nossa pergunta: uma pergunta que os ambientalistas com frequência não se dão ao trabalho de fazer, porque estão concentrados em perguntas mais filosóficas.

Logo, apesar de toda gritaria, nós temos que ser honestos e dizer que simplesmente não entendemos. Nós não entendemos por que qualquer ambientalista que realmente se importe com o futuro da Terra possa dizer de forma séria que, no debate sobre o aquecimento global, a geoengenharia não merece um assento à mesa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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