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10/11/2009

Reembolso da Baby Einstein: não tão inteligente?

Freakonomics
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Ao longo dos anos, eu assisti à ascensão da Baby Einstein à proeminência com uma mistura de admiração e inveja. Certamente não havia muita evidência de que sua linha de vídeos supostamente educativos, contendo música e bonecos, de fato tornava os bebês mais inteligentes. Mas de um ponto de vista de marketing, os criadores dos produtos eram gênios: os vídeos davam aos pais - eu inclusive - uma atividade para compartilhar com seus filhos pequenos.
  • Leonardo Wen/Folha Imagem

    Sucesso O bebê Mateus P. Cancela, de 6 meses, assiste diante da televisão a um de seus DVD's da série "Baby Einstein", em sua residência, em São Paulo. Nos EUA, um terço dos bebês de 6 meses a dois anos tem um vídeo da coleção em casa



Não é de se estranhar que, em 2003, seis anos após a fundação da empresa, os produtos da Baby Einstein eram onipresentes. O "New York Times" noticiou recentemente que, segundo um estudo daquele ano, um terço de todos os bebês americanos de 6 meses a 2 anos tinha pelo menos um vídeo "Baby Einstein" em seus lares.

Recentemente, a Baby Einstein virou notícia de novo por dois motivos. Primeiro, o novo livro, "NurtureShock: New Thinking About Children", diz serem falsas as alegações iniciais da empresa de que seus vídeos facilitam o desenvolvimento do cérebro. Além disso, a Baby Einstein -que expandiu sua linha para oferecer brinquedos, CDs e livros- agora está oferecendo um reembolso de US$ 15,99 para qualquer um que devolver um DVD "Baby Einstein". Isso levou alguns grupos a acusarem a empresa de reconhecer tacitamente a fabricação e promoção de um produto ineficaz.

Os grandes vencedores do reembolso do Baby Einstein: o pessoal que vende DVDs usados no site eBay. Quando procurei pelos DVDs Baby Einstein no site de leilão, eu encontrei quase 3 mil produtos à venda. Apesar de alguns serem DVDs novos, muitos são usados, vendidos por US$ 4 ou US$ 5.

Como, até onde posso dizer, o reembolso não exige comprovante de compra, cada um desses DVDs de baixo preço agora vale US$ 15,99, menos o custo de embalar e enviar o DVD para obter o reembolso. Esse é um presente dos céus para os vendedores. E péssimo para os compradores. Se você comprar um DVD usado com desconto, desfrutá-lo e então enviá-lo de volta à empresa, você terá o melhor dos dois mundos.

Eu também estou curioso para saber quantos DVDs serão de fato devolvidos. Eu suspeito que não muitos, já que é uma chateação e tanto por um retorno de US$ 15,99. Mais importante, há custos morais envolvidos. Eu tenho alguns produtos Baby Einstein empoeirando em um armário, mas eu nunca consideraria devolvê-los. Eu sabia o que estava comprando e eu recebi aquilo pelo que paguei. Pareceria algo não ético querer receber meu dinheiro de volta agora. Além disso, se todo mundo devolver seus DVDs, os meus se transformarão em itens de colecionador.

Meu interesse na Baby Einstein não é apenas econômico. É também pessoal. Há cerca de 15 anos, antes dos vídeos "Baby Einstein" se tornarem uma compra habitual para bebês em toda parte, eu tive uma ideia de negócios semelhante, que surgiu de uma conversa de jantar com um linguista a respeito de quão difícil era para adultos que aprendem uma língua estrangeira soarem como pessoas nascidas no local.

Como certos sons ocorrem em algumas línguas e outros não, seu cérebro perde parte de sua habilidade de discernir as entonações que não estão presentes na língua que você cresceu ouvindo. Por exemplo, quando eu estava tentando aprender mandarim antes de adotar minha primeira filha da China, eu considerei absolutamente impossível diferenciar, muito menos pronunciar, cerca de sete tons que misturam sutilmente os sons de S e Z.

Certo dia, eu finalmente concluí que iria evitar completamente qualquer palavra com esses sons, o que significava eliminar talvez 20% de todas as palavras na língua. Meu professor me considerava maluco, mas eu me recusei veementemente a aprender qualquer uma daquelas palavras.

Com essa experiência em mente, minha ideia era criar uma fita de áudio (isso foi antes do advento dos CDS) de canções e músicas infantis que incluíssem todos os sons das seis ou sete línguas mais populares do mundo. Pais obsessivos poderiam tocar essa fita repetidamente, imprimindo os tons no cérebro do bebê para o caso da criança querer aprender outra língua posteriormente.

Meu amigo linguista e eu chegamos até a tentar determinar que seleção de músicas infantis cobriria o espectro completo de sons. Pelo que me lembro, nós reunimos algumas pessoas com vozes melodiosas. Nós até mesmo apresentamos a ideia (sem sucesso) para a Home Shopping Network. No final, após decidir que não conseguiríamos ganhar dinheiro suficiente para o produto valer a pena, nós o abandonamos. Quem me dera ter insistido com a ideia: nós não teríamos feito nenhuma alegação de genialidade.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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