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Sociólogo responde perguntas sobre o perfil das prostitutas de rua de Chicago, nos EUA

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Recentemente, solicitamos perguntas no Freakonomics.com para Sudhir Venkatesh, professor de sociologia da Universidade de Columbia cujo trabalho de campo com prostitutas de rua em Chicago compreende uma longa seção do primeiro capítulo de nosso livro "SuperFreakonomics". O livro mais recente de Venkatesh, "Gang Leader for a Day" (líder de gangue por um dia), descreve suas experiências observando uma gangue de traficantes de drogas em Chicago para um estudo sobre a pobreza urbana. Abaixo, ele responde perguntas sobre trabalho sexual. Agradecimentos a todos os envolvidos. As prostitutas querem que a prostituição seja legalizada? Por quê? Venkatesh: Os trabalhadores sexuais talvez queiram as vantagens dos bens coletivos que surgem com o comércio legalizado, tais como a capacidade de usar a justiça e a polícia, a suavização do estigma e o acesso a regulamentos de saúde. Eles temem, contudo, que se a indústria se tornar completamente legítima, serão expulsos por aqueles que conseguem fazer investimentos que criam economias de escala. Imagine o que o Wal-Mart ou o Goldman Sachs poderiam fazer se tivessem acesso a esta indústria. A Internet revolucionou a prostituição. A prostituição de rua é uma indústria quase morta? O que vai acontecer com os cafetões? Eu entendo que sempre haverá um nível basal de prostitutas de rua para servir aos viciados e aqueles que buscam emoções, mas certamente o tamanho da amostra deve estar diminuindo diariamente. Venkatesh: A Internet transformou as possibilidades para muitos na indústria de trabalho sexual, não apenas as "prostitutas". Dançarinas, fornecedores de serviços sexuais via telefone e gerentes de agências de acompanhantes se beneficiaram com a Web. Mas nós devemos observar que há uma divisão digital no trabalho sexual. Populações urbanas de baixa renda e minorias de fato não podem tirar vantagem da tecnologia da informação no mesmo grau. Talvez queiram, mas os custos iniciais, assim como a necessidade de manutenção excedem sua capacidade. O tamanho da amostra de fato pode estar diminuindo, mas isso também pode ser resultado da expulsão dos mais pobres dos centros urbanos. Prefeitos de cidades como Chicago, Baltimore, Nova York, Cleveland empurraram ativamente suas populações de baixa renda para fora dos limites da cidade, então de fato não sabemos com certeza se houve uma redução ou se simplesmente não estamos olhando no lugar certo. No "SuperFreakonomics", Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt estimam o valor agregado do uso de cafetões estudando a variação dos ganhos de uma prostituta quando trabalham ou não para um cafetão. O que em geral acontece na vida de uma prostituta de rua que possa levá-la a deixar um cafetão? Ela em geral é demitida por alguma razão (e em caso positivo, quais são as violações típicas que a demitiriam), ou ela sai por motivos próprios? Venkatesh: Os cafetões fornecem às trabalhadoras sexuais uma base de clientes e a proteção contra abusos. Mas como qualquer gerente, eles podem tentar extrair concessões de sua força de trabalho consideradas injustas pelos trabalhadores. Frequentemente, eles pedem que façam coisas de graça. Eles podem pedir que trabalhem mais horas sem remuneração justa. Um cafetão não é diferente de um gerente corporativo nesse respeito. Então não é surpreendente que o trabalhador se frustre e saia. Ou às vezes se frustra, não aparece para trabalhar e é despedido. O senhor encontrou justificativas econômicas que podem ser usadas como argumento pela legalização? Venkatesh: Dividindo a "legalização" em partes componentes, podemos até considerar o que pode significar ter uma indústria sexual regulamentada - o que, de fato, já temos até certo ponto. Primeiro, a legalização pode abrir a possibilidade para práticas de saúde mais seguras: uso de preservativos, exames, acesso à saúde, abrigo etc. Em minha opinião, essas coisas definitivamente precisam ser atendidas.

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