Freakonomics.com: tatuagens viram febre entre jovens nos EUA

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

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    Svenja Maniak exibe tatuagem nas costas com o rosto de Michael Jackson no dia do enterro do cantor, em Los Angeles (03/09/2009)

    Svenja Maniak exibe tatuagem nas costas com o rosto de Michael Jackson no dia do enterro do cantor, em Los Angeles (03/09/2009)

Segundo um levantamento de 2006 conduzido pela Pesquisa Pew, 40% dos americanos com idades entre 26 e 40 anos têm pelo menos uma tatuagem, enquanto esse número é de 36% para as idades entre 18 e 25 anos. Apenas 1 entre 10 pessoas mais velhas do que isso tem uma tatuagem. 

Como economista, eu considero esses números chocantes. 

Os economistas tendem a gostar de opções que são reversíveis. Sejam quais forem minhas preferências atuais, quem sabe quais elas serão daqui uma semana, um ano ou uma década? Eu adorava o cantor Adam Ant quando estava no colégio, mas fico feliz por nunca ter tatuado o nome dele no meu antebraço. O mesmo certamente vale para tatuar os nomes das minhas ex-namoradas no meu peito. 

Por que tatuagens são tão populares? 

Uma possibilidade é a de que as pessoas simplesmente apreciam sua beleza intrínseca, assim como podem apreciar uma pintura em um museu. Ainda assim, a frequência com que as pessoas escolhem partes do corpo que não são facilmente visíveis –principalmente na parte baixa das costas– para receber a tatuagem sugere que esse não é o principal motivo. 

Talvez a irreversibilidade da tatuagem possa ser o principal motivo de sua popularidade. Devido à sua permanência, este tipo de arte corporal se transforma em um artifício sinalizador muito poderoso: quanto mais cara seja a ação, mais poderoso é o sinal que a ação transmite. Se eu tatuar em meu rosto tatuagens semelhantes às do boxeador Mike Tyson, eu envio à sociedade uma forte mensagem a meu respeito.

Para quem os tatuados estão tentando enviar sinais? Como as tatuagens são dolorosas de fazer e fecham as portas para algumas oportunidades de emprego, eu suponho que as tatuagens possam servir a um propósito para pessoas engajadas em atividades alternativas ou ilegais, algumas das quais podem no final levar à prisão. Mas a maioria dos jovens que estão recebendo tatuagens não está nesse caminho: presumivelmente, eles estão tentando sinalizar algo a respeito de si mesmos para parceiros potenciais.

Mas me parece estranho que, digamos, um dos meus alunos na Universidade de Chicago queira usar uma tatuagem para sinalizar que é semelhante a um sujeito que pode parar na prisão. (Um conhecido meu tinha um caduceu –o símbolo da medicina– tatuado em seu peito. Ele sentia que ele enviava a mensagem certa para as garotas na praia. Todavia, ele a fez toda em tinta azul, que é mais fácil de remover.)

Talvez uma tatuagem sinalize que uma pessoa é ousada, impulsiva e que gosta de risco. Eu suponho que essas sejam características que no passado eu já tenha procurado em uma mulher, mas que certamente não estariam no topo da minha lista agora!

E eu estou perdendo algo? Há um motivo para que eu deva querer uma tatuagem, ou querer que minha esposa tenha uma tatuagem? Nós voltaremos a esse assunto em nossa próxima coluna. 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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