FBI identifica 18 seqüestradores nos aviões

Segundo FBI, havia 18 seqüestradores nos aviões; caixas-pretas foram encontradas

Mark Helm

Washington, EUA -- Autoridades federais dos EUA identificaram 18 terroristas que seqüestraram os aviões de carreira nos atentados de terça-feira.

Investigadores também disseram que encontraram a caixa-preta do Boeing 757 da United Airlines que caiu no oeste da Pensilvânia, e que estão prestes a recuperar o mesmo equipamento do Boeing 757 da American Airlines que se chocou contra o Pentágono.

O diretor do FBI, Robert Mueller, disse em conferência com a imprensa que cada um dos dois aviões que se chocaram contra o World Trade Center traziam cinco seqüestradores. O avião que mergulhou no Pentágono e o que caiu em zona rural da Pensilvânia continham quatro terroristas cada um.

Segundo as autoridades, os agentes do FBI e outras autoridades federais estavam trabalhando em todo país e na Europa, Canadá e Oriente Médio para reunir mais informações sobre os 18 homens.

O promotor geral da nação, John Ashcroft, disse que a equipe do FBI de 4.000 agentes, 3.000 funcionários de apoio, 300 especialistas de laboratório e centenas de funcionários de outras agências, como o Serviço de Imigração e Naturalização, constituíam a maior investigação da história americana.

Milhares de pessoas morreram quando dois aviões comerciais seqüestrados se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center, na manhã de terça-feira, causando o desmoronamento dos prédios de 110 andares. Um terceiro avião atingiu o Pentágono e um quarto avião comercial, aparentemente se dirigindo para outro alvo estratégico, caiu em zona rural da Pensilvânia, possivelmente depois dos passageiros terem tomado providências para atrapalhar o seqüestro.

Ashcroft disse que não foram feitas prisões, mas que algumas pessoas foram detidas para interrogatório. "Apesar de estarmos tentando agir o mais rápido possível, queremos conduzir esta investigação corretamente", disse. Ashcroft disse também que ao menos um seqüestrador em cada avião recebera treinamento de vôo nos EUA, confirmando a teoria de que os seqüestradores ocuparam a cabine de controle dos aviões.

O Departamento de Justiça disse que outras 20 pessoas nos EUA talvez tenham colaborado com os seqüestradores. "Esta foi uma operação grande e bem financiada", afirmou a porta-voz do Departamento, Mindy Tucker.

Ela também anunciou que o FBI havia identificado os seqüestradores e que seus nomes e nacionalidades seriam divulgados em breve.

No condado de Somerset, Pensilvânia, os detetives encontraram o gravador de dados de vôo, a caixa-preta, entre os destroços de um dos aviões seqüestrados.

O gravador foi enviado imediatamente para análise em Washington.

Além disso, as equipes de busca no Pentágono disseram estar recebendo sinal do gravador de vôo do avião que atingiu o prédio e esperavam recuperá-la logo.

A caixa-preta -que de fato é cor de laranja e construída para resistir aos acidentes- consiste de um gravador de voz da cabine e um gravador de dados do vôo. O registro de voz deve explicar como os aviões passaram para as mãos dos seqüestradores. Os dados do vôo podem indicar como o avião estava voando logo antes do acidente.

Outras importantes notícias de quinta-feira foram:

- Secretário de Estado dos EUA Colin Powell nomeou o terrorista Osama Bin Laden como um dos principais suspeitos dos seqüestros e desastres.

- A polícia alemã prendeu um funcionário do aeroporto e uma mulher para interrogatórios relacionados com a investigação. Além disso, autoridades alemãs disseram que três dos seqüestradores suspeitos eram de origem árabe e possivelmente moraram em Hamburgo, onde eram membros de um grupo terrorista.

Ashcroft disse que 2.005 ligações com possíveis pistas foram feitas para o telefone do FBI, enquanto o site do Bureau havia recebido 22.700 dicas.

"O FBI está trabalhando em milhares e milhares de pistas", disse. "Algumas dessas ajudaram na investigação". Ashcroft também disse que o Departamento de Justiça estava desembaraçando os pagamentos do governo federal para as famílias dos funcionários da polícia, corpo de bombeiros e batalhão de resgate de emergência que perderam suas vidas nos ataques.

Sob o programa federal, Ato de Benefícios Públicos de Segurança Pública, essas famílias receberão US$ 150 mil (aproximadamente R$ 405 mil). Segundo Ashcroft o governo dispensará o preenchimento de formulários individuais pelas famílias, dando "certificados gerais" para as vítimas.

Ele chamou os pagamentos de "resposta insuficiente, porém necessária, em nome do povo americano".

Tradução: Deborah Weinberg

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