Autoridades americanas anunciam progressos no corte de verbas a terroristas

MARK HELM

HEARST NEWSPAPERS



WASHINGTON - Desde 11 de setembro, os Estados Unidos e autoridades estrangeiras confiscaram de mais de US$ 80 milhões (R$ 195 milhões) em bens da Al Qaeda e outras organizações terroristas, segundo disseram membros do executivo a um comitê do Senado na terça-feira (29).

O vice-secretário do Tesouro, Kenneth W. Dam, disse ao Comitê do Senado de Bancos, Moradia e Questões Urbanas que os Estados Unidos, com a ajuda de dezenas de outros países, conseguiu um "progresso substancial" na interrupção do fluxo de dinheiro para grupos terroristas.

Segundo ele, os Estados Unidos persuadiram 147 países a monitorar os seus sistemas financeiros de modo a encontrar sinais de dinheiro que possa estar fluindo para organizações terroristas e a congelar esses fundos, tão logo eles sejam descobertos.

Essas medidas resultaram no confisco, por parte de governos estrangeiros, de US$ 46 milhões (R$ 112 milhões) em bens destinados a grupos terroristas, bem como no congelamento de US$ 34 milhões (R$ 82,9 milhões) nos Estados Unidos, disse Dam.

O vice-secretário disse ainda que, ao contrário da campanha militar no Afeganistão, na qual os Estados Unidos atuaram basicamente sozinhos, a campanha para cortar o fluxo de dinheiro para os terroristas não teria sucesso sem o auxílio de outras nações.

"É algo um pouco diferente da guerra travada no solo. Afinal, não podemos bombardear uma conta bancária estrangeira", disse ele. "Nós realmente necessitamos da assistência de outros países".

Dam afirmou que as autoridades estão começando a encontrar evidências de que os esforços para rastrear o financiamento a grupos terroristas podem estar fazendo com que os doadores em potencial se tornem mais cautelosos ao fornecer dinheiro.

"Os doadores não querem assumir tal responsabilidade", disse ele.

Os ataques de 11 de setembro desencadearam a criação de várias novas equipes governamentais dedicadas a rastrear dinheiro de terroristas. No Departamento do Tesouro, a Operação Greenquest foi montada no final de outubro para estancar o fluxo de verbas para os suspeitos de terrorismo.

O U.S.A. Patriot Act, que o Congresso e o presidente Bush baixaram em outubro, aumentou o financiamento para os investigadores do Departamento do Tesouro e deu maior autoridade para os reguladores dos Estados Unidos para impedir que as empresas internacionais operem nos Estados Unidos, caso não cooperem com os investigadores.

O FBI e o Serviço de Alfândega dos Estados Unidos possuem agora uma maior responsabilidade em rastrear grandes quantias monetárias retiradas do país, segundo membros do Departamento de Justiça.

O juiz federal Michael Chertoff disse que as investigações sobre os negócios financeiros dos autores dos atentados de 11 de setembro foram um dos instrumentos mais efetivos para revelar os membros da Al Qaeda e os seus métodos operacionais.

"Através da informação financeira, descobrimos como os seqüestradores receberam o dinheiro, como e onde treinaram, onde moraram e, talvez o mais significante, os nomes e paradeiros das pessoas com as quais eles trabalharam e com quem fizeram contato", disse Chertoff.

Ele disse anda que a investigação financeira também forneceu uma evidência fundamental contra Zacarias Moussaoui, o único indivíduo nos Estados Unidos acusado de ter ligação com os ataques de 11 de setembro.

Moussaoui, um cidadão francês que pode ser executado caso seja condenado por participar de conspiração terrorista, teria recebido US$ 14 mil (R$ 34 mil) em ordens bancárias de Ramzi Bin al-Shibh, que foi identificado como agente da Al Qaeda, e que está sendo procurado pelo governo alemão, devido à suspeita de ter ajudado a planejar os ataques de 11 de setembro.

A transação se constitui no cerne da acusação feita pelo governo estadunidense de que Moussaoui, que foi preso em agosto por ter violado as leis de imigração, teria ligações com a operação e poderia ter planejado se juntar às equipes de seqüestradores.

O senador Evan Bayh, democrata de Indiana, questionou se a administração teria sido capaz de interromper o fluxo de verbas para os grupos terroristas através de instituições de caridade.

Dam disse que os agentes federais invadiram os escritórios de três das principais organizações de caridade muçulmanas da nação, ao serem informada que essas organizações estariam fornecendo dinheiro a grupos terroristas.

As organizações são a Global Relief Foundation, em Bridgeview, Illinois; a Benevolence International Foundation, em Palos Hills, Iliinois; e a Holy Land Foundation for Relief and Development, em Richardson, Texas.

Dam disse ainda que as autoridades estadunidenses estariam trabalhando em conjunto com funcionários estrangeiros para investigar as organizações filantrópicas localizadas em outros países, e que teriam possíveis laços com terroristas.

Ele disse acreditar que, em certos casos, o corpo de diretores de tais organizações poderia não saber que uma parte do dinheiro de suas instituições estaria sendo desviado para grupos terroristas.

"Em muitos casos, o escalão inferior de uma organização de caridade possui outra operação, uma operação clandestina - pela porta dos fundos, por assim dizer - que apóia o terrorismo", disse Dam.

Já em outros casos, os doadores dessas organizações podem se sentir pressionados a fornecer verbas, temendo represálias dos grupos terroristas, caso não procedam dessa forma.

"Em determinadas circunstâncias, os doadores estão pagando aquilo que eu chamaria de 'verba de proteção'", acusa Dam.


Tradução: Danilo Fonseca Terror

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