Bush busca acordo de armas nucleares com a Rússia

Stewart M. Powell

Washington, EUA --­ O presidente norte-americano George W. Bush defendeu junto aos russos seus planos para desenvolver de uma nova geração de pequenas armas nucleares, para possível uso contra nações suspeitas de patrocinar o terrorismo como o Iraque, o Irã, a Líbia e a Síria.

Bush falou que "gostaria de assinar um documento" com o presidente da Rússia Vladimir Putin, em maio, com o compromisso informal de cortar seus arsenais de armas nucleares em dois terços nos próximos dez anos.

"Seria uma boa coisa. Por isso temos de assegurar que os interessados em manter a relação de Guerra Fria sejam colocados de lado", disse Bush.

Bush não deu muita importância à falta de acordo entre os EUA e a Rússia quanto ao destino de milhares de ogivas nucleares, hoje descartadas. "Ficaremos felizes em conversar sobre o assunto com os russos", disse Bush, exortando os cortes de armamentos independentemente do destino das ogivas descartadas.

"Acredito que teremos boas relações com a Rússia, e vamos trabalhar muito para concretizá-las".

Bush afirmou que a criação de uma nova geração de pequenas armas nucleares de baixo alcance, capazes de destruir armazéns subterrâneos de armas químicas, biológicas ou nucleares, serviria para deter esse tipo de ataque.

"Precisamos ter opções disponíveis, porque queremos deixar muito claro para as nações que não se admite ameaças aos EUA, nem o uso de armas de destruição em massa contra nós ou nossos aliados ou amigos", disse Bush. "Estou interessado em ter um arsenal ao meu dispor ou ao dispor dos militares para manter a paz".

Bush falou horas depois que o secretário de Defesa Donald Rumsfeld tentou tranqüilizar o ministro de Defesa russo, Sergei Ivanov, sobre a nova política nuclear americana. Foram publicados relatórios que diziam que a revisão da política de armas nucleares, enviada ao Congresso em janeiro, que estabelece os planos de defesa do Pentágono, teria como alvos a Rússia e seis outras nações: China, Iraque, Coréia do Norte, Irã, Líbia e Síria.

Rumsfeld disse a Ivanov que o plano de armas nucleares "não aponta nenhum país como alvo de armas nucleares", acrescentando: "Os EUA não têm nenhum país como alvo permanente".

Rumsfeld disse que a revisão estabelecia "requerimentos prudentes para coibição (de afrontas) no século 21", observando que a análise "leva em consideração" o fato de a Rússia ter um arsenal nuclear importante. Além disso, ele lembrou que as autoridades russas haviam sido informadas do documento em janeiro e insistiu que os EUA e a Rússia não eram mais "adversários".

Rumsfeld também procurou acalmar preocupações russas quanto ao engajamento de 200 soldados americanos na ex-república soviética da Geórgia, para treinar forças de combate ao terrorismo às portas da Rússia.

O intuito de Rumsfeld pareceu ser de proteger a cooperação entre a Rússia e os EUA na guerra contra o terrorismo e desfazer tensões entre os dois países, antes da visita de Bush à Rússia, em maio.

Além das tropas americanas, o Pentágono também enviou 10 helicópteros Huey, da guerra do Vietnã, para ajudar os 20 mil soldados georgianos a combater guerrilheiros muçulmanos radicais que se escondem na região remota do Desfiladeiro de Pankisi, na fronteira com a província separatista da Tchetchênia.

Autoridades americanas estão procurando combatentes muçulmanos de Osama Bin Laden, treinados nos campos de treinamento terrorista da Al Qaeda, no Afeganistão, que escaparam dos ataques americanos.

A Rússia vem tentando conquistar a cooperação da Geórgia para permitir a caçada de guerrilheiros tchetchenos que fugiram para as montanhas remotas do país.

Ivanov levantou publicamente suas inquietações em relação à medida americana, dizendo que os esforços americanos para deter terroristas suspeitos no Desfiladeiro de Pankisi eram "muito sensíveis para a Rússia", porque muitos desses homens já atacaram os russos e estão programando novos planos de operações terroristas.

"Não podemos apenas sentar e assistir a essas atividades indiferentemente", declarou Ivanov, sobre os planos de futuros ataques terroristas contra a Rússia, cuja fronteira fica cerca de 15 km da região.

"Realmente, se faz necessária íntima cooperação" com os EUA, disse ele.

Rumsfeld enfatizou que o governo Bush não tinha planos de enviar forças americanas para a região sensível do desfiladeiro, que faz fronteira com a Rússia. "Estamos enviando um número relativamente modesto de homens para ajudar a treinar o exército da Geórgia", disse Rumsfeld.

Tradução: Deborah Weinberg

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