Rumsfeld diz que não há evidências de que Bin Laden tenha escapado de Tora Bora

Eric Rosenberg
Hearst Newspapers
Em Washington

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, negou na quarta-feira (17) que o governo Bush acredite que Osama bin Laden estivesse presente na batalha de Tora Bora, em dezembro do ano passado, e que tenha conseguido escapar.

Rumsfeld também defendeu a decisão do general do Exército, Tommy Franks, o comandante das operações militares dos Estados Unidos no Afeganistão, no sentido de utilizar tropas afegãs durante a batalha de Tora Bora, ao invés de ter recorrido a um contingente maior de forças do Exército americano.

Rumsfeld disse em uma entrevista coletiva à imprensa no Pentágono que as forças armadas norte-americanas "não possuem qualquer evidência de que Bin Laden estivesse em Tora Bora durante a batalha, ou que ele tivesse deixado o local em qualquer momento, não tendo sequer indícios do seu atual paradeiro".

"Temos assistido a especulações recorrentes sobre a possível localização de Bin Laden, mas, obviamente, nada disso pôde ser comprovado", disse Rumsfeld. "Caso houvesse provas, é claro que teríamos feito algo quanto a isso. Em termos de evidências concretas, até o momento não existe nada".

"Não me envergonho de dizer que não sabemos onde está Bin Laden", disse Rumsfeld aos repórteres. "Nós realmente não sabemos".

Autoridades norte-americanas acusam a rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, de ter executado os ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington.

Durante a batalha de quase um mês em Tora Bora - um complexo de resistência militar nas Montanhas Brancas, no leste do Afeganistão, próximo à fronteira com o Paquistão - houve especulações no sentido de que Bin Laden estaria nas proximidades, devido à ferocidade da resistência demonstrada pelos combatentes da Al Qaeda contra as tropas afegãs. Um pequeno número de soldados das Forças Especiais dos Estados Unidos ajudou as unidades afegãs, assim como a força aérea norte-americana. No entanto, não foram utilizados grandes contingentes de forças terrestres dos Estados Unidos.

Em sua declaração, Rumsfeld estava respondendo a um artigo do The Washington Post, segundo o qual as autoridades do governo concluíram que Bin Laden esteve presente no início da batalha de Tora Bora, em princípios de dezembro. As autoridades de Washington teriam chegado a tal conclusão com base nos resultados de interrogatórios a que foram submetidos combatentes da Al Qaeda capturados, que teriam dito em relatos independentes aos seus interrogadores que Bin Laden estava em Tora Bora, relatou o Post.

Citando fontes anônimas, o jornal disse que as autoridades de Washington acreditam que aliados afegãos corruptos teriam permitido que Bin Laden escapasse pelas trilhas nas montanhas.

Rumsfel criticou a confiabilidade dos relatos feitos pelos detidos.

"Em várias circunstâncias tivemos três, quatro, cinco histórias diferentes contadas pelo mesmo prisioneiro", afirmou. "Eles mudam as suas histórias com freqüência".

O The Washington Post, citando autoridades cujos nomes não foram revelados, afirmou que eles concluíram que Franks teria cometido "o erro mais grave da guerra", ao ter deixado de enviar mais tropas terrestres norte-americanas para caçar Bin Laden em Tora Bora.

Rumsfeld e o general da Força Aérea, Richard Myers, comandante da Junta de Chefes do Estado Maior, defenderam Franks, que elaborou a estratégia de utilizar combatentes afegãos na batalha. Tal estratégia foi alterada em uma batalha subseqüente, em fevereiro, quando uma força liderada por mais de mil soldados norte-americanos derrotou outro agrupamento da Al Qaeda.

"E qual foi o saldo disso tudo? Bem, não foi ruim", afirmou Rumsfeld. "O Taleban acabou. A Al Qaeda está em debandada. Tudo foi feito com a utilização bastante efetiva de forças da coalizão, e considerando todos os fatores, tudo transcorreu rapidamente e tivemos sucesso".

"Tudo o que aconteceu sob o comando do general Franks pode ser descrito como uma operação de muito sucesso no Afeganistão", afirmou.

Myers disse que Franks tomou a decisão correta ao confiar nas forças terrestres afegãs em Tora Bora, já que teria sido difícil utilizar um grande número de soldados norte-americanos na operação porque, na época, "não contávamos com bases logísticas onde pudéssemos abrigas as tropas dos Estados Unidos".

"Discordo com essa versão de fracasso em Tora Bora", disse Myers durante a entrevista coletiva. "Creio que tivemos muito sucesso. Eu diria que, até o momento, Franks tem feito um excelente trabalho".

As Forças Especiais dos Estados Unidos desempenharam um papel crucial no conflito, treinando soldados afegãos e assinalando alvos para bombardeios aéreos contra esconderijos nas montanhas, enquanto os combatentes afegãos conduziam o combate terrestre direto contra as tropas da Al Qaeda. A combinação de ataques terrestres e aéreos acabou destruindo a base de resistência da Al Qaeda, que consistia de elaborados complexos subterrâneos escavados nas montanhas e em cavernas.



Tradução: Danilo Fonseca

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