General da Guerra do Golfo tem quase certeza de que Iraque será invadido

Eric Rosenberg
Da Hearst Newspapers
Em Washington

Embora o presidente Bush garanta não ter sobre sua mesa nenhum plano de guerra, o general reformado do Exército Barry McCaffrey, um dos principais comandantes americanos na Guerra do Golfo, afirma que os Estados Unidos provavelmente comandarão uma força de invasão formada por 100 mil ou 200 mil soldados que ingressarão no Iraque a partir de janeiro do ano que vem.

McCaffrey, um general reformado de quatro estrelas e ex-líder do combate às drogas durante o governo Clinton, afirmou que justificativa para uma invasão comandada pelos americanos seria impedir que Saddam Hussein avançasse na fabricação de armas de destruição em massa - especialmente de armas nucleares. O Iraque adota "uma conduta que transformará o país em uma grande ameaça para nós", disse ele em uma entrevista.

Como comandante da 24ª divisão da infantaria do Exército durante a Guerra do Golfo, McCaffrey, hoje com 59 anos, implementou a famosa manobra "gancho esquerdo", que fez sua divisão avançar mais de 300 quilômetros dentro do Iraque em quatro dias. Ele atualmente leciona segurança nacional na Academia Militar dos Estados Unidos em West Point.

É grande a probabilidade de uma invasão americana, a não ser que Hussein seja deposto por um golpe de Estado e substituído por alguma autoridade que se disponha a abdicar da fabricação de tais armamentos. "Entre as lideranças políticas e militares americanas há uma crença generalizada de que, caso seja necessário, estaremos prontos para empregar nossa força militar e derrubar este regime", afirmou McCaffrey. "E parece pouco provável que este regime extremamente despótico e brutal possa ser derrubado por outras armas além da guerra." McCaffrey é um dos militares de mais alta patente a defender publicamente a deposição de Saddam Hussein.

"Sobre minha mesa não há planos de guerra", afirmou Bush na semana passada durante visita à Alemanha. O presidente declarou ainda que "devemos empregar todos os recursos disponíveis para negociar com Saddam Hussein". No passado, Bush defendeu uma "mudança de regime" no Iraque.

McCaffrey afirma que, embora Bush não possua planos de guerra em sua mesa, o planejamento no Pentágono e no Comando Central dos Estados Unidos provavelmente já está em curso, uma vez que "passamos por uma situação de emergência" que se deve às intenções nucleares do Iraque.

No início do mês, o ex-comandante declarou em um simpósio do Exército e da Guarda Nacional em San Antonio que a guerra com o Iraque provavelmente teria início em janeiro. Suas observações foram à época noticiadas pelo San Antonio Express-News.

A escolha do período da invasão, disse ele em uma entrevista posterior, visava a evitar as temperaturas do verão no Golfo Pérsico, que poderiam prejudicar soldados e armamentos. Além disso, ele afirmou, o presidente provavelmente aguardaria as eleições de novembro para o Congresso antes de discutir o custo da invasão.

A Guerra do Golfo, de 1991, contou com um prelúdio de seis meses. Neste período, 500 mil miltares e um grande número de armas pesadas foram deslocados para a região. No entanto, McCaffrey afirma que a preparação desta vez deverá ser realizada em três meses e com um número bem menor de soldados.

Será necessário um número menor de soldados, ele afirma, porque a força militar iraquiana está debilitada. A invasão provavelmente partiria do Kuwait e contaria com o auxílio de aviões que partiriam dos numerosos porta-aviões presentes na região do Golfo Pérsico.

"Creio que possamos entrar (no Kuwait) em 90 dias com três divisões militares, 15 mil soldados das Operações Especiais prontos para ingressar a partir da Turquia e uma considerável força aérea que estaria de prontidão em alto mar", afirmou McCaffrey. "Podemos deslocar seis porta-aviões para a região e contar ainda com uma divisão da Fuzilaria Naval postada em outra região."

Agentes da CIA provavelmente já estariam presentes no Iraque 120 dias antes da invasão terrestre, determinando alvos e obtendo informações junto à oposição iraquiana. "A partir deste momento, poderíamos iniciar um ataque aéreo que duraria três dias. E teríamos o corpo de ataque do Exército seguindo do Kuwait rumo a Bagdá, e ele tomaria Bagdá em 72 horas", afirmou.

O principal problema de uma invasão, afirma, é que Saddam provavelmente empregaria armas químicas contra as forças americanas ou aliados da região, como Arábia Saudita e Israel. McCaffrey prevê que o número de baixas das forças americanas ficaria entre cem e cinco mil.

Já existem indícios de que os Estados Unidos venham deslocando para a região algumas de suas forças, que formariam a linha de frente da invasão. O Exército elevou o número de homens no Kuwait, aonde se encontram agora mais de 7 mil soldados americanos. O general do Exércto Tommy Franks anunciou em dezembro do ano passado que a sede do Terceiro Exército dos Estados Unidos havia sido transferida de Fort McPherson, Georgia, para o Kuwait. Além disso, o Exército americano deslocou equipamentos de comunicação - entre eles um sofisticado centro de operações aéreas - para o Qatar, um dos emirados do Golfo Pérsico.

"Já começamos a deslocar nossos equipamentos para a região", afirmou McCaffrey.

O Pentágono argumenta que o deslocamento de tropas faz parte da movimentação regular das forças militares.

Tradução: André Medina Carone

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