FBI quer voltar à cena do primeiro caso de antraz

Eric Rosenberg
Hearts Newspapers


WASHINGTON - Os investigadores do FBI que procuram pistas adicionais sobre quem é o responsável pelos mortíferos ataques com antraz, realizados no ano passado, planejam voltar à cena do primeiro crime, os escritórios lacrados da American Media Incorporation, na Flórida.

Judy Orihuela, porta-voz do escritório do FBI em Miami, disse que agentes do órgão querem examinar o interior do prédio, que está de quarentena desde o início de outubro do ano passado. "Antes, quando íamos lá, colhíamos amostras", afirmou Orihuela. "Acredito que os agentes queiram fazer uma investigação mais apurada".

Orihuela se recusou a fazer comentários sobre o que exatamente os investigadores do FBI estão procurando nas instalações da empresa que publica o "National Enquirer" e outros tablóides de supermercado.

Em uma outra ação, agentes do FBI revistaram na semana passada o apartamento em Maryland e o galpão de armazenagem na Flórida pertencente a Steven Hatffil, um ex-pesquisador do exército. O apartamento fica em Fort Detrick, Maryland, local onde estão instalados os laboratórios de biodefesa do exército dos Estados Unidos. O armazém fica em Ocala, Flórida, cerca de 370 quilômetros a noroeste dos escritórios da American Media Incorporation (AMI), na cidade costeira de Boca Raton.

Segundo autoridades policiais, Hatfill não está entre os suspeitos de terem realizado os atentados com antraz.

O prédio da AMI foi investigado pela última vez em outubro, quando investigadores usando roupas de proteção semelhantes a trajes de astronautas vasculharam as instalações da empresa em busca da fonte da bactéria do antraz que matou Robert Stevens, de 63 anos, que era editor de fotografia da AMI.

Stevens morreu no dia 7 de outubro, vitimado por antraz inalado, uma forma especialmente mortífera e rara da doença. Ele foi a primeira das cinco pessoas a morrer de antraz no ano passado, em um episódio que, segundo o FBI, teria sido parte de um ataque coordenado de bioterrorismo realizado por um indivíduo dotado de conhecimentos científicos e ligado a agências ou laboratórios que utilizam o antraz para estudos.

As outras mortes por antraz incluíram a de dois carteiros de Washington, D.C., a de um funcionário de um hospital de Nova York e de uma senhora idosa de Connecticut.

As autoridades acreditam que as mortes ocorreram após os indivíduos entrarem em contato com correspondências contaminadas com esporos do antraz. Os investigadores concluíram que havia esporos de antraz no teclado do computador de Stevens. Um outro funcionário que trabalhava no prédio da AMI foi tratado devido por ter tido contato com o antraz. Ele teve uma infecção cutânea, que é menos grave.

O FBI ainda não conseguiu prender ninguém ligado ao episódio. A agência gastou muita sola de sapato e muito fosfato em busca dos indivíduos que enviaram a bactéria pelo correio. Os agentes federais fizeram cerca de 6.000 interrogatórios e utilizaram aproximadamente 1.700 intimações judiciais.

O Departamento de Saúde do Condado de Palm Beach, na Flórida, lacrou os escritórios da AMI em 7 de outubro do ano passado, e, desde então, somente investigadores federais e equipes de conserto do sistema de ar-condicionado estiveram dentro do prédio. Tim O'Connnor, do Departamento de Saúde, afirma que o prédio "esteve praticamente intocado desde o incidente".

Os agentes do FBI vão voltar a entrar no edifício em um trabalho coordenado com uma equipe de dezenas de investigadores, incluindo cientistas do Centro de Prevenção e Controle de Doenças CDC) e da Agência de Registros de Substâncias Tóxicas e Doenças dos Estados Unidos, uma unidade do CDC especializada em gerenciar produtos nocivos à saúde pública.

"Tenho ouvido dizer que poderá haver operações no local por parte do FBI, tão logo deixemos o edifício", afirmou Elwin Grant, porta-voz do CDC, em Atlanta.

O CDC e a agência de controle de substâncias tóxicas querem ter acesso ao edifício com propósitos diferentes daqueles da investigação criminal. O que eles desejam é realizar testes que auxiliariam a frustrar os efeitos de futuros ataques com o antraz, afirmou Kathy Skipper, porta-voz da Agência de Registros de Substâncias Tóxicas e Doenças.

"Elaboramos uma proposta para entrar no edifício a fim de realizar um exame que tivesse utilidade prática", disse Skipper. Ela afirmou que o edifício da AMI seria um laboratório ideal para observar o comportamento do antraz em um ambiente de escritório.

"Se algum dia algo como isto tornar a acontecer, os testes nos ajudarão a entender melhor como o material se movimenta, quem pode correr maior risco devido a uma carta que entra no sistema, onde o antraz tem maior probabilidade de se dispersar e como ele poderia se dispersar", disse ela.

Os investigadores estão negociando a sua entrada no edifício com a AMI. Preocupados com a questão do seguro, os diretores da empresa dizem que são contra a entrada de qualquer pessoa no prédio até que o governo o adquira.

"O fato é o seguinte: este prédio é um perigo à segurança pública", disse Gerald McKelvey, porta-voz da AMI que mora em Nova York. McCalvey disse ainda que a companhia ofereceu as instalações ao governo federal.

Autoridades de saúde da Flórida disseram que dificilmente a AMI conseguiria convencer os funcionários a retornar ao prédio, ainda que ele fosse expurgado do antraz, como ocorreu no Senado dos Estados Unidos, em Washington. O prédio do Senado foi contaminado após uma carta contendo antraz ter sido enviada ao líder da maioria na casa, o senador Tom Daschle, democrata de Dakota do Sul.

Autoridades do setor de saúde ainda estão aguardando a esterilização do principal centro de triagem postal em Washington, onde dois trabalhadores dos correios contraíram o antraz.

Tradução: Danilo Fonseca

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