EUA negam ter rastreado terroristas antes de 11 de setembro

Stewart M. Powell
Hearst Newspapers
Em Alexandria (EUA)

Zacarias Moussaoui, acusado de participar dos ataques de 11 de setembro, tentou transformar seu julgamento em uma excursão pela Europa. Nestaa segunda-feira, ele pediu permissão ao juiz para viajar pela França, Reino Unido e Alemanha e reunir provas para sua defesa.

Moussaoui fez seu pedido em moções pré-julgamento na Corte Distrital dos EUA, no subúrbio de Washington.

Os promotores do Departamento de Justiça disseram ao juiz que Moussaoui não estava sendo vigiado antes dos ataques de 11 de setembro, assim como nenhum dos 19 seqüestradores. A promotoria estava respondendo às alegações do réu, que tinha sido vigiado por investigadores federais no verão passado. Segundo o acusado, as informações obtidas pelo FBI provariam que ele não tinha tido papel nos ataques.

Cidadão francês de descendência marroquina, Moussaoui, 34, continua a ser a única pessoa indiciada nos EUA por conexão com os ataques terroristas. O julgamento por conspiração, que poderá levar à pena de morte, está marcado para começar no dia 30 de setembro. Moussaoui está fazendo sua própria defesa.

"Preciso investigar o caso no exterior", insistiu Moussaoui em uma moção escrita à mão, de quatro páginas, em papel de caderno. Esta foi uma das 17 moções divulgadas na segunda-feira, antes do prazo final de 8 de julho para moções pré-julgamento.

"O dia do julgamento é 8 de julho. Preciso ter permissão de investigar o caso na França, Reino Unido, Alemanha, etc., para compelir o governo e o FBI a admitirem sua operação de vigilância contra mim e os 19 seqüestradores", insistiu Moussaoui.

Em outra moção, Moussaoui diz que tem apenas até o dia 8 de julho para salvar sua vida, acrescentando: "Preciso contatar essas instituições européias, para que levem seus governos a revelar publicamente sua cooperação com o FBI. Preciso que revelem sua colaboração na minha vigilância e dos 19 seqüestradores, antes de 11 de setembro".

Moussaoui citou a Corte de Justiça Internacional das Nações Unidas em Haia; o Tribunal de Justiça da União Européia e o Parlamento Europeu.

Os promotores do Departamento de Justiça pediram ao juiz Leonie M. Brinkema que rejeitasse os pedidos de Moussaoui, já que "o réu pode usar o telefone". Eles disseram que seu pedido de viajar para o exterior para desenvolver sua defesa era "frívolo".

Moussaoui continua sob custódia, sem direito à fiança. Segundo escreveram os promotores, ele ainda é um perigo à comunidade e pode tentar fugir.

Promotores refutaram as alegações de Moussaoui que agências de inteligência americanas ou o FBI o estivessem vigiando ou os 19 agentes da Al Qaeda, antes dos ataques.

Os promotores do Departamento de Justiça, chefiados pelo promotor geral, Paul J. McNulty, e o promotor chefe do julgamento, Robert A. Spencer, escreveram: O governo americano "não vigiou nenhum dos 19 seqüestradores enquanto estavam nos EUA" e "não tem conhecimento de operações de vigilância" de Moussaoui por governos estrangeiros.

Altas autoridades americanas disseram que não tinham idéia dos ataques suicidas sincronizados, nos quais quatro aviões de passageiros foram jogados deliberadamente contra o World Trade Center, o Pentágono e um campo no oeste da Pensilvânia, matando quase 3.000 pessoas.

Moussaoui alega que o FBI inseriu instrumentos de "escuta e rastreamento" em suas malas, durante um vôo de Chicago para Oklahoma, onde fez seu treinamento de vôo.

"O FBI está maliciosamente perseguindo o escravo de Alá, Zacarias Moussaoui, apesar de ter amplo conhecimento sobre o que (ele) estava fazendo nos EUA e que não estava ligado aos chamados 19 seqüestradores", afirmou Moussaoui.

No dia dos ataques, Moussaoui estava sob custódia no Minnesota. Ele foi preso sob acusação de violação de leis de imigração, no dia 16 de agosto, quase um mês antes dos ataques, depois que instrutores de vôo expressaram dúvidas quanto ao propósito de suas aulas particulares.

Promotores concordaram que Moussaoui examinasse seus pertences pessoais antes do julgamento, apreendidos pelo FBI quando foi preso em Minneapolis.

William Dyson, funcionário aposentado do FBI e especialista em contra-terrorismo, confirmou que o FBI tem a capacidade técnica de rastrear suspeitos, como alega Moussaoui. A tecnologia é similar à utilizada por navegadores e excursionistas, indicando sua localização em caso de resgate.

Dyson, no entanto, disse que seria preciso "muito trabalho para rastrear alguém o tempo todo, especialmente alguém que viajasse por todo o país, como fazia Moussaoui". Ele concluiu: "Duvido que Moussaoui encontre essa espécie de aparelho ao examinar seus pertences".

Dyson disse que Moussaoui pode alegar que o aparelho tenha sido removido pela polícia, para evitar recursos à condenação.

Dyson disse não estar envolvido nem conhecer o caso de Moussaoui.

Tradução: Deborah Weinberg

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