Estudo demonstra que suspeitos de terrorismo entram legalmente nos EUA

Mark Helm
Hearst Newspapers
Em Washington (EUA)

Ao contrário da crença de que os terroristas se infiltram ilegalmente nos Estados Unidos, a maior parte dos 48 suspeitos de serem terroristas que entraram no país na última década o fez pela porta da frente, tendo vivido no país como imigrantes legais, cidadãos naturalizados ou beneficiários de asilo político, segundo um novo estudo sobre imigração.

O estudo, entitulado "The Open Door: How Militant Islamic Terrorists Entered and Remained in the United States" ("A Porta Aberta: Como Terroristas Militantes Muçulmanos Entraram e Permaneceram nos Estados Unidos"), descobriu que um terço -- ou 16 -- dos terroristas estava no país com vistos temporários legais, fingindo ser estudantes, turistas e empresários em viagens de negócios. Outros 17 moravam nos Estados Unidos como residentes permanentes legais ou como cidadãos naturalizados. Três tinham se inscrito para a obtenção de asilo.

Somente 12 dos terroristas eram estrangeiros que estavam ilegalmente no país. Neste grupo, nove entraram nos Estados Unidos legalmente, com vistos temporários, tendo simplesmente permanecido no país após o vencimento dos vistos. Só três cruzaram a fronteira ilegalmente.

O estudo foi realizado pelo Centro de Estudos sobre Imigração, um grupo de pesquisas sem fins lucrativos, com sede em Washington, que é a favor de leis de imigração mais rígidas. O estudo examinou a situação, segundo as leis de imigração, dos 48 terroristas nascidos no exterior que foram acusados, condenados, ou que admitiram culpa ou o envolvimento em atos de terrorismo nos Estados Unidos desde 1993. Os 19 sequestradores suicidas dos ataques de 11 de setembro foram incluídos no estudo.

O autor do trabalho, Steven A. Camarota, disse que essas revelações mostram que o sistema de imigração dos Estados Unidos necessita de sofrer uma reforma completa.

"Considerando que todos os setores do nosso sistema de imigração foram explorados pelos terroristas, não podemos reformar apenas uma área; temos que atacar todas as facetas do problema", diz ele.

Camarota recomendou quatro reformas para melhorar o sistema de imigração dos Estados Unidos:

- Instituir entrevistas pessoais e pesquisas de antecedentes mais rigorosas para todos os que se candidatem à obtenção de vistos. Camarota afirma que vários dos terroristas que possuíam vistos temporários tinham passagens em suas fichas que deveriam ter impedido que obtivessem a autorização para entrar no país.

Por exemplo, o egípcio Sheik Omar Abdel Rahman, uma figura bem conhecida por possuir ligações com terroristas, recebeu um visto de turista, apesar de estar em uma "lista de vigilância", um banco de dados com pessoas que não podem receber vistos nem obter permissão para entrar no país. Rahman foi condenado em 1995, devido a um complô terrorista para explodir monumentos em Nova York e, atualmente, cumpre pena de prisão perpétua em uma penitenciária federal.

- Aplicar de forma mais rigorosa as leis nos Estados Unidos. O estudo demonstrou que pelo menos nove dos terroristas vivendo nos Estados Unidos violaram a lei de imigração ao ficar no país após o vencimento dos vistos.

- Aumentar o policiamento das fronteiras. Em 1999, um complô para explodir bombas no Aeroporto Internacional de Los Angeles foi desbaratado por um oficial da alfândega no Estado de Washington, que percebeu o comportamento estranho de um homem que tentava entrar no país a partir do Canadá.

- Reduzir o número de imigrantes, tanto permanentes quanto temporários. Camarota diz que, em se concedendo menos vistos, o Serviço de Imigração e Naturalização (INS) seria capaz de concentrar mais recursos nas pesquisas de antecedentes dos candidatos à imigração. Além disso, o INS contaria com um menor número de pessoas para vigiar dentro dos Estados Unidos.

"Precisamos verificar de maneira mais cuidadosa os antecedentes de todos os que solicitam vistos, patrulhar melhor as fronteiras, fazer cumprir com rigor as leis no país e, o mais importante, reduzir os índices de imigração, a fim de dar ao INS um espaço para respirar, de forma que o órgão consiga implementar reformas fundamentais", diz ele.

Em novembro, o secretário de Justiça, John Ashcroft, anunciou uma grande reformulação do INS, de forma que fossem criados dois novos departamentos para administrar as principais funções da agência, que são atender aos imigrantes e patrulhar as fronteiras da nação, a fim de bloquear a entrada de terroristas.

"Os ataques terroristas de 11 de setembro demonstraram da forma mais dolorosa para os norte-americanos que precisamos de um melhor controle sobre os indivíduos de outros países que vêm para os Estados Unidos", disse Ashcroft, em uma entrevista à imprensa.

Ashcroft disse que o INS, uma agência do Departamento de Justiça, dotada de 34 mil funcionários, seria dividida em um serviço para imigrantes e um departamento policial das leis de imigração. Atualmente, o INS conta com 33 escritórios distritais e 21 de Patrulha de Fronteira, encarregados de desempenhar ambas as tarefas.

Tradução: Danilo Fonseca

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