Zacarias Moussaoui admite ser membro da Al Qaeda

Stewart M. Powell
Hearst Newspaper
Em Alexandria (EUA)

Acusado de conspirar para os sequestros dos aviões utilizados nos ataques de 11 de setembro, Zacarias Moussaoi afirmou na quinta-feira (18) ser seguidor de Osama Bin Laden e admitiu ser membro da rede extremista Al Qaeda, em uma tentativa de admitir oficialmente a sua culpa perante a justiça federal. A punição para as acusações que pesam sobre ele é a pena de morte.
AFP
Foto de arquivo de Zacarias Moussaoi


A juíza federal Leonie M. Brinkema disse a Moussaoui, um cidadão francês de 34 anos, que aceitaria a sua alegação de culpa, mas deu ao acusado uma semana para reconsiderar a sua decisão.

Brinkema, que é ex-promotora federal, também disse a Moussaoui que ele poderia considerar a possibilidade de pedir uma barganha à promotoria, baseada na sua admissão de culpa -- um compromisso segundo o qual ele diria aos promotores aquilo que sabe sobre a Al Qaeda e estes, em troca, concordariam em não pedir a pena de morte.

Moussaoui, que não é formado em direito, mas está atuando como o seu próprio advogado de defesa, abalou a sala de julgamento ao admitir que é membro da Al Qaeda desde 1995, além de proclamar a sua lealdade a Bin Laden -- o líder da organização -- e ter admitido ser culpado.

O fato aconteceu após 29 minutos de um interrogatório de rotina, referente a uma terceira versão da acusação federal, que apontava para a existência de circunstâncias agravantes nos supostos crimes, o que permitiria que os promotores pedissem a pena de morte.

"Eu, Zacarias Moussaoui, no interesse de preservar a minha vida, admito com plena consciência a minha culpa porque tinha conhecimento e participei da Al Qaeda", disse Moussaoui na sala lotada. "Sou membro da organização. Assumo a minha bayat (lealdade) a Osama Bin Laden".

Brinkema, demonstrando sua impaciência com a manobra de Moussaoui no tribunal, advertiu que, o que quer que ele falasse na sala de julgamento poderia ser usado contra si pelos promotores.

Mas Moussaoui continuou, alegando que tinha "certo conhecimento" sobre os ataques de 11 de setembro, inclusive de quando foi tomada a decisão para atacar, de quem participaria e de quem realmente realizaria os atentados. Ele disse que era membro da Al Qaeda e que tem informações sobre outros planos terroristas, e acrescentou: "Tenho muita informação para fornecer ao povo norte-americano sobre uma conspiração existente".

Brinkema entrou com um pedido de inocência a favor de Moussaoui e -- após ele ter sinalizado que, possivelmente, possuía informações úteis sobre uma conspiração extremista em andamento -- a juíza pediu que o réu explorasse a possibilidade de fazer um acordo com os promotores do Departamento de Justiça a fim de tentar conseguir uma redução das acusações ou evitar o pedido da pena de morte.

Moussaoui não deu indicações de que poderia buscar tais negociações nem os promotores do Departamento de Justiça demonstraram qualquer interesse nessa possibilidade.

Brinkema avisou a Moussaoui que ele não poderia retirar a sua admissão de culpa, assim que ela fosse feita formalmente e aceita pelo tribunal. "Você não pode admitir a culpa e depois dizer, 'Mas eu não fiz isso, não fiz aquilo e fulano fez tal coisa'", advertiu a juíza.

Mas ela acrescentou: "Caso você queira mesmo admitir a culpa pelas acusações feitas neste caso, eu te concederei esse direito, mas quero que pense um pouco, para avaliar se é isso mesmo o que deseja fazer".

Moussaoui respondeu: "Não preciso de tempo algum. Tenho pensado sobre isso há meses".

Brinkema disse que marcaria uma audiência para a próxima quinta-feira "para determinar se o réu continuará a admitir a culpa pelos crimes".

"Pode apostar que continuarei", respondeu Moussaoui.

O chefe da promotoria, Robert A. Spencer, disse ao júri que "também não vê nenhum impedimento" para que a admissão de culpa feita por Moussaoui seja aceita pela juíza.

Tradução: Danilo Fonseca

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