Israel poderá usar armas nucleares se ficar contra parede

Eric Rosenberg
Hearst News Papers
Em Washington (EUA)

Apesar do governo Bush execrar o desenvolvimento de armas de destruição em massa por Bagdá, o Iraque não é o único país do Oriente Médio aperfeiçoando este tipo de armamento. Israel vem desenvolvendo armas nucleares desde os anos 50, e atualmente acredita-se que tenha um arsenal estimado em até 400 bombas atômicas.

A existência de armas nucleares israelenses, que Jerusalém se recusa a confirmar ou negar, tem servido ao Estado judeu como um desencorajamento aos seus vizinhos muçulmanos -a maioria dos quais não reconhece a legitimidade do país e vários dos quais têm pedido pela sua destruição e a de seus habitantes.

A resposta padrão do governo israelense às perguntas sobre as aspirações nucleares do país por muitos anos tem sido: "Nós não seremos os primeiros a introduzir armas nucleares no Oriente Médio".

Mas agora que os Estados Unidos estão prestes a liderar um ataque militar para derrubar Saddam Hussein do Iraque, especialistas militares estão discutindo a possibilidade de Israel ser levado à beira de uma guerra nuclear. O estopim seria um ataque de um míssil Scud iraquiano contra Israel, carregado com ogivas contendo armas radiológicas, químicas ou biológicas.

Durante a Guerra do Golfo Pérsico de 1991, Saddam Hussein disparou 39 Scuds armados de forma convencional contra Israel, mas sob enorme pressão dos Estados Unidos o país não retaliou. Autoridades israelenses acreditam que a falta de resposta foi um erro estratégico, minando a credibilidade militar do país entre seus inimigos. Hussein também disparou mísseis Scud contra a Arábia Saudita. Um destes ataques matou 28 soldados americanos e feriu muitos outros em Dhahran.

Desta vez, caso Scuds caiam em cidades israelenses, especialmente armadas com ogivas de destruição em massa, as autoridades israelenses indicaram que contra-atacarão o Iraque de forma extremamente dura.

Dori Gold, um conselheiro do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, alertou o Iraque sobre as conseqüências devastadoras de um ataque de Hussein a Israel. "Israel não é apenas capaz de resistir a um ataque do Iraque, mas também é capaz de revidar da forma devida", disse ele no mês passado. "Nós temos todo o necessário para isto, assim como plena liberdade de ação para proteger a população deste país em caso do Iraque ainda ousar lançar uma guerra contra a comunidade internacional".

O ex-oficial do Pentágono e da Otan, Anthony Cordesman, agora um analista proeminente de um centro de estudos em Washington, acredita que Israel poderia usar tais armas caso fosse colocado contra a parede em um novo confronto com o Iraque. Cordesman, um analista militar do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, disseram que o uso de armas de destruição em massa por parte do Iraque contra Israel "levaria Israel à beira de usar armas nucleares e muito mais, da mesma forma que ocorreria conosco".

Em um novo relatório sobre a capacidade militar iraquiana, Cordesman expõe vários cenários nos quais Israel pode sofrer um ataque do Iraque.

- Diante de um ataque americano para derrubar Saddam Hussein, o Iraque lança um ataque de mísseis contra as cidades israelenses. No melhor cenário, os mísseis causam poucas vítimas. Mas fazendo valer sua ameaça de retaliação, Israel pode decidir lançar ataques convencionais contra centros econômicos e militares no Iraque. A extensão da reação militar israelense depende de quão rapidamente o país for capaz de determinar se os Scuds iraquianos contêm ou não ogivas não-convencionais. Os líderes israelenses também avaliariam se ameaçam uma retaliação nuclear ao Iraque além de um aumento dos ataques convencionais.

- No pior cenário, o Iraque dispara armas convencionais contra os centros populacionais israelenses de Tel-Aviv e Haifa, causando danos devastadores e forçando o país a enfrentar uma ameaça a sua existência. "Nestas condições, (Israel) poderia declarar abertamente sua capacidade nuclear e ameaçar uma retaliação nuclear contra as cidades e forças militares iraquianas em um esforço para deter a ação iraquiana", escreveu Cordesman. No mínimo, Israel provavelmente responderia com um ataque convencional devastador.

- Mas em caso do Iraque atacar Israel com armas de destruição em massa causando baixas devastadoras, "Israel provavelmente retaliaria maciçamente com explosões nucleares de solo contra qualquer cidade iraquiana ainda não ocupada pelas forças da coalizão liderada pelos americanos", ele escreveu. "Israel provavelmente assumiria a postura de retaliar agressivamente qualquer esforço sírio ou palestino para explorar os ataques iraquianos", ele acrescentou.


Tradução: George El Khouri Andolfato

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