Casa Branca incorreria em déficits para financiar guerra no Iraque

Stewart M. Powell
The New York Times
Em Washington (EUA)

Em caso de operação militar no Iraque, o presidente George W. Bush optará por assumir novos déficits, de bilhões de dólares, ao invés de recorrer a um aumento nos impostos. A revelação foi feita pelo diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, Mitchell E. Daniels, na terça-feira (24).

Segundo Daniels, Bush também seria forçado a abandonar sua meta de equilibrar o orçamento até 2005. Desafios "excepcionais", com o patrocínio da guerra crescente contra o terrorismo no mundo todo e a queda da receita federal e desaquecimento econômico, impediriam o resultado positivo.

"Devemos procurar um orçamento federal equilibrado com tanto vigor quanto possível, sem interferir nos objetivos de vida e morte do país", declarou Daniels.

Um orçamento equilibrado "não é um fim em si mesmo", disse Daniels aos repórteres. "É por isso que os defensores mais ardentes de equilíbrio no orçamento sempre salientaram que existem exceções razoáveis -guerra, recessão, emergências e assim por diante".

Daniels disse que acabar com o déficit federal até 2005 seria "muito difícil". Ele apontou como causas a arrecadação drasticamente inferior pelo desaquecimento econômico e o desmoronamento do mercado de ações e "a forte possibilidade de mais gastos, além do que foi pedido", na guerra contra o terrorismo.

A última vez que o orçamento federal esteve positivo foi em 2001.

A Câmara dos Deputados, liderada pelos republicanos, começará um debate na próxima semana sobre a requisição pela Casa Branca para autorizar o uso de força militar. O Senado, liderado pelos democratas, deve começar seu debate na semana seguinte.

Os congressistas pretendem entrar em recesso em meados de outubro, para voltar para casa e fazer campanha para as eleições do Congresso em 5 de novembro. Na última pesquisa nacional de opinião, 57% dos entrevistados foram a favor do envio de forças americanas para derrubar o líder iraquiano Saddam Hussein; 38% se opuseram ao esforço.

Em sua estimativa mais recente, antes da guerra, o Escritório de Orçamento do Congresso previu que o governo Bush sofreria quatro anos de gastos deficitários, em um total de US$ 452 bilhões de 2002 a 2005, antes de voltar a ter superávit, em 2006, de US$ 15 bilhões.

Daniels disse que Bush daria ao Congresso "uma vaga idéia" dos custos projetados para as operações militares americanas, antes dos congressistas votarem. Explicou que as estimativas podem ser pouco acuradas por causa de várias incertezas, como a amplitude de um possível conflito, a contribuição dos aliados, a duração da reconstrução pós-guerra do Iraque e se as reservas iraquianas de petróleo conquistadas seriam usadas para abater os custos.

Daniels disse ter se reunido, na segunda-feira, com a assessora de segurança nacional, Condoleezza Rice, para discutir os custos de vários cenários de combate.

"A melhor coisa que podemos fazer agora é tentar ter um retrato claro das alternativas -aonde podem nos levar e o que podem nos custar", disse Daniels. Segundo ele, seria difícil dar estimativas gerais, por causa de "algumas áreas importantes de total incerteza".

O diretor de orçamento, entretanto, insistiu que as projeções de custos das operações militares no Iraque não deveriam influenciar a decisão dos congressistas quanto à autorização do uso de força. "Quando a segurança da nação está em jogo, custo é uma conseqüência e não um fator decisivo", disse.

"Estou certo que o Congresso terá uma estimativa grosseira (dos custos) quando tiver que votar; terá, pelo menos, uma ordem de magnitude".

Tradução: Deborah Weinberg

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