Bush acredita que ONU apoiará resolução contra o Iraque

Stewart M. Powell
Hearst Newspapers
Em Washington (EUA)

O presidente Bush previu nesta quinta-feira que o Conselho de Segurança da ONU irá aprovar o programa de combate às armas iraquianas de destruição em massa orquestrado pelos Estados Unidos e defendido por ele desde setembro.

Bush, que exalava otimismo após a vitória dos republicanos nas eleições para o Congresso, afirmou ter conversado pelo telefone com o presidente russo Vladimir Putin e com o francês Jacques Chirac para remover os impasses restantes para a obtenção de uma resolução da ONU que solicitasse o imediato desarmamento do Iraque. Rússia e França, ao lado de China, Inglaterra e Estados Unidos, são os países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.

"Estou otimista porque teremos a resolução amanhã", afirmou Bush. "Quando esta resolução for aprovada eu poderei -- ou melhor, nós poderemos -- dizer que a ONU reconheceu a ameaça e que agora trabalharemos em conjunto para desarmar [Saddam]". Bush parecia alegre e seguro de si durante esta entrevista de 47 minutos -- seu primeiro encontro com repórteres após a histórica vitória dos candidatos republicanos em eleições realizadas durante o mandato presidencial, e que garantiu ao partido o controle do senado e uma ampliação de sua maioria na Câmara dos Deputados.

Bush ainda:

- Anunciou que o vice-presidente Dick Cheney seria seu companheiro de chapa em 2004 caso ele concorra à reeleição. "Tenho fé que ele permanecerá por mais um mandato", afirmou Bush. Cheney, 62, um profundo conhecedor dos bastidores de Washington, sofreu o primeiro de seus quatro ataques cardíacos em 1978, foi submetido a cirurgias de ponte de safena e implantou um marca-passo.


- Solicitou que o Congresso aprovasse prontamente seu projeto pra a criação de um Departamento de Segurança Nacional, que terá status de ministério. "A eleição pode ter acabado, mas a ameaça terrorista continua a ser real", advertiu Bush.

- Solicitou ao Comitê Judiciário do Senado, controlado por democratas até janeiro, que colocasse em votação duas nomeações para o Poder Judicia'rio na última sessão legislativa de sua atual composição, que acontecerá no dia 12 de novembro. Foram nomeados para a Suprema Corte de Justiça do Texas uma juíza (Priscila Owen) e ainda um juiz para a Corte Distrital dos Estados Unidos (Charles Pickering).

- Atribui aos candidatos republicanos, e não a suas viagens eleitorais, a responsabilidade pela maior vitória obtida por um presidente republicano em eleições realizadas durante o mandato presidencial desde a primeira candidatura de um republicano à presidência, em 1856. "Obrigado por tentarem atribuí-la a mim, mas vocês merecem o crédito", disse Bush.

A aprovação de uma nova resolução -- revisada pelos Estados Unidos -- a respeito do Iraque no Conselho de Segurança representará uma vitória do presidente americano, que tem pressionado por uma ação internacional contra o ditador iraquiano Saddam Hussein. "Chegou a hora em que o mundo deve se unir e desarmá-lo", declarou Bush na quinta-feira. "Caso ele não desarme o país, nós iremos desarmá-lo para tornar o mundo mais pacífico".

Bush afirmou que Hussein enfrentaria "graves conseqüências" caso não desse imediatamente início a um desarmamento supervisionado pelos inspetores de armas da ONU que deverão ser enviados ao Iraque para averiguar a destruição de armas químicas e biológicas, e instalações nas quais são elaborados materiais para a fabricação de armas nucleares.

"Ele tem a responsabilidade de se desarmar", declarou Bush. "Não defino prazos finais para coisa alguma, mas em nome da paz, digo que o quanto antes, melhor".

Bush afirmou que caso Hussein não colaborasse, "os Estados Unidos e seus parceiros se articulariam prontamente para realizar a tarefa pela força -- não tenham a menor dúvida". Bush disse que a guerra "não era a minha primeira escolha -- é minha última escolha. Mas mesmo assim, ela é uma alternativa para tornar o mundo um lugar mais tranqüilo". O presidente destacou que inspeções imediatas da ONU que monitorassem o desarmamento iraquiano ou uma ação militar americana preventiva seriam necessárias para refrear a busca do governo de Bagdá por armas nuclear que poderiam ser repassadas à rede terrorista Al Qaeda de Osama bin Laden.

Bush declarou que "uma rede nos moldes da Al Qaeda, treinada e armada por Saddam, poderia atacar os EUA e não deixar um vestígio sequer. Esta é uma das ameaças, e nós iremos enfrentá-la".

Em Nova York, logo após o encontro de Bush com repórteres, diplomatas franceses divulgaram um acordo entre França e Estados Unidos para uma nova resolução que seria votada na sexta-feira.

Esta resolução iria:

- Exigir que o governo de Bagdá concedesse aos novos inspetores da ONU "acesso imediato, livre, incondicional e irrestrito a todos e quaisquer" locais, inclusive oito vastos territórios presidenciais que antes só foram visitados por inspetores após um comunicado prévio.

- Conceder aos inspetores da ONU 45 dias par o início das inspeções e solicitar que eles encaminhassem seus resultados ao Conselho de Segurança após 60 dias. Caso a medidas fosse adotada e entrasse em vigor na sexta-feira, o Iraque teria até o dia 21 de fevereiro de 2003 para adequar-se plenamente à resolução.

- Recomendar aos inspetores da ONU que informem ao Conselho de Segurança qualquer descumprimento das determinações pelo Iraque para que uma ação possa ser definida.

Bush argumenta que os Estados Unidos não necessitariam de uma aprovação subseqüente do Conselho de Segurança para iniciar operações militares destinadas a impor o desarmamento iraquiano. Bush conquistou autorização do Congresso em outubro para utilizar o poderio militar contra o Iraque a qualquer momento e por quaisquer motivos.

O presidente americano afirmou que não iria tolerar qualquer descumprimento iraquiano das regras que figurariam na 17a resolução do Conselho de Segurança a determinar o desarmamento do país.

"Esperamos, pela 17a vez, que Saddam se desarme. Desta vez estamos falando sério. Vejam bem, esta é a diferença. Desta vez será para valer".

Tradução: André Medina Carone

UOL Cursos Online

Todos os cursos