Bush promete operação militar caso Iraque não cumpra determinações da ONU

Stewart M.Powell
Hearst Newspapers
Em Washington (EUA)

O presidente Bush marcou o Dia dos Veteranos com a promessa de "aplicar todo o poderio e o vigor" das forças militares americanas para obrigar o Iraque a acatar a exigência de desarmamento feita pela ONU.

Bush lançou sua denúncia durante as cerimônias realizadas na Casa Branca e no Cemitério Nacional de Arlington enquanto o parlamento iraquiano abria seu debate sobre o requerimento feito pelo Conselho de Segurança da ONU.

O Conselho de Segurança da ONU concedeu a Bagdá sete dias para que aceitasse os termos da ONU -- ou seja, até terça-feira. O Iraque terá até o dia 8 de dezembro para produzir uma relação completa de programas proibidos para armas químicas, biológicas ou nucleares, e até o dia 23 para readmitir o ingresso de inspetores de armas da ONU.

A aceitação dos termos da ONU por parte dos parlamentares iraquianos concederia a Hussein uma boa saída para que acolhesse as demandas da ONU, pois lhe permitiria alegar que apenas acatou a vontade dos representantes do povo iraquiano. O Conselho do Comando Revolucionário do Iraque, selecionado pessoalmente por Hussein, terá a palavra final.

Bush destacou sua disposição para garantir a atuação da ONU com ações militares comandadas pelo exército americano, após ter conquistado o apoio do Conselho de Segurança que já vinha buscando desde o dia 12 de setembro.

"O ditador iraquiano irá desarmar-se inteiramente -- ou então os Estados Unidos comandarão uma coalizão que irá desarmá-lo", disse Bush a veteranos de guerra, oficiais e familiares durante a cerimônia do Dia dos Veteranos, sob uma forte chuva, no Cemitério Nacional de Arlington.

Bush fez uma advertência igualmente severa em uma cerimônia na Casa Branca, e frisou que não seria mais permitido ao Iraque recorrer à "má-fé sistemática" para esquivar-se do desarmamento imposto pela ONU após o término da Guerra do Golfo, em 1991. "Este jogo acabou", afirmou Bush.

Bush iniciou suas homenagens aos 25 milhões de veteranos americanos com uma visita matinal ao Memorial dos Veteranos do Vietnã, onde fincou uma bandeira americana e uma medalha com o formato de uma medalha na base da parede de mármore escuro onde figuram os nomes de mais de 58 mil soldados que morreram em combate no Vietnã. A moeda reedita uma antiga tradição do exército americano, na qual comandantes generosos concediam aos seus soldados prediletos uma moeda para demonstrar sua admiração.

Em seus comentários, Bush reiterou na segunda-feira que o descumprimento pelo Iraque das restrições impostas pela ONU às armas de destruição em massa abriam espaço para se imaginar que Hussein poderia transferir estas armas a soldados da rede terrorista Al Qaeda, o que permitiria a Osama bin Laden intensificar sua campanha terrorista contra os Estados Unidos "em mil vezes".

"O momento para se enfrentar esta ameaça é antes que ela chegue -- e não no dia seguinte", declarou Bush.

Nem Bush e nem qualquer outro integrante do governo apresentou provas de que haveria alguma ligação entre Hussein e bin Laden. Bush fez seu pronunciamento um dia após autoridades do governo terem disseminado a notícia de que o presidente aprovara planos iniciais para uma invasão ao Iraque com 250 mil soldados que ocorreria caso o governo de Bagdá não cumprisse os termos do desarmamento definido da ONU.

Não se sabe ao certo se as ameaças de Bush e os vazamentos de esboços de operações de guerra teriam sido programados com a intenção de reforçar a pressão para que Bagdá cumprisse as determinações do Conselho de Segurança ou alertar a população americana sobre a possibilidade da guerra.

A resolução do Conselho de Segurança da ONU -- adotada na última sexta-feira -- concede ao Iraque "uma oportunidade final para acatar seu compromisso de desarmamento" ao aceitar o regresso de inspetores da ONU que implementariam "inspeções imediatas, incondicionais, irrestritas e desimpedidas" em qualquer local e a qualquer momento, acompanhados pelo "número necessário de guardas de segurança da ONU".

Autoridades iraquianas condenaram ferozmente as determinações da ONU, enquanto o parlamento iraquiano se preparava para uma votação que definiria sua aceitação e provavelmente ocorrerá já nesta terça-feira.

Salim al-Koubaisi, presidente do comitê de relações exteriores do Parlamento, conclamou os congressistas a rejeitarem a resolução da ONU. Entretanto o porta-voz do parlamento, Saadoun Hamadi, não rejeitou abertamente a resolução da Onu, ainda que tenha ali identificado "más intenções", "falsidade", mentiras"

A resolução da ONU "visa gerar crises ao invés de cooperação, e abre caminho para a agressão, e não para a paz", ele advertiu. "Ela revela de modo flagrante as más intenções do governo americano".

Tradução: André Medina Carone

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