Greenspan acredita que economia dos EUA sairá de "situação delicada"

Marilyn Geewax
Hearst Newspapers
Em Washington (EUA)

O presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, previu que a economia sairia da atual "situação delicada", atribuída por ele aos escândalos corporativos e à ameaça de uma guerra contra o Iraque.

O presidente Bush prontamente reconheceu que o desempenho da economia é inferior ao esperado, mas será melhor.

"Ele empregou a expressão 'situação delicada'. Prefiro as palavras 'seguindo adiante'. Nós dois compreendemos que nossa economia ainda não demonstra o vigor que terá", disse Bush a repórteres na Casa Branca. "Nossa tarefa aqui em Washington será propiciar o ambiente necessário para que as pessoas se sintam à vontade para arriscar seus capitais".

Na quinta-feira, investidores poderão obter uma noção mais precisa dos rumos da economia tão logo o Departamento de Comércio divulgue os números das vendas do varejo para outubro e o Departamento do Trabalho traga os números semanais do desemprego. Na sexta-feira, a Universidade de Michigan apresentará sua detalhada pesquisa mensal a respeito da confiança do consumidor, e o Fed anunciará os números da produção industrial para o mês de outubro.

Os economistas buscarão sinais de que os consumidores gastarão com liberdade na próxima temporada de férias.

Greenspan, que depôs ao Comitê Misto de Economia do Congresso, afirmou que nos últimos tempos o consumidor "tem sido a mola propulsora desta expansão".

Entretanto, por conta da queda dos preços de ações, cortes de empregos e temores quanto ao terrorismo, "os gastos dos consumidores decaíram ao longo do último ano", ele afirmou. "As famílias passaram a ser mais cautelosas com suas compras, enquanto os gastos industriais ainda deverão apresentar algum vigor realmente substancial".

O principal fator para a recuperação dos gastos de consumidores tem sido a queda dos juros para hipotecas, ele afirmou. Os juros baixos permitiram que milhões de americanos refinanciassem suas hipotecas e contassem com mais dinheiro para comprar carros e outros itens.

"Um dólar extraído do setor imobiliário possui um efeito mais vigoroso sobre o gasto dos consumidores do que uma alteração de um dólar no valor das ações ordinárias", afirmou Greenspan.

As hipotecas mais baratas contribuem para que os americanos absorvam os grandes ataques, como o colapso das ações do setor tecnológico e os ataques terroristas,, e assim a economia deu provas de sua "resistência extraordinária", ele afirmou. Greenspan notou que o Produto Interno Bruto cresceu 3% no decorrer dos últimos quatro trimestres -- "um ritmo bastante respeitável, se levarmos em conta os golpes sofridos pela economia".

De fato, ele prosseguiu, a economia deveria reunir condições para "sair desta situação delicada e dar início a uma aceleração".

Entretanto Greenspan afirmou que, por causa das incertezas sobre as práticas contábeis das corporações, uma recuperação vigorosa está longe de ser algo garantido. Um empenho para se restaurar a confiança dos investidores esbarrou em dificuldades por conta das turbulências no comando da SEC (Securities and Exchange Comission, equivalente americano da Comissão de Valores Mobiliários). Além disso, os investidores estão cientes de "riscos geopolíticos", como uma possível guerra entre Estados Unidos e Iraque.

Por conta destas incertezas, o Fed decidiu na última semana rebaixar a taxa de fundos federais -- isto é, os juros cobrados pelos bancos para empréstimos de overnight -- em 0,5%, para a surpreendente marca de 1,25%, afirmou Greenspan. Trata-se do mais baixo patamar dos últimos 41 anos.

Caso a economia voltasse a atuar em pleno vapor de uma hora para outra, o Fed prontamente elevaria a taxa de juros para garantir que a inflação não irá crescer, ele afirmou.

O Fed permanece atento a sinais de uma queda contínua dos preços, afirmou Greenspan, mas até o momento "nossa conclusão é que não estamos perto de um abismo deflacionário".

Ele ainda minimizou a preocupação de que o Fed já tivesse reduzido drasticamente os juros, o que restringiria seu poder de reação perante um eventual quadro deflacionário. As chances de que isso ocorra são "extraordinariamente remotas", afirmou Greenspan.
Mesmo que a taxa de juros chegue a zero, o Fed continuaria a estimular a economia através da aquisição mais intensa de Títulos do Tesouro, ele afirmou.

"Não há virtualmente nenhum limite significativo para aquilo que poderíamos injetar no sistema, caso seja necessário", ele afirmou.

Em sua resposta à questão, Greenspan afirmou que a consolidação dos cortes de impostos aprovados em 2001 não impulsionaria a economia, uma vez que os investidores já pressupõem sua aprovação pelo Congresso. Entretanto, o fracasso desta consolidação poderia desagradar investidores e possivelmente causar danos ao mercado de ações, ele afirmou.

Greenspan previu que os gastos industriais crescerão tão logo as empresas comecem a dispor dos lucros provenientes da produtividade crescente. Graças às novas tecnologias, a elevação da produtividade horária dos trabalhadores "ainda não foi abalada", ele afirmou.

O presidente do Fed parecia mais otimistas do que outros líderes do setor empresarial. Na terça-feira a Mesa Redonda Empresarial -- uma associação formada por grandes executivos -- divulgou um relatório que revela que mais de dois terços dos chefes-executivos aguardam uma baixíssima taxa de crescimento de 2% para 2003.

Tradução: André Medina Carone

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