Bush acusa o Iraque de ter autorizado a utilização de bombas tóxicas

Eric Rosenberg
Hearst Newspapers


Washington - O presidente Bush disse na quinta-feira (6/02) que os comandantes militares do Iraque teriam sido autorizados a lançar armas químicas contra forças invasoras norte-americanas, o que motivou o Pentágono a considerar a possibilidade de promover cremações de corpos de soldados mortos no próprio campo de batalha.

"Temos fontes que nos informam que Saddam Hussein teria autorizado recentemente os seus comandantes militares a utilizarem armas químicas, as mesmas armas que o ditador diz ao mundo não possuir", afirmou Bush em uma breve declaração dada na Casa Branca, tendo ao seu lado o secretário de Estado Colin Powell. O presidente não deu maiores detalhes relativos a essa denúncia.

Essa é a primeira vez que o governo dirige tal acusação contra o Iraque.

O secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, dirigiu uma dura advertência ao líder iraquiano, avisando-o de que o uso de armas químicas, biológicas ou nucleares contra forças norte-americanas motivaria uma represália devastadora.

"Quero que não haja dúvidas quanto a isso. A mensagem para todo indivíduo enquadrado naquela cadeia de comando, do mais alto ao mais baixo posto, é a seguinte: 'Não cheguem sequer a cogitar a utilização de tais armas'", disse Rumsfeld na semana passada. "Caso usemos a força e Saddam utilize armas de destruição em massa contra nós, qualquer indivíduo envolvido em tal processo vai desejar ter procedido de forma diferente."

Autoridades dos Estados Unidos têm dito que retaliarão com força devastadora - possivelmente utilizando bombas nucleares no campo de batalha - caso o líder iraquiano faça uso de armas químicas ou biológicas.

O Iraque é acusado de ter utilizado agentes químicos durante a sua guerra contra o Irã, na década de 80, e contra os iraquianos de etnia curda. No entanto, ele não utilizou tais armas em 1991, durante a Guerra do Golfo. Hussein alega que todo o seu estoque de armas de destruição em massa foi destruído após aquele conflito.

Os comentários de Bush foram feitos no momento em que oficiais do Pentágono disseram estar se preparando para o pior, tendo anunciado que estão pensando sobre o que fazer com os corpos dos soldados que venham a morrer atingidos por armas químicas ou biológicas. O cenário especialmente preocupante é aquele no qual os corpos de soldados abatidos durante a guerra, infectados com microorganismos letais como a varíola, se constituam em um perigoso vetor para uma contaminação em massa.

A atual política das forças armadas norte-americanas consiste em não deixar nenhum soldado abatido para trás. A orientação é trazer os corpos caídos nos campos de batalha para casa, a fim de que sejam enterrados ou cremados - conforme o desejo dos parentes.

A perspectiva de cremar os corpos nos campos de batalha significaria uma mudança significativa na cultura e na política militares, que determinam que caixões, e não urnas com cinzas mortuárias, sejam entregues às famílias dos soldados mortos.

"A atual política está sendo reavaliada", disse um oficial do Pentágono, que preferiu não se identificar, "porque queremos ter garantias de que todas as opções estarão disponíveis no sentido de proteger a saúde e garantir a segurança dos membros das forças armadas".

"A cremação vem sendo considerada como uma opção viável para os comandantes, caso os restos mortais dos soldados representem um perigo para a saúde e um risco à segurança dos outros militares", disse o oficial, acrescentando que outras opções também estão sendo objetos de análise. Ele não quis entrar em detalhes sobre essas outras opções.

Uma outra alternativa possível seria o sepultamento temporário no estrangeiro, que é permitido pelo regulamento militar. Na Primeira Guerra Mundial, por exemplo, 47 mil norte-americanos foram enterrados temporariamente no exterior e depois foram trazidos para casa. Já na Segunda Guerra Mundial, mais de 250 mil soldados foram temporariamente enterrados em outros países, segundo o Exército.

A forma de se lidar com os restos mortais é centrada em torno de um preceito simples, segundo o qual as famílias dos soldados mortos em batalha "não vão tolerar que se deixem para trás os membros das forças armadas. Trata-se simplesmente de um fato óbvio", segundo um boletim mortuário do Exército dos Estados Unidos, de 1998.


Tradução: Danilo Fonseca

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