Rumsfeld diz que vitória é possível mesmo sem pegar Hussein

Stewart M. Powell


WASHINGTON - O secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse que o governo Bush poderá afirmar que atingiu seu objetivo de "mudar o regime" no Iraque sem capturar ou matar Saddam Hussein. Rumsfeld explicou um complexo conjunto de padrões que, segundo ele, permitiriam ao governo Bush reivindicar a vitória no Iraque. Segundo ele, isso aconteceria se:
  • forças anglo-americanas conseguirem operar "em relativa segurança e garantir a entrada de assistência humanitária";
  • quando os iraquianos deslocados puderem voltar a suas casas;
  • e quando colaboradores iraquianos tiverem a coragem de alertar os aliados sobre o esconderijo dos supostos arsenais de armas de destruição maciça.

    Esses fatos representariam uma "mudança de regime", disse Rumsfeld, independentemente da verdadeira situação de Hussein. "Não acho que dependeria necessariamente de Saddam Hussein", disse o secretário. "Na medida em que ele não estiver dirigindo seu país, ele... o regime terá mudado."

    Rumsfeld disse que o paradeiro de Hussein pode não ser conhecido, "mas sabemos que ele não dirige mais uma grande parte do Iraque".

    Uma declaração de vitória "seria demorada, simplesmente porque é um grande país", disse Rumsfeld, salientando que as tropas em combate têm de fazer "muito trabalho em todo o país" antes que possa adequadamente reivindicar a vitória. Rumsfeld fez esses comentários em uma entrevista coletiva no Pentágono.

    Altos oficiais do governo Bush afirmaram que as operações militares americanas no Afeganistão foram um sucesso, embora a caçada mundial de 18 meses tenha deixado de capturar ou matar o cérebro dos terroristas, Osama Bin Laden.

    O general-de-brigada do exército Vincent Brooks, vice-diretor de operações de combate do comando americano no golfo Pérsico, disse que o governo Bush decidirá quando a vitória foi alcançada, e não os comandantes em campo.

    "A caracterização da vitória não ocorrerá aqui", disse Brooks. As operações de combate americanas continuarão "até alcançarmos os objetivos que foram definidos para nós", disse Brooks, acrescentando: "Está muito claro para todos os que avaliarem que ainda não terminamos nosso trabalho e que portanto estamos muito longe de poder celebrar a vitória".

    A captura ou morte de Hussein não era um objetivo de guerra, insistiu Brooks. "Em momento algum dissemos que existe uma caçada por um indivíduo em particular", Brooks disse a repórteres em um comunicado em Doha, Catar. "Continuamos concentrados não em indivíduos, mas no regime e suas capacidades."

    Rumsfeld também disse na entrevista no Pentágono que os soldados americanos sob custódia das forças iraquianas podem ter sido executados pelas autoridades do Iraque.

    As autoridades dos Estados Unidos ainda estavam examinando os restos de oito soldados mortos em uma emboscada iraquiana a um comboio logístico do exército. Seus corpos foram recuperados durante o resgate da soldado do exército Jessica Lynch, na semana passada.

    Rumsfeld disse aos repórteres que as forças iraquianas "executaram prisioneiros de guerra". Mas depois ele se esforçou para negar que estivesse confirmando que fossem americanos. "Pode muito bem ter acontecido, mas não estou anunciando isso", disse o secretário, com a voz exasperada. "Não tenho os nomes de qualquer um que tenha... qualquer prisioneiro de guerra americano que saibamos com certo conhecimento que tenha sido executado."


    Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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