Bush protege economia de Estados-chave para sua reeleição da competição internacional

Stewart M. Powell
DE WASHINGTON

O presidente Bush está apostando que, ao amenizar seu compromisso com o comércio livre, vai ganhar mais votos do que perder, nas eleições de 2004. O presidente está tentando proteger indústrias e trabalhadores da competição estrangeira em Estados cruciais para sua reeleição.

No entanto, a estratégia da Casa Branca pode surtir o efeito contrário, se a proteção comercial de Bush gerar retaliação da Europa e China. Isso atingiria as indústrias americanas em Estados igualmente essenciais à reeleição de Bush.

No ano passado, Bush procurou proteger os produtores de aço em Estados com duras disputas políticas, como Pensilvânia, Ohio, Illinois e Virgínia Ocidental. O governo instituiu tarifas de 30% sobre o aço importado por 3 anos, defendendo a indústria que emprega mais de 125.000 pessoas no país.

A Organização Mundial de Comércio concluiu, no dia 10 de novembro, que as tarifas americanas eram ilegais, abrindo caminho para a retaliação pelas 15 nações da União Européia, já em 15 de dezembro.

O contragolpe não impediu que o presidente adentrasse uma purulenta disputa da indústria têxtil, na semana passada. Para ajudar os moinhos no Sul, principalmente na Carolina do Norte e do Sul, ele impôs um limite às importações americanas de três categorias de produtos têxteis chineses.

O senador John Edwards, Democrata da Carolina do Norte, candidato à presidência, chamou as medidas de "alívio atrasado" para uma indústria que perdeu 300.000 vagas nos últimos três anos, como resultado da duplicação das exportações chinesas aos EUA.

Bush adotou as medidas em um momento em que vários aspirantes presidenciais Democratas estão instando maior proteção comercial para trabalhadores ameaçados pela competição estrangeira. Além disso, a questão da perda de empregos também está emergindo na campanha presidencial.

"Bush está tentando dominar a discussão do desemprego, jogando a bola para os trabalhadores americanos. Se a proteção setorial vai dar o resultado político que espera, isso eu não sei", disse Gary Hufbauer, especialista em comércio internacional que trabalhou para o Departamento do Tesouro dos EUA e hoje está no Instituto de Economia Internacional.

A proteção comercial não compensará os 2,6 milhões de empregos perdidos nos EUA desde que Bush assumiu o cargo -o maior declínio desde o início da Grande Depressão, com o presidente Herbert Hoover. Hufbauer disse que Bush precisaria de um crescimento econômico de 6% para "contrabalançar um pouco a perda de empregos -e provavelmente terá apenas 4%. A proteção comercial de Bush também levanta questões sobre seu compromisso com o comércio livre, que é vital para muitas empresas e empregos americanos", disse Hufbauer, defensor do comércio livre.

"Bush tem que pensar nos efeitos da proteção comercial no mercado mais amplo. Não vai ser bom para ele ter uma queda no mercado de ações e de câmbio, em resposta a suas políticas comerciais", advertiu.

Larry Sabato, cientista político da Universidade de Virgínia, diz que Bush está correndo um risco com suas políticas tarifárias. "Politicamente, ao estimular indústrias específicas em determinados Estados, você arrisca perder mais do que ganhar", disse ele. "Republicanos e Democratas aprenderam da maneira difícil que o comércio livre pode não ser perfeito, mas é provavelmente a melhor estratégia geral proteger e criar empregos."

As penalidades comerciais criadas por Bush incidem sobre US$ 3,1 bilhões (cerca de R$ 9,3 bilhões) em importações de aço e várias centenas de milhões de dólares em importações têxteis -ou seja, apenas uma fração do US$ 1,3 trilhão (em torno de R$ 3,9 trilhões) de importação de mercadorias pelos EUA. As duas medidas de proteção comercial americanas são, em grande parte, simbólicas, em um cenário de US$ 11,5 trilhões (aproximadamente R$ 34,5 trilhões) do produto interno bruto que depende do comércio exterior para 25% da atividade econômica americana. Deborah Weinberg

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