Escândalos em fundos mútuos impulsionam investimento alternativo

Hank Ezell
DE ATLANTA, Estados Unidos

O saldo dos fundos de índice cotados em bolsa (exchange-traded funds, ou ETFs) - considerados uma alternativa mais barata aos fundos mútuos - subiu para US$ 3,5 bilhões, em outubro.

Depois das ondas de mau cheiro em torno da indústria dos fundos mútuos, isso não surpreende. Os fundos de índice cotados em bolsa, geralmente conhecidos como ETFs, são de várias formas similares aos fundos mútuos. Suas diferenças, porém, tendem a insular os investidores do comportamento predador que abateu o retorno de fundos mútuos.

Além disso, os ETFs quase sempre são mais baratos para quem pretende investir uma grande soma e deixá-la ali. Os ETFs "tornaram-se uma alternativa atraente", disse Tom Roseen, analista de pesquisa da Lipper Analytical Services, que forneceu os dados de crescimento de outubro.

"As únicas pessoas que não estão se voltando para eles são as que fazem investimentos mensais regulares", disse Roseen. "Torna-se muito caro, porque toda negociação é comissionada."

O escândalo dos fundos mútuos começou no dia 3 de setembro, quando o promotor geral de Nova York, Eliot Spitzer, descobriu negociações ilícitas e, às vezes, ilegais envolvendo o gerente de um fundo alavancado e quatro famílias de fundos mútuos.

O escândalo sofreu metástase. Dezenas de funcionários dos fundos pediram demissão, inclusive vários altos executivos. Uma série de famílias de fundos admitiu ter permitido negociação atrasada e manobras de curto prazo que deram milhões em lucros às custas dos investidores de longo prazo. Estes envolvem 95 milhões de americanos com investimentos em fundos mútuos, que poupam seu dinheiro para pagar a universidade dos filhos ou para a aposentadoria.

Até a Charles Schwab Corp., que sempre se apresentou como amiga do pequeno investidor, admitiu ter feito negociações ilícitas para clientes institucionais.

Não surpreende que os investidores estejam sacando seu dinheiro. Um estudo da Lipper mostrou que fundos mútuos de ações receberam US$ 19,5 bilhões. Enquanto isso, os quatro denunciados por Spitzer perderam US$ 7,9 bilhões.

Então o que, exatamente, é um ETF? Parece com uma ação, porque você pode comprar quotas sempre que o mercado está aberto.

Mas, por dentro, o ETF se parece com um fundo mútuo de índice: seus bens são um conjunto de ações, selecionado para espelhar o desempenho de um determinado índice de mercado de ações.

Se o seu objetivo é sair-se tão bem quanto o mercado de ações, existem ETFs, por exemplo, que se parecem e acompanham o S&P 500. A empresa Morningstar analisa fundos mútuos e produtos relacionados e acompanha mais de 100 ETFs. Eles se baseiam em dezenas de índices, incluindo de países únicos, de setores do mercado (como imobiliário, saúde, serviços), de vendas de empresas (pequenas, médias e grandes) e estratégias de investimento (crescimento ou valor).

Algumas vantagens dos ETFs:

  • Não têm truques. O preço da quota é igual ao valor de seus bens e muda constantemente. Por outro lado, o preço das ações dos fundos mútuos é estabelecido uma vez por dia, às 16h. Quem negocia mais tarde no dia ou conhece a tendência do mercado tira vantagem dessa circunstância para fazer lucros rápidos.

  • Preços baixos. Assim como os fundos mútuos de índice, os ETFs não compram e vendem muito. Os maiores ETFs impõem taxas de operação anuais de 0,09% até 0,25%. Os fundos mútuos de ações cobram, em média, 1,58%. Assim, a competição mais próxima vem dos fundos mútuos baseados em índices, cujas taxas são, freqüentemente, menores que 0,2%.

  • Flexibilidade de negociação. Você pode comprar ou vender a qualquer hora do dia. Você também pode vender a descoberto, que é uma forma de apostar que os preços vão cair.

  • Eficiência tributária. Como os ETFs tentam acompanhar determinados índices, não compram e vendem tantas ações. Isso significa que não geram ganhos tributáveis.

  • Além disso, a maior parte das negociações ocorre entre grandes acionistas, ou seja, os ETFs não precisam comprar ou vender ações para pagar em espécie aos vendedores.

    Quando negociações verdadeiramente volumosas são feitas por investidores institucionais, as transações são feitas em ações, não em dinheiro. Novamente, nenhum imposto é gerado, disse o analista da Morningstar, Christopher J. Traulsen.

    Existem algumas desvantagens. Uma delas é o gerenciamento passivo. Como a ETF é montada para acompanhar um índice, tem, por definição, um desempenho mediano. Gerentes ativos fazem escolhas vencedoras e dão um retorno bem mais alto. Essa possibilidade mantém muitos investidores em fundos mútuos administrados ativamente.

    Muitos falam de ETFs gerenciados ativamente, mas, até agora, ninguém esclareceu os detalhes de forma aceitável.

    Outra desvantagem são as comissões. A compra da quota do ETF é feita com corretores que cobram comissões por esse serviço. Se você fizer investimentos freqüentes e relativamente pequenos, pagará comissões em cada transação. Deborah Weinberg
  • UOL Cursos Online

    Todos os cursos