Bebida alcoólica nos EUA poderá ter de informar valor calórico no rótulo

Judy Holland
WASHINGTON

Aquelas pessoas disciplinadas durante as refeições, que recusam a entrada e as sobremesas nesta temporada de festas, muitas vezes não dão importância a uma outra grande fonte de calorias - as bebidas alcoólicas.

Neste período de festas, quando os norte-americanos afrouxam os cintos, o governo federal estuda a possibilidade de exigir que o teor alcoólico, a quantidade de calorias, o volume das doses e os ingredientes sejam especificados em rótulos de vinhos, cervejas e outras bebidas alcoólicas, da mesma forma que já ocorre com outras embalagens de alimentos.

Em 1993, uma tentativa de instituir um rótulo trazendo os "fatos sobre o álcool", semelhante às informações nutricionais contidas em alimentos embalados, acabou sendo descartada por falta de interesse dos consumidores.

Mas os norte-americanos estão desejando mais que nunca contar com informações nutricionais, devido à epidemia de barrigas avantajadas e ao legado da Dieta Atkins, que proporcionava a perda de alguns quilos por meio da redução do consumo de carboidratos.

A agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos que regulamenta os rótulos de bebidas alcoólicas está "considerando ativamente" uma petição feita por grupos de consumidores requerendo a adoção de um rótulo padronizado em cada recipiente de bebida alcoólica, afirma Art Resnick, porta-voz do Setor de Comercialização e Impostos sobre Álcool e Tabaco do Departamento do Tesouro.

Tal rótulo viria se somar a advertências já existentes sobre o consumo de bebidas alcoólicas por mulheres grávidas e indivíduos que vão dirigir veículos automotores. Os grupos de consumidores querem ainda incluir diretrizes dietéticas federais aconselhando que não sejam consumidos mais de dois drinques diários, no caso dos homens, e apenas um, em se tratando de mulheres.

"Examinaremos o assunto com bastante atenção e vamos analisar cada proposta contida nessa petição", assegura Resnick.

Segundo a atual legislação que rege os rótulos, o teor alcoólico precisa ser especificado em se tratando de bebidas fortes e da maior parte dos vinhos, mas não de cerveja. Apenas as cervejas e os vinhos de baixo teor alcoólico trazem informações sobre o conteúdo calórico.

Grupos de consumidores, que encaminharam a petição ao Birô de Comercialização e Impostos em dezembro solicitando a padronização dos rótulos, dizem que a medida ajudaria as pessoas que estão preocupadas com o excesso de peso a entender quantas calorias o álcool acrescenta a suas dietas.

Segundo a Budweiser, o consumo de três cervejas é comparável à ingestão de um sanduíche "Quarter Pounder" do McDonald's (420 calorias). Três doses de bebida alcoólica maltada, como o Bacardi Silver ou o Sminorff Ice, trazem mais calorias do que aquelas contidas em uma caixa tamanho "super-grande" de batatas fritas do McDonald's (610 calorias). O vinho possui menos calorias do que coquetéis adocicados e cervejas, mas mesmo um copo de 118 mililitros de vinho tinto ou branco representa cerca de 100 calorias.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde, o norte-americano adulto médio consome algo entre 1.800 e 2.500 calorias diariamente.

Embora as fábricas de bebidas destiladas não se oponham à petição que solicita a adoção dos rótulos, a indústria de cervejas e vinhos alega que as informações nutricionais sobre os seus produtos já estão disponíveis em outras fontes, não sendo, portanto, necessárias em rótulos.

Jeff Cronin, porta-voz do Centro de Ciências para o Interesse Público, que assinou a petição juntamente com a Liga Nacional de Consumidores, diz que a maioria das pessoas "subestima bastante" a quantidade de calorias existente nas bebidas alcoólicas.

"As pessoas acreditam que as calorias do álcool são 'calorias gratuitas', e devido ao fato de o conteúdo alcoólico das bebidas não estar rotulado, essas pessoas não contam com informações que possam ser acrescentadas ao contexto das suas dietas diárias", explica Cronin. "Para aqueles indivíduos que bebem moderadamente, o álcool pode representar uma grande parcela das calorias ingeridas diariamente".

Cronin diz não concordar com o fato de os fabricantes de limonada anunciarem a quantidade de calorias do produto, enquanto que os produtores de limonada alcoólica não divulgam informação alguma nas embalagens.

Marion Nestle, professor de estudos sobre nutrição da Universidade de Nova York, e que apóia a proposta de inclusão de rótulos nas embalagens de bebidas alcoólicas, diz que os norte-americanos estão padecendo de um aumento do nível de ansiedade e de confusão devido "a pressões mercadológicas para que comam freqüentemente, em todos os lugares, e em quantidades cada vez maiores".

Mas Steve Lambright, conselheiro da Anheuser-Busch Companies Incorporation, diz que a companhia de Saint Louis já fornece informações suficientes sobre os seus produtos nos rótulos atuais e em sites na Internet.

"Além disso, mais de 75 mil adultos entraram em contato com a nossa companhia em 2003, por telefone ou e-mail, e receberam informações sobre a quantidade de calorias, carboidratos, proteínas e sódio em todos os nossos 30 produtos", garante Lambright.

Gladys Horiuchi, gerente de comunicações do Instituto do Vinho, em São Francisco, diz que é difícil educar a população quanto à nutrição por meio de um rótulo.

Já o Conselho de Bebidas Destiladas recebeu bem a proposta de rotular as bebidas alcoólicas.

"Acreditamos que a população norte-americana se preocupa bastante com a questão do peso e quer saber o que está comendo e bebendo, e estamos prontos para analisar com profundidade a proposta de adoção dos rótulos", diz Peter Cressy, presidente do conselho, cuja sede fica em Washington, D.C.

A companhia britânica Diageo, a maior produtora de bebidas alcoólicas do mundo, que fabrica produtos como Sterling Vineyard, Guinness, Johnnie Walker, Smirnoff, Baileys, Jose Cuervo e Tanqueray, anunciou no princípio deste mês que, a partir de 2004, passará a informar, por decisão própria, o teor alcoólico e o volume das doses, bem como a quantidade de macro-nutrientes, de carboidratos e de calorias das suas bebidas. Danilo Fonseca

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