Exército preocupa-se com a desistência de pilotos de helicóptero

Eric Rosenberg
EM WASHINGTON

Oficiais de aviação do exército estão preocupados que alguns dos mais experientes pilotos de helicóptero possam devolver suas insígnias e deixar o serviço, depois de períodos prolongados em locais perigosos como Afeganistão e Iraque.

O brigadeiro E. J. Sinclair do Centro de Aviação do Exército em Fort Rucker, Alabama, disse aos repórteres na semana passada que, atualmente, não há problemas com perdas de pilotos, mas que seu emprego contínuo no exterior ia "causar alguns problemas".

"Acho que muitos farão escolhas duras, pela família", disse Sinclair. Ele ilustrou sua preocupação descrevendo a situação de um aviador que foi para o exterior quando a filha era recém-nascida. O major do exército a viu durante um total de 12 dias, em seus dois primeiros anos.

"Não posso trazê-lo de volta e, depois de um ou dois meses, dizer a ele que vai passar um ano na Coréia", sem sua família. Mas "é isso que está acontecendo" no Exército, disse Sinclair.

A manutenção de seus quadros é uma preocupação perene das forças armadas. Em geral, quando a economia está bem, como aconteceu durante grande parte dos anos 90, é mais difícil reter os bons profissionais, porque têm mais opções no mundo civil. Por outro lado, quando a economia está em baixa, como recentemente, as taxas de retenção, em geral, são melhores.

Neste momento, o Exército está atingindo suas metas de recrutamento e manutenção de pessoal. Mas isso pode mudar, na medida em que as tropas voltarem para casa e discutirem com suas famílias se devem agüentar mais separações. A atual expansão econômica também pode prejudicar os índices de retenção.

O número de operações no exterior atuais do exército está exacerbando os temores com a perda de homens capacitados. Do total de 1,04 milhão de soldados na ativa, na reserva e na Guarda Nacional, cerca de 332.000 estão distribuídos em 120 países. Das 33 brigadas de combate do exército, 26 estarão no exterior neste ano, ou 78%.

Também o tempo de convocação aumentou muito. O Exército anunciou, no último verão, que as tropas americanas no Iraque ficarão ali por um ano, em vez dos típicos seis meses.

A preocupação com a desistência é especialmente grave no ramo da aviação, por causa do investimento extra em tempo e dinheiro no treinamento de pilotos de helicópteros como Apache, Blackhawk e Chinook. Além do treinamento de rotina do Exército, leva cerca de um ano para treinar um aviador do Exército, a um custo de cerca de US$ 1 milhão (em torno de R$ 3 milhões) por pessoa, de acordo com o Escritório Geral de Contabilidade. Um piloto de Apache custa ao Exército outro milhão.

"Não podemos fazer isso para sempre", disse Sinclair, referindo-se ao ritmo e extensão das convocações dos pilotos. A cada ano, Fort Rucker forma cerca de 4.500 aviadores do Exército.

O Exército conta com helicópteros para missões como atacar um blindado inimigo, levar equipamentos e transportar tropas rapidamente pelo campo de batalha.

Alguns congressistas, como o senador Jack Reed, Democrata de Rhode Island, graduado de West Point e ex-membro da 82ª Divisão Transportada pelo Ar, acredita que o governo Bush e o Congresso devem evitar uma crise aumentando o número de militares. Atualmente, existem 480.000 na ativa e 558.000 reservistas e membros da Guarda Nacional.

O secretário de defesa Donald Rumsfeld opôs-se a qualquer medida para reforçar o número de soldados. Em vez disso, o Pentágono está tentando manter os pilotos e a infantaria de outras formas.

Por exemplo, o serviço anunciou, na semana passada, que vai adiar a partida para os EUA de 5.000 a 7.000 soldados americanos do Iraque, Kuait e Afeganistão, que deveriam voltar a vida civil. Ao mesmo tempo, o Exército anunciou que dará um bônus de até US$ 10.000 (cerca de R$ 30.000) para quem estiver servindo no Iraque, Kuait e Afeganistão e se realistar por outros três anos.

"O que estamos tentando fazer é administrar as forças agora, para que não tenhamos queda no recrutamento ou debandada daqui a um ano, que nos deixe com uma falha difícil de se retificar", disse Rumsfeld.

Sinclair admite que os incentivos financeiros talvez não sejam suficientes para convencer pilotos, como o major do exército que ficou longe de casa enquanto sua filha crescia. "Dinheiro não é tudo", disse Sinclair. Deborah Weinberg

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