Jovens hispânicos são mais propensos a cometer suícídio

Marina Pisano
San Antonio Express News

Certas pessoas se consolam com o fato de a taxa de suicídio entre os hispânicos, ajustada para a idade, ser bem menor do que a média nacional. Mas os últimos dados relativos a esse segmento da população em franco crescimento são mais motivos para preocupação do que para consolo.

Os dados revelam que os jovens hispânicos correm risco substancial de se suicidarem, e que o número de jovens hispânicas da 9ª à 12ª série (que corresponde ao ensino médio) que relataram que estão se sentindo desesperançadas e que alimentam pensamentos suicidas é maior do que o das jovens não hispânicas da mesma faixa etária que fizeram relato semelhante.

Em 2001, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre homens e mulheres hispânicos de dez a 24 anos, e a sétima entre os indivíduos de menos de 74 anos. Os dados foram publicados na edição de 11 de junho do periódico "Morbidity and Mortality Weekly Report", do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. O relatório inclui pessoas de ancestralidade hispano-mexicana, porto-riquenha, cubana, centro-americana e sul-americana, entre outras.

Cerca de 56% daqueles que se suicidaram entre 1997 e 2001 eram de ancestralidade mexicana. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças diz que essas estatísticas se traduzem em importantes desafios para o setor de saúde e de prevenção do suicídio já que os hispânicos deverão representar 17% da população dos Estados Unidos em 2020 e os jovens hispânicos representam 48% da população hispânica total.

Em 1996, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos elaborou a Agenda Hispânica de Ação para identificar problemas de saúde entre os hispânicos. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças descobriu que de 1997 a 2001 o índice médio de suicídios entre os hispânicos idosos foi mais alto, sendo que o maior índice foi encontrado entre os indivíduos com mais de 85 anos.

Mas os hispânicos com menos de 25 anos responderam por 26% de todos os suicídios, e aqueles entre dez e 34 anos por 50%. Das 8.744 pessoas que tiraram a própria vida, 85% eram do sexo masculino.

Entre 1999 e 2001, as armas de fogo foram o método mais utilizado para o suicídio entre os hispânicos do sexo masculino, seguido pela sufocação (por exemplo, enforcamento) e pelo envenenamento. Os laços familiares tradicionalmente fortes na comunidade hispânica podem ajudar a evitar o suicídio, mas algumas famílias sofrem com os baixos salários, a falta de seguro-saúde, as disfunções familiares e os estresses da aculturação.

Aruna Jha, pesquisadora do Centro de Pesquisas e Políticas de Saúde da Universidade de Illinois, diz que as questões culturais e os conflitos entre gerações são fatores-chave para o rápido aumento dos suicídios presenciado pelos pesquisadores entre os jovens hispânicos e de outras etnias minoritárias.

"As crianças de famílias de imigrantes se aculturam mais rapidamente, mas os pais aderem aos seus próprios valores culturais e a sua capacidade de adaptação se torna um pouco rígida", explica Jha. "Isso gera bastante estresse para a relação entre pais e filhos.

Devido à falta de harmonia familiar, os filhos podem recorrer a comportamentos autodestrutivos". Os conflitos entre pais e mães que se distanciam dos seus papéis tradicionais e tentam se aculturar também podem ser prejudiciais.

"Estamos descobrindo que as crianças expostas a conflitos entre os pais apresentam risco elevado de suicídio", diz Jha. "Na verdade, o abuso verbal está altamente associado com a depressão entre os jovens e
crianças".

Donna Barnes, de Washington, especialista em suicídio, co-fundadora e presidente da Organização Nacional de Pessoas de Cor contra o Suicídio, diz que a depressão está fortemente associada ao suicídio. Mas até mesmo entre os hispânicos nascidos e criados nos Estados Unidos ela encontra barreiras culturais ao tratamento efetivo.

"A questão é saber se os latinos sabem claramente, ou tão claramente quanto outros grupos, como tratar a depressão. Penso que precisamos abordar os seus líderes e educá-los. Precisamos romper essas barreiras".

Embora o relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças possa aumentar a conscientização quanto ao problema e ajudar a melhorar as estratégias de intervenção na comunidade hispânica, para alguns tal intervenção pode chegar tarde demais.

Joann Chavez, do grupo de apoio Sobreviventes de Suicídios de Entes Queridos (Solos na sigla em inglês), se preocupa com os imigrantes ilegais da área de San Antonio que já perderam algum parente devido ao suicídio, mas que se sentem isolados, sob o ponto de vista cultural e legal.

"Uma grande quantidade deles tem medo de ir a qualquer lugar para procurar ajuda médica ou auxílio junto a um grupo de apoio", diz Chavez. "E percebo que os hispânicos não gostam de falar sobre esse assunto". Pobreza, choque cultural e estresse doméstico causam depressão, aponta pesquisa Danilo Fonseca

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