Al Gore pede vingança pela eleição de 2000

Stewart M. Powell
Em Boston

Al Gore incendiou a Convenção Nacional do Partido Democrata na noite desta segunda-feira (27/07). O ex-vice-presidente alegremente reencenou "aquele beijo" com a esposa Tipper e pediu ao partido, sedento de vingança contra sua mal-digerida derrota em 2000, o apoio para que o postulante John Kerry chegue à Casa Branca nas próximas eleições de novembro.

Gore, que ganhou de Bush a eleição no voto popular, mas a perdeu no Colégio Eleitoral (que é quem decide a eleição de fato), deixou de lado os ataques contundentes e irritados contra o presidente, que já havia utilizado antes nessa campanha. Em vez disso, ele adotou a abordagem mais afirmativa almejada pela equipe de Kerry, na noite de abertura da Convenção Nacional Democrata, que irá durar quatro dias.

Vestindo um terno escuro, camisa branca e gravata vermelha, bem no estilo executivo, o que agora ele é na verdade, Gore soube usar o humor com habilidade, gracejando que não tem passado as noites "contando e recontando ovelhas".

Mais uma tirada espirituosa: "Os Estados Unidos continuam sendo a terra da oportunidade, onde cada garotinho e cada garotinha têm a oportunidade de crescer e ganhar pelo voto popular". Em 2000, Gore conquistou a maioria dos 104 milhões de votos populares, por uma diferença de quase 550 mil votos, mas Bush arrebatou a maioria dos delegados no Colégio Eleitoral: 271 a 266.

O resultado se consumou por meio de uma vitória na Flórida por apenas 537 votos, assegurada depois que a Suprema Corte americana encerrou o processo de recontagem almejado por Gore, dando os 25 votos do Colégio Eleitoral do Estado a Bush.

"A todos vocês que se sentiram decepcionados ou indignados com o resultado de 2000, quero que se lembrem de todas aquelas sensações", disse o ex-vice-presidente aos delegados democratas, assessores e convidados reunidos numa lotada arena de esportes, o Fleet Center. "Mas eu quero que todos vocês façam o que eu já fiz -canalizá-las total e completamente para o esforço de colocar John Kerry e John Edwards na Casa Branca."

Gore convocou os democratas a votarem em massa, para que o resultado das eleições de 2 de novembro não dependam novamente dos nove membros da Suprema Corte, que inclui sete juízes nomeados por presidentes republicanos.

"Vamos nos assegurar que dessa vez cada voto será realmente contado", insistiu Gore. "Vamos garantir não só que a Suprema Corte não escolha o próximo presidente, mas também que o atual presidente não seja o titular que irá escolher a próxima Suprema Corte".

Há quatro anos, Gore e a esposa trocaram um beijo apaixonado no palanque durante o discurso em que aceitou a candidatura. Foi uma tentativa de neutralizar as críticas de que o veterano político, com 24 anos de experiência como deputado e senador, era rígido, formal e distante.

Em seu discurso nessa segunda-feira, Gore criticou vigorosamente Bush pela má administração da guerra no Iraque e por ter distraído a atenção do público "do perigo maior, representado pela Al-Qaeda, ao atacar o ditador do Iraque Saddam Hussein".

"Será que não deveríamos nos concentrar na fonte real dessa ameaça -o grupo que nos atacou e tenta nos atacar novamente, a Al-Qaeda, liderada por Osama Bin Laden?", Gore questionou do palanque.

Quando Gore abordou a questão do Iraque e disse que a nação precisa de um novo líder, que possa construir pontes com os aliados, os democratas reagiram com os gritos mais altos e muitos aplausos. E quando ele agradeceu ao presidente Bill Clinton por ter lhe escolhido como vice-presidente, os delegados sapatearam com força e gritaram.

No beijo de Gore e Tipper, mais gritos entusiasmados dos delegados, que começaram a dançar animadamente. Gore fez apelos aos republicanos que apoiaram Bush e também aos eleitores que já votaram no candidato independente Ralph Nader, que foi responsabilizado por muitos democratas por ter retirado a vitória das mãos de Gore na eleição de 2000, devido aos muitos votos recebidos nos Estados da Flórida e New Hampshire.

Gore perguntou aos republicanos: "Vocês realmente tiveram o que esperavam do candidato em que votaram?". Segundo o ex-candidato, Bush falhou nas tentativas de unir a nação, de cortar o déficit, de promover o "conservadorismo com compaixão", de construir uma economia poderosa e de impedir os ataques entre os partidos.

Gore pediu aos partidários de Nader que abandonem sua argumentação de que há pouca diferença entre Bush e Kerry em assuntos cruciais da nação. Ao citar o desempenho de Bush nas questões dos direitos civis, de proteção ao meio-ambiente e da mudança no clima do planeta, Gore perguntou: "Vocês ainda acreditam que não havia diferença entre os candidatos?"

À multidão de delegados entusiasmados, Gore confirmou que gostaria de estar ali diante deles como um presidente democrata que busca a reeleição.

"Mas vocês aquele velho ditado: 'A gente ganha algumas batalhas, perde outras... e há também aquela terceira categoria, pouco conhecida'", Gore gracejou com desprendimento. Eleição de Kerry é o troco aos republicanos, diz o ex-candidato Marcelo Godoy

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