Michael Moore não tira voto de Bush, diz pesquisa

Eric Rosenberg
Em Washington

O filme "Fahrenheit 11 de Setembro", polêmico documentário de Michael Moore contra o governo Bush, não está conquistando as mentes dos eleitores indecisos, apesar de estar batendo recordes de bilheterias para documentários. A conclusão é de uma pesquisa divulgada nessa terça-feira (3/8) pela Universidade da Pensilvânia.

A pesquisa mostrou que o filme de Moore basicamente está confirmando pontos de vista e atingindo as pessoas que já têm uma opinião desfavorável sobre o presidente Bush e suas iniciativas. O efeito é semelhante, e ao mesmo tempo oposto, ao provocado pelos programas de rádio do apresentador direitista Rush Limbaugh, que atinge principalmente os ouvintes que rejeitam os democratas e suas iniciativas.

Terry McAuliffe, presidente do Comitê Nacional do Partido Democrata, havia previsto que o filme teria um papel importante na função de ajudar a remover Bush, na eleição do próximo dia 2 de novembro.

Spike Lee, outro cineasta de tendência progressista, também previu que "Fahrenheit 11 de Setembro" ajudaria a inflamar a oposição contra Bush. "Se você estiver em cima do muro e assistir a esse filme, irá cair do muro", disse Lee numa entrevista ao jornal "Houston Chronicle". "Se você estiver num dos vagões de Bush e assistir a esse filme, irá desembarcar".

São previsões não endossadas pela pesquisa recém-divulgada.

Entre todos os entrevistados, 41% disseram que o filme fez piorar a avaliação que eles já tinham sobre Bush. Mas os pesquisadores concluiram que 60% de todo esse grupo era formado por democratas, portanto já predispostos a votar contra o presidente.

Os pesquisadores também descobriram que 33% dos eleitores que se declararam independentes (nem republicanos nem democratas) afirmaram que o filme provocou neles uma avaliação negativa de Bush.

Mas no total os independentes que assistiram ao filme eram muito mais de tendência progressista do que propriamente independentes -três entre cada quatro preferiram o democrata Al Gore a Bush na eleição de 2000.

Segundo os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, 55% dos entrevistados que assistiram ao filme se declararam democratas, 24% independentes e 10% republicanos. Foram tão poucos republicanos na platéia pesquisada que os apuradores não conseguiram avaliar seu comportamento, devido a pouca expressividade estatística desse segmento.

O público do filme, em maioria esmagadora, acredita que Bush tem um péssimo desempenho na Casa Branca, com 86% de rejeição à atuação do Republicano no governo e 83% de rejeição à maneira como ele conduziu o combate contra o terrorismo.

"Tanto Michael Moore quanto o radialista Limbaugh conseguiram localizar e atingir segmentos partidários de 'linha-dura'", na avaliação de Kathleen Hall Jamieson, coordenadora da pesquisa. "A comunicação de origem tendenciosa tende a atrair um público de adeptos dessa tendência, e é mais eficaz na confirmação das idéias que na mudança de opiniões", declarou a pesquisadora.

Todas essas conclusões foram obtidas a partir de uma pesquisa mais ampla. A pesquisa Annenberg das tendências eleitorais foi montada a partir de entrevistas feitas entre os dias 5 e 25 de julho, com 5.051 adultos americanos selecionados ao acaso por todo o país.

Desse total, 432 pessoas disseram ter visto "Fahrenheit 11 de Setembro", e esse foi o universo da pesquisa específica sobre os efeitos do filme. Na pesquisa mais ampla, foram encontradas 395 pessoas que declararam ter ouvido o programa diário de Rush Limbaugh pelo menos uma vez na semana anterior.

Entre outros assuntos levantados, Moore alega em seu filme que Bush foi displicente em relação à segurança antes dos ataques de 11 de setembro, mesmo tendo recebido alertas de setores da inteligência de que a al Qaeda planejava atacar utilizando aeronaves seqüestradas como se fossem mísseis.

Moore também afirma que Bush e sua família têm laços financeiros já tradicionais com a família real saudita. As tais ligações teriam influenciado uma decisão do governo, permitindo a mais de 150 cidadãos sauditas, entre eles muitos membros da família Bin Laden, a possibilidade de deixarem o país logo após os ataques.

No entanto, o relatório da comissão do Congresso americano que investigou os acontecimentos de 11 de setembro, divulgado semana passada, afirma que o governo Bush não fez nada de errado quanto à permissão para os sauditas saírem do país. Segundo o relatório, esses sauditas teriam sido questionados "apropriadamente" sobre os ataques terroristas e Osama Bin Laden.

No ultimo final de semana nos Estados Unidos, o libelo de Moore atingiu nas bilheterias a quantia de US$ 109 milhões (equivalente a cerca de R$ 340 milhões) desde o seu lançamento no dia 23 de junho. É o primeiro documentário a superar a casa de US$ 100 milhões no faturamento nas bilheterias americanas. "Fahrenheit 11 de Setembro" ocupou a décima posição na lista dos filmes campeões da semana passada nos EUA. Levantamento indica que "Fahrenheit 11/9" tem influência reduzida

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