Aniversário dos ataques a NY acirra a campanha

Stewart M. Powell

Na véspera do terceiro aniversário dos atentados de 11 de setembro, os candidatos presidenciais fizeram acusações mútuas contundentes. Nesta exta-feira (10/09), o presidente Bush alegou que o senador John Kerry teria deixado Saddam Hussein no poder, e Kerry acusou-o de ajudar os terroristas, permitindo que expirasse uma lei que há 10 anos proibia armas pesadas.

Enquanto isso, uma pesquisa da ABC News-Washington Post mostrou Bush nove pontos percentuais à frente de Kerry entre eleitores do país que pretendem votar. Nos 19 Estados mais disputados, que devem decidir o resultado eleitoral, a liderança do presidente foi de quatro pontos percentuais.

A pesquisa trouxe muitas notícias desanimadoras para Kerry, que viu seu avanço após a convenção murchar diante dos ataques Republicanos a sua participação na Guerra do Vietnã e suas atividades posteriores contra a guerra.

O índice de aprovação de Kerry escorregou no último mês, de 51% para 36%, e seu índice de rejeição cresceu de 32% para 42%, de acordo com a pesquisa. O índice de aprovação de Bush subiu de 47 para 51% no mesmo período.

Em uma parada da campanha em Huntington, Virgínia Ocidental, Bush acusou Kerry de autorizar no Senado a ação militar no Iraque e depois se opor à aprovação de US$ 87 bilhões (aproximadamente R$ 261 bilhões) para dar apoio às operações militares e criticar a guerra.

Bush acusou Kerry de ter "mais posições conflitantes (quanto ao Iraque) do que todos os senadores juntos", acrescentando: "Uma coisa sobre a posição do senador Kerry está clara --se as coisas fossem feitas do seu jeito, Saddam Hussein ainda estaria no poder e ainda seria uma ameaça à segurança e ao mundo."

O Democrata Zell Miller, que traiu seu partido (foi orador durante a Convenção Nacional Republicana que animou os fiéis com seus ataques incansáveis a Kerry), acompanhou Bush a Virgínia Ocidental e Ohio. Miller disse aos partidários de Bush, na sexta-feira, que o presidente é o homem que "manterá a ofensiva (contra os terroristas) --sem hesitar, sem titubear, sem ficar fraco das pernas."

O porta-voz da campanha de Kerry, Phil Singer, tentou combater as críticas de Bush sem citá-las diretamente. Ele alegou que o presidente correu para entrar no Iraque, antes de equipar corretamente todas as tropas e sem ter um plano de paz, acrescentando: "Como resultado, o povo americano está pagando US$ 200 bilhões (em torno de R$ 600 bilhões), e nossos soldados estão sofrendo 90% das baixas."

Kerry afirmou em uma parada na campanha em St. Louis que Bush estava "facilitando o serviço dos terroristas e tornando o papel da polícia americana mais difícil" por não ter exigido do Congresso, controlado pelos Republicanos, que renovasse a proibição de 19 tipos de armas de assalto de estilo militar e clipes de munição com mais de 10 rodadas.

A proibição --vigorosamente combatida pela Associação Nacional do Rifle-- expira na próxima segunda-feira.

O manual de terror da Al Qaeda exorta os guerreiros santos a "irem aos EUA e comprarem armas de assalto", disse Kerry.

O candidato a presidente que foi quatro vezes eleito senador de Massachusetts diz que apóia o direito do cidadão de propriedade de armas para caça. Entretanto, ele disse que Bush ignorou a expiração da proibição por deferência à Associação Nacional do Rifle, organização de lobby poderoso que está gastando US$ 400.000 (aproximadamente R$ 1,2 bilhão) por semana para transmitir um anúncio de 30 minutos contra Kerry em vários Estados disputados. Em sua propaganda, a associação diz que Kerry enfraqueceria os direitos a posse de arma.

Kerry insistiu que defenderá o direito dos americanos de ter armas de fogo.

"Há 10 anos que temos essa lei e não há um proprietário de arma nos EUA que possa se levantar e dizer: 'Eles tentaram tirar minhas armas'", disse Kerry.

O porta-voz da campanha de Bush, Steve Schmidt refutou a acusação de Kerry de que o presidente estava "ajudando terroristas", chamando a alegação de "mais um exemplo de um candidato que está atrás nas pesquisas e fica fazendo ataques pessoais maldosos".

Schmidt disse que Bush sancionaria a renovação da proibição de armas de assalto, se o Congresso aprovasse a lei. Mas os críticos dizem que a lei controversa morreu porque Bush não pressionou os aliados no Capitólio a tomarem essa ação.

Enquanto Bush e Kerry reforçavam suas críticas, o vice-presidente Cheney retratou as observações controversas que fez no início da semana, quando advertiu os eleitores de que, se fizessem "a escolha errada (no dia 2 de novembro)", correriam perigo de ser "atingidos novamente" por terroristas.

Em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo Cincinnati Enquirer, Cheney nega ter dito: "Seremos atingidos por um ataque terrorista", se Kerry for eleito presidente. Aquele que for eleito presidente, entretanto, "terá que prever a possibilidade de outros ataques", disse Cheney, acrescentando que Bush "fará uma política mais eficaz" contra os terroristas do que Kerry.

Singer, porta-voz de Kerry, disse que o candidato Democrata tinha sido "muito claro": "Ele disse que vai perseguir e matar os terroristas antes que eles nos peguem". Bush e Kerry trocam farpas sobre a capacidade de combater o terror Deborah Weinberg

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