Cuba é grande "playground sexual", dizem EUA

Eric Rosenberg
Em Washington

Uma parlamentar da Flórida e ativistas anti-Castro denunciaram na quinta-feira (23/09) aquilo que segundo eles é o problema crescente do "turismo sexual" em Cuba. Eles disseram que a ilha está recebendo grandes contingentes de estrangeiros que mantêm relações sexuais com prostitutas e menores de idade.

A deputada Ileana Ros-Lehtinen, republicana da Flórida, disse que o ditador cubano Fidel Castro transformou o país em um "playground sexual". Falando em uma coletiva à imprensa no Congresso dos Estados Unidos para atrair atenção para o problema, ela acrescentou que a economia cubana anda tão mal que "mulheres e garotos sabem que podem ganhar mais dinheiro com a prostituição".

Elizabeth Trelles Alvarez, da organização de exilados cubanos Mães e Mulheres Contra a Repressão, diz que muitos cubanos "não têm outra alternativa senão recorrer à prostituição".

Como resultado, a indústria do sexo se expande em Cuba, o que, segundo a deputada, "atraiu predadores e pedófilos de todo o mundo".

Alvarez afirma que não há dados confiáveis sobre quantos cubanos recorrem à prostituição ou que proporção dos indivíduos que se prostituem é composta por crianças. Mas ela diz que certas evidências indicam que uma grande parcela da população está envolvida nessa atividade.

Ela mencionou conversas que a sua organização manteve com cubanos e citou vários sites da Internet que fazem propaganda de serviços sexuais prestados por mulheres cubanas a turistas.

A administração Bush alega que o governo Castro incentiva a indústria do sexo como forma de trazer dólares para Cuba em um período no qual a moeda do país praticamente não tem valor.

Em um discurso feito em julho em Tampa, na Flórida, o presidente Bush acusou Castro de ter transformado Cuba em um grande centro de turismo sexual, afirmando: "A atividade proporciona uma fonte vital de moeda forte para manter o seu governo corrupto à tona".

Em uma conferência sobre "tráfico humano", Bush disse: "O regime em Havana, que já é um dos maiores violadores dos direitos humanos do mundo, continua aumentando a sua lista de crimes. Castro vê com bons olhos o turismo sexual".

Castro nega as acusações de Bush, chamando-as de "calúnias rudes" feitas por "um personagem sinistro que ameaça e insulta os cubanos".

Um relatório do Departamento de Estado divulgado em junho criticou Cuba por encorajar a prostituição. "A indústria turística de Cuba é preponderantemente dominada por companhias estatais, e os funcionários do governo toleram práticas corruptas que facilitam essa exploração sexual, chegando às vezes a disponibilizar imóveis estatais para a prática da prostituição de menores de idade", disse o relatório.

Os grupos de direitos humanos concordam. O Projeto Proteção, um instituto de pesquisas da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins, diz que Cuba "é um país popular no roteiro dos turistas sexuais".

O crescimento do comércio sexual cubano retorna após ter sido abolido por Castro logo após a sua ascensão ao poder em 1959. Naquela época, Cuba era chamada de "o bordel do Caribe", segundo o Projeto Proteção.

De acordo com um relatório elaborado por pesquisadores da American University, em Washington, D.C., Cuba é a "Tailândia do Caribe", em uma referência à expressiva indústria do turismo sexual na Tailândia. "O comércio da carne é a principal atividade financeira em Havana", diz o relatório.

Há décadas os Estados Unidos impõem um embargo a Cuba, mas permitem que norte-americanos visitem periodicamente a nação comunista. Cerca de 150 mil norte-americanos viajam anualmente à ilha. Em junho, o governo Bush adotou restrições mais rígidas às viagens a Cuba, permitindo que os norte-americanos viajem para a ilha uma vez a cada três anos, ao invés de anualmente. Para americanos, regime de Fidel estimula turismo erótico na ilha Danilo Fonseca

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