'Green card', o grande prêmio da loteria

Judy Holland DE WASHINGTON

Cerca de 6 milhões de estrangeiros devem arriscar sua sorte neste ano em uma loteria de alto valor para conquistar o prêmio supremo: um visto para viver nos Estados Unidos. Aproximadanebte 50 mil pessoas por ano vencem a loteria para obter o cobiçado "green card", que permite aos estrangeiros viver e trabalhar no país.

Para poder concorrer à loteria do visto, os candidatos precisam exercer uma ocupação que exija pelo menos dois anos de treinamento ou experiência.

Os candidatos à loteria terão até 31 de outubro para arriscar sua sorte online, no endereço www.dvlottery.com. Os números sorteados serão anunciados no início do verão, após uma escolha aleatória gerada por computador.

As pessoas que colocam seu nome no "chapéu" eletrônico desta chamada loteria da "diversidade" vêm de países que tiveram baixo índice de imigração nos últimos cinco anos, como Polônia, Bangladesh, Nigéria e Libéria. Pessoas de países com índices mais elevados de imigração, como México, Filipinas, Índia, China, Rússia e Jamaica, estão excluídas.

O programa de visto da loteria da diversidade é um dos quatro meios para estrangeiros poderem imigrar para os Estados Unidos. Eles podem obter vistos de imigrantes caso tenham parentes próximos com vistos ou cidadania, caso tenham uma oferta de emprego nos Estados Unidos ou se estiverem em busca de asilo político.

Mas os dias desta loteria podem estar contados.

"É um programa realmente ardiloso que deve ser eliminado por ser um risco de segurança", disse o deputado Bob Goodlatte, republicano da Virgínia, presidente do Comitê de Agricultura da Câmara e ex-advogado de imigração.

Goodlatte está defendendo uma legislação que acabaria com o programa de loteria de 13 anos. Ele argumenta que a loteria do visto provavelmente atrairá pessoas interessadas em ajudar a Al Qaeda. Seu projeto foi aprovado pelo subcomitê judiciário de imigração da Câmara há duas semanas.

Ele também argumenta que a loteria é "enormemente injusta" e discrimina cidadãos de países com índice elevado de imigração aos Estados Unidos, que são excluídos e devem esperar anos por vistos enquanto assistem outros obterem green cards instantaneamente.

Goodlatte aponta para o caso notório de Hesham Mohamed Ali Hedayet, um egípcio que matou duas pessoas e feriu três durante um tiroteio no Aeroporto Nacional de Los Angeles, em julho de 2002. Ele recebeu o green card depois que sua esposa ganhou a loteria do visto.

O deputado Lamar Smith, republicano do Texas, disse que o Congresso deve "eliminar a loteria" e expandir outros programas de imigração.

O deputado Elton Gallegly, republicano da Califórnia, apontou que os Estados Unidos permitem anualmente que mais de 1 milhão de pessoas imigre legalmente para o país. "Eu não sei como alguém pode argumentar que isso não gera uma grande diversidade", disse ele.

Mas o senador Edward Kennedy, democrata de Massachusetts, o autor do programa que visava a ajudar, entre outras coisas, imigrantes irlandeses em seu Estado natal, está lutando para manter a loteria.

"Este é um bom programa, pois promove a imigração de muitas partes diversas do mundo", disse Kennedy. Ele disse que o programa é seguro porque os que são admitidos "devem passar por severa avaliação legal e de segurança".

A deputada Ileana Ros-Lehtinen, republicana da Flórida, uma antiga defensora dos direitos dos imigrantes, disse que a loteria é para muitos "a única chance" de viver nos EUA legalmente. "Se encerrarmos isto, nós apenas aumentaremos o desespero delas e a imigração ilegal", disse.

Um programa piloto foi lançado pelo Congresso em 1986, com 10 mil vagas, 40% das quais foram para pessoas da Irlanda. À medida que a notícia se espalhou, pessoas de outros países se interessaram e aumentaram as pressões políticas domésticas para expansão do programa. Em 1991, ele foi ampliado para 50 mil vagas.

Jack Martin, diretor de projetos especiais da Federação para Reforma da Imigração Americana, um grupo não partidário e sem fins lucrativos, voltado para a limitação da imigração, disse que a loteria é uma idéia horrível. É "como pendurar uma grande placa de néon sobre o país dizendo: nós estamos subpovoados e precisamos que mais pessoas se mudem para os Estados Unidos".

Mas Joanna Hedvall, uma associada de imigração de negócios da Associação Americana dos Advogados de Imigração, disse que o programa enriquece o país trazendo "uma grande variedade de pessoas".

"Para pessoas que não tem ligação imediata com os Estados Unidos, mas querem compartilhar o sonho americano, esta é a única chance". Cerca de 50 mil pessoas são sorteadas por ano e ganham o visto para viver e trabalhar nos EUA George El Khouri Andolfato

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