Imagem de Hillary Clinton se move para o centro

Judy Holland
Em Washington

Pesquisas recentes mostram que a imagem pública da senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, está mudando gradualmente de uma altamente controversa primeira-dama para uma senadora de eleitorado centrista. Apesar de ainda ser uma figura polarizadora, a senadora de primeiro mandato poderá usar a nova imagem para se posicionar na disputa pela Casa Branca em 2008.

Estrategistas políticos dizem que Hillary tem impressionado os colegas do Senado e os eleitores ao trabalhar metodicamente em questões de Nova York, adotando posições moderadas ou conservadoras em controvérsias como a guerra no Iraque.

"A maioria tem uma imagem positiva dela", disse Lee Miringoff, diretor do Marist Institute for Public Opinion em Poughkeepsie, em Nova York. "Ela é vista como sendo mais eficiente e se atendo ao seu trabalho. Ela conseguiu moldar seu papel para uma forma mais aceitável. Ela está em transição."

Uma pesquisa nacional envolvendo eleitores registrados, realizada logo após a eleição pelo Marist Institute, mostrou que 54% dos entrevistados tinham uma visão positiva de Hillary, com 43% a vendo de forma negativa.

Mas os americanos estão em conflito sobre se ela deve se candidatar à presidência em 2008, com 42% dizendo que deve e 54% dizendo que não, mostrou a pesquisa.

Ainda assim, isso representa uma melhora significativa em relação a 2001, quando uma pesquisa do Marist apontou apenas 30% dos entrevistados dizendo que Hillary deveria algum dia se candidatar à presidência, com 61% dizendo que não.

No início de sua carreira no Senado, a popularidade de Hillary entre os nova-iorquinos era, na melhor das hipóteses, duvidosa. Mas ela dedicou inúmeras horas percorrendo os 62 condados de Nova York e "fez um esforço real para estar presente", disse Maurice Carroll, diretor do Instituto de Pesquisa da Universidade Quinnipiac. "Ela vai atrás das coisas. Ela faz o que um senador deve fazer."

Segundo a pesquisa Quinnipiac dos nova-iorquinos, o índice de aprovação de Hillary tem crescido de forma constante, de 38% em 14 de fevereiro de 2001 até 61% em 14 de setembro de 2004.

"Ela não é a caricatura que as pessoas imaginavam", disse Carroll. "Ela não é uma esquerdista dos anos 60. Ela não é uma esquerdista maluca e ela trabalha. Ela é uma liberal centrista moderada."

Carroll disse que os democratas que aspiram pela indicação do partido em 2008 terão que "derrotá-la ou desencorajá-la" de se candidatar.

John Zogby, um pesquisador independente em Utica, Nova York, e presidente da Zogby International, que previu que Hillary perderia a disputa pela cadeira de Nova York no Senado em 2000, disse que ela tem conquistado apoio de forma constante porque "ela sabe como fazer campanha e transformar o descrente em crente".

Ainda assim, os obstáculos que ainda existem são formidáveis. Nacionalmente, Hillary largaria com um terço do eleitorado "simplesmente a odiando", disse Zogby.

Zogby costuma brincar: "Ela cumprirá dois mandatos como presidente, um mandato como presidente do Federal Reserve [o banco central dos EUA], depois se converterá ao catolicismo e servirá seus anos restantes como papa".

Harold Ickes, um aliado de Hillary que foi vice-chefe de gabinete do presidente Clinton em seu primeiro mandato, disse que a senadora "certamente estaria bem alto na minha lista" caso ela decida concorrer.

"Ela claramente se estabeleceu como uma líder nacional", disse Ickes.

Mas antes que Hillary possa concorrer à presidência, ela tem um obstáculo maior a superar -a reeleição para o Senado em 2006.

Estrategistas prevêem que o governador republicano George E. Pataki poderá ser o adversário dela em 2006 ou talvez até mesmo o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que alguns especialistas acreditam que pode estar de olho no cargo de senador como trampolim para suas próprias ambições presidenciais.

Seja quem for que concorra contra Hillary em 2006 provavelmente a desafiará caso ela pretenda cumprir seu mandato no Senado ou concorrer à presidência em 2008.

Reed disse que "matar o dragão" derrotando Hillary na disputa pelo Senado ajudaria Giuliani em 2008, ao fazê-lo superar seu retrospecto liberal em questões sociais -posições que irritam muitos republicanos.

Derrotar Hillary tornaria Giuliano uma "figura nacional que derrotou a maior candidata dos democratas", disse ele. "Este é o curso de ação a observar em Nova York."

Por outro lado, acrescentou Reed, se Hillary vencer por forte margem em Nova York em 2006, ela estará perfeitamente posicionada para a disputa presidencial em 2008.

"Ela foi a estrela do circuito de arrecadação de fundos durante o último ciclo, e onde quer que ela vá as câmeras a seguem", disse Reed, notando que os republicanos "brigavam entre si" para defender projetos de lei ao lado de Clinton porque ela tinha "poder de estrela".

"É ela quem deve ser observada", disse ela.

Joe Householder, o porta-voz de Hillary, disse que a senadora agora está concentrada "como um laser em continuar servindo à população de Nova York".

Sobre a possível candidatura à presidência em 2008, ele disse: "Ela é a única pessoa que não está perdendo o sono por causa disto. No momento, a prioridade dela é seu próximo período legislativo".

Vários outros democratas devem se candidatar para 2008, incluindo vários governadores. Entre eles: Bill Richardson do Novo México, Tom Vilsack de Iowa e Ed Rendell da Pensilvânia. Também cogitados estão o senador Evan Bayh, de Indiana, e o senador John Edwards, da Carolina do Norte, o companheiro de chapa do senador John Kerry. O próprio Kerry está contemplando concorrer novamente.

Marshall Wittmann, um alto membro do Conselho da Liderança Democrata, disse que a reputação de Hillary como figura polarizadora não é necessariamente um problema para 2008.

"O presidente Bush também é uma figura polarizadora e foi bem-sucedido em conseguir ser reeleito para um segundo mandato como presidente", disse Wittmann. "Pode até mesmo ser um trunfo."

"Minha sensação é que Hillary está tentando se posicionar como uma democrata centrista com credenciais de segurança nacional dentro do partido, que lhe servirão bem caso decida concorrer à presidência", disse Wittmann.

Charlie Black, um estrategista republicano, disse que Hillary está claramente na dianteira para a indicação democrata à presidência em 2008. Ele nota que o status dela como "mártir" devido à infidelidade do marido a tornou mais popular entre as mulheres.

"Ela está melhor agora e é disparadamente mais popular do que qualquer outro", disse Black. Ex-primeira-dama, senadora pode disputar a Casa Branca em 2008 George El Khouri Andolfato

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